Pirataria de sementes é um dos maiores desafios do agronegócio

Pirataria de sementes é um dos maiores desafios do agronegócio
José Américo, presidente da Abrasem.

Na contramão dos indicadores econômicos, o agronegócio tem se mostrado o segmento mais forte e mais competitivo da nossa economia. Só no Paraná, o agronegócio responde por 30% do Produto Interno Bruto. Porém, o que tem preocupado as autoridades é o crescimento da pirataria de sementes, que vem se expandindo a cada ano.

Eu conversei com o presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas, José Américo, e ele me passou alguns números assustadores. Hoje, por exemplo, de tudo que é colocado em campo no território nacional, 30% têm sementes ilegais como ponto de partida. No caso do feijão, 55% das sementes plantadas são piratas, enquanto que a popular soja, 25% das sementes são adquiridas no mercado paralelo.

O Brasil é hoje um dos países que mais produz sementes do mundo. São mais de 700 empresas produtoras, das quais, 70 estão no Paraná. Só no ano passado, por exemplo, as sementes piratas causaram um prejuízo de R$ 2,5 bilhões, sendo que, somente no Paraná o valor da perda às empresas chegou a quase R$ 500 milhões.

Segundo me disse o presidente da Abrasem, o produtor brasileiro não é mais um simples agricultor, mas sim um empresário rural, que está ciente que sem tecnologia não há competitividade. Porém, o que acontece é que muitos produtores acabam optando pelas sementes piratas que são 50% mais baratas, no entanto, não oferecem qualquer garantia. Segundo José Américo, quem compra sementes ilegais está abrindo a porteira para inúmeros problemas que vão desde colocar em risco a sua própria lavoura, bem como não contribuir para o desenvolvimento mais rápido de toda a cadeia do agronegócio, uma vez que a prática desestimula a realização de novas pesquisas.

A Associação Brasileira de Sementes acredita no poder da informação e por isso tem promovido palestras, dias de campo e eventos para conscientizar os produtores para que não comprem sementes piratas. E aproveitando o Show Rural, que está sendo realizado em Cascavel, a Abrasem vai lançar nesta quinta-feira campanha nacional contra a pirataria de sementes. Com o slogan “Semente Pirata Espanta a Produtividade”, a campanha vai trazer para discussão o quanto a pirataria no campo é corrosiva e também vai apontar os riscos que corre o produtor que opta por essa prática no mercado paralelo.

A campanha contra a pirataria de sementes encabeçada pela Abrasem em parceria com todas as associações estaduais, tem o apoio no Paraná de grandes instituições ligadas ao agronegócio paranaense, entre elas o Sistema Ocepar, Sistema Faep, Federação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná, Sindicato Rural, além da Apasem e Braspov. Também no Paraná, em 2019, a Polícia Rodoviária Federal fez a adesão à causa.

Só para se ter uma ideia, com exceção da soja, a produção de sementes no mercado legal vem crescendo e totalizou na última safra quase 4 milhões de toneladas.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *