Por que os planos de saúde aumentam tanto de preço?

Por que os planos de saúde aumentam tanto de preço?

Todo ano é a mesma coisa: usuários insatisfeitos com os aumentos dos planos de saúde. Em 2018, o teto do reajuste permitido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) foi de 10%, 6,2% acima da inflação prevista para o ano. É claro que isso mexe muito com o bolso do brasileiro, mas você sabe por que os aumentos são tão altos? Emilio Puschmann, CEO da Amparo Saúde, primeiro centro de saúde por assinatura do país, explica os principais motivos que levam aos valores cada vez mais altos.

1) Exames desnecessários, repetidos e superfaturados

Você já chegou a realizar um exame que seu médico nem chegou a comentar o resultado? Segundo a ANS, os médicos brasileiros já pedem mais exames de tomografia e ressonância do que profissionais de países desenvolvidos. O número desses procedimentos cresceu 22% em dois anos, e a ANS aponta que isso pode indicar que muitas solicitações podem ser indevidas. Além disso, com a falta de um prontuário médico integrado, muitos exames acabam sendo repetidos, causando um gasto desnecessário. Por fim, algumas clínicas cobram valores exorbitantes por exames que têm um custo muito baixo. Podemos tomar como exemplo o exame de colesterol, que tem um custo médio de R$ 5, mas que pode custar até R$ 50 em determinados centros médicos.

2) Internações desnecessárias e alto tempo médio de internação

Nem toda doença demanda, necessariamente, uma internação. As internações desnecessárias, junto com fraudes nos convênios, correspondem a 30% dos gastos no Brasil. Existem hospitais que possuem práticas antiéticas de internações, e quem acaba pagando a conta são as operadoras de saúde.

3) Excesso de visitas no pronto socorro

Será que o paciente precisa ir ao hospital toda vez que tem um resfriado? Um acompanhamento médico contínuo, por meio do qual o paciente possui contato constante com sua equipe médica, pode reduzir drasticamente as visitas desnecessárias ao pronto-socorro. Cerca de 80% das queixas dos pacientes podem ser resolvidas com uma consulta ao médico de família, por exemplo. Além disso, muitas pessoas com problemas simples acabam saindo ainda mais doentes por conta da concentração de pessoas contaminadas no pronto socorro.

4) Visitas a especialistas diretamente sem orientação e coordenação adequada

Como saber se é necessário procurar um pneumologista ou um otorrinolaringologista? Muitos usuários de convênios procuram especialistas por conta própria, sem saber qual a real necessidade. Isso causa muitas consultas desnecessárias e, consequentemente, aumenta o número de visitas ao consultório, demandando um desembolso alto para os convênios e perda de tempo para os pacientes.

5) Falta de compartilhamento, padronização e consolidação adequada dos dados dos pacientes em tempo real

Prontuários dos pacientes em papel, ou prontuários eletrônicos sem parametrização e integração, são um dos maiores problemas na coleta e padronização das informações, pois não permitem que uma rede de especialistas tenha acesso aos dados. Um sistema integrado entre todos os profissionais e setores envolvidos (clínicas, consultórios, hospitais e laboratórios), reduz o tempo e ajuda no tratamento do paciente, colaborando para um diagnóstico mais assertivo e eficaz.

6) Falta de coordenação do cuidado

Muitas vezes os problemas de saúde começam com sintomas não muito bem definidos, e uma busca sem direcionamento dos serviços médicos pode acarretar em inúmeras consultas e exames desnecessários. O ideal é que um médico pessoal indique o especialista quando necessário e, ao mesmo tempo, avalie o quadro completo, as medicações em uso e outros fatores. É importante que o generalista consiga ajudar o paciente a trafegar pelo sistema de saúde para que o mesmo possa juntar todas as informações.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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