Vendas do comércio brasileiro ficam estáveis em fevereiro

Em fevereiro de 2019, o volume de vendas do comércio varejista brasileiro ficou estável quando comparado a janeiro, na série com ajuste sazonal, após avanço de 0,4% em janeiro. A média móvel trimestral, após subir 0,5% em janeiro, recuou 0,6% em fevereiro. Na série sem ajuste sazonal, no confronto com fevereiro de 2018, o comércio varejista cresceu 3,9%, sétima taxa positiva seguida. O acumulado no ano, contra igual período de 2018, subiu 2,8%. Já o acumulado nos últimos doze meses, registrou alta de 2,3% em fevereiro 2019, permanecendo praticamente estável pelo terceiro mês. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, o volume de vendas recuou 0,8% frente a janeiro de 2019, eliminando grande parte do aumento de 1,0% registrado no mês anterior. Já a média móvel trimestral de fevereiro (-0,5%) recuou, depois de subir 0,2% em janeiro.
Em relação a fevereiro de 2018, o comércio varejista ampliadoavançou 7,7%, vigésima segunda taxa positiva consecutiva, enquanto acumulou crescimento de 5,4% no primeiro bimestre de 2019. Já o acumulado nos últimos doze meses passou de 4,7% em janeiro para 4,9% em fevereiro, apontando ligeiro aumento no ritmo de vendas. Entre as oito atividades pesquisadas, quatro sobem e quatro caem em fevereiro
A estabilidade (0,0%) no volume de vendas do comércio varejista entre janeiro e fevereiro de 2019, na série com ajuste sazonal, foi resultado do equilíbrio entre pressões positivas e negativas, com quatro atividades em cada lado. Entre os setores em alta, o destaque foi para Tecidos, vestuário e calçados (4,4%), seguido por Outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,0%), Livros, jornais, revistas e papelaria (0,2%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,1%).
Já as pressões negativas vieram de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,7%) e Combustíveis e lubrificantes (-0,9%), Móveis e eletrodomésticos (-0,3%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-3,0%).
No comércio varejista ampliado, em fevereiro, o volume de vendas recuou 0,8%, frente a janeiro de 2019, na série com ajuste sazonal. Nessa mesma comparação, houve quedas nos setores de Veículos, motos, partes e peças (-0,9%) e Material de construção(-0,3%), após as altas de, respectivamente, 5,8% e 0,2% no mês anterior.
Em fevereiro de 2019, frente a igual mês de 2018, na série sem ajuste sazonal, o comércio varejista cresceu 3,9%, com taxas positivas em sete das oito atividades pesquisadas. Vale citar a influência positiva vinda do deslocamento do Carnaval, pois fevereiro de 2019 (20 dias) teve dois dias úteis a mais do que fevereiro de 2018 (18 dias).
Entre as atividades com crescimento, destacaram-se, por ordem de contribuição a taxa global, Outros artigos de uso pessoal e doméstico (10,7%), seguido por Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (10,1%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,5%), Tecidos, vestuário e calçados (10,7%), Combustíveis e lubrificantes (3,0%), Móveis e eletrodomésticos (2,7%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (2,9%).
Já a pressão negativa veio do setor de vendas de Livros, jornais, revistas e papelaria, com queda de 24,3%, seu décimo nono recuo consecutivo.
Com avanço de 7,7% contra fevereiro de 2018, o comércio varejista ampliado registrou a vigésima segunda taxa positiva. Esse resultado se deve, principalmente, a Veículos, motos, partes e peças (19,4%), que voltou a mostrar avanço de dois dígitos, seguido por Material de construção (9,3%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (10,7%).
O volume de vendas de Outros artigos de uso pessoal e doméstico, que engloba lojas de departamentos, óticas, joalherias, artigos esportivos, brinquedos, etc., subiu 10,7% em relação a fevereiro de 2018 e acelerou em relação a janeiro (6,1%), influenciado, parcialmente, pelo efeito calendário e exerceu, assim, a maior contribuição ao resultado do varejo. Com isso, o setor acumulou ganho de 8,2% no ano. Já o acumulado nos últimos doze meses, que perdeu fôlego desde abril de 2018, subiu 7,5%, com ligeira alta em relação ao resultado de janeiro (7,3%).
Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com alta de 10,1% nas vendas frente a fevereiro de 2018, exerceu a segunda maior contribuição na taxa global do varejo, registrando a vigésima segunda variação positiva consecutiva, na comparação com igual mês do ano anterior. Ainda que pese o caráter de uso básico e contínuo do setor, a redução de preços do grupamento produtos farmacêuticos, é fator relevante que contribui para o desempenho do setor. No ano, esse segmento acumulou a maior taxa (8,6%) entre as atividades do comércio. Já o acumulado nos últimos doze meses passou de 6,0% até janeiro para 6,4% até fevereiro, permanecendo em trajetória ascendente.
O setor de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com alta de 1,5% frente a fevereiro de 2018, registrou a vigésima terceira taxa positiva consecutiva. O segmento exerceu o terceiro maior impacto positivo na formação da taxa global do varejo. O desempenho da atividade vem sendo sustentado pela estabilidade da massa de rendimento real habitualmente recebida. No primeiro bimestre de 2019, esse segmento acumulou aumento de 1,9% frente a igual bimestre de 2018, porém a análise pelo acumulado nos últimos doze meses, ao registrar aumento de 3,6%, permaneceu mostrando redução na intensidade de crescimento, o que ocorre desde agosto de 2018 (4,8%).
O setor de Tecidos, vestuário e calçados, com aumento de 10,7% em relação a fevereiro de 2018, interrompe dois meses seguidos de taxas negativas e registra a taxa mais elevada desde setembro de 2017 (12,5%), devido, em parte, ao efeito calendário. Vale citar também, a contribuição vinda da redução de preços do grupamento de vestuário. O acumulado no ano ficou em 4,1%, interrompendo sequência de doze meses de taxas negativas. Com isso, o acumulado nos últimos doze meses passou de -1,7% em janeiro para -0,8% em fevereiro, reduzindo o ritmo de queda, mas permanecendo no campo negativo.
Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação mostrou alta de 2,9% em relação a fevereiro de 2018 e de 2,2% no acumulado no ano. Porém, o acumulado nos últimos doze meses (-0,4%) intensifica ritmo de queda em relação a janeiro (-0,2%).
Combustíveis e lubrificantes obteve aumento de 3,0% no volume de vendas em relação a fevereiro de 2018, terceira taxa positiva seguida. A redução dos preços de combustíveis abaixo da inflação vem influenciando positivamente o setor. Com isso, o acumulado no ano ficou em 2,2%. Ainda assim, o acumulado nos últimos doze meses permaneceu negativo (-3,8%), embora mostre recuperação desde novembro de 2018 (-5,5%).
As vendas de Móveis e eletrodomésticos subiram 2,7% em relação a fevereiro de 2018, após as quedas (-5,3% dezembro e -2,8% janeiro) dos meses anteriores. No ano, o segmento acumula ligeira perda (-0,3%) em relação a igual período de 2018. O acumulado nos últimos doze meses, ao passar de -1,9% até janeiro para -2,0% em fevereiro, ficou praticamente estável e mantém a perda de ritmo observada desde abril (9,6%).
A atividade de Livros, jornais, revistas e papelaria recuou 24,3% frente a fevereiro de 2018. Esse comportamento se deve, principalmente, à redução no número de lojas físicas. O acumulado no ano recuou 26,8%. Já o acumulado nos últimos doze meses foi de -17,7% até janeiro para -19,6% até fevereiro e permanece negativo desde março de 2014 (-0,2%), acentuando a trajetória descendente iniciada em abril de 2018 (-5,2%).
O setor de Veículos, motos, partes e peças cresceu 19,4% em relação a fevereiro de 2018, vigésima segunda taxa positiva seguida. Com isso, o setor acumulou alta de 13,7% no ano. O acumulado nos últimos doze meses (14,3%) mostrou estabilidade em relação a janeiro, mantendo, assim, trajetória de recuperação iniciada em julho de 2016 (-17,8%).
Com aumento de 9,3% em relação a fevereiro de 2018, o segmento de Material de Construção voltou a registrar crescimento pelo segundo mês, após resultado negativo em dezembro (-0,6%). No acumulado do ano a taxa foi de 5,5 %. Com isso, o indicador acumulado nos últimos doze meses, ao passar de 3,1% em janeiro para 3,4% em fevereiro, mostrou ganho de ritmo e interrompe trajetória descendente iniciada em maio de 2018.








