Aumentar pena para crime de pirataria pode ajudar na recuperação fiscal do Brasil

Aumentar pena para crime de pirataria pode ajudar na recuperação fiscal do Brasil

A pirataria é um assunto que preocupa a sociedade e as autoridades brasileiras. O país, que não tem uma diretriz clara sobre como combater esses problemas, deixou de arrecadar R$ 193 bilhões devido às ações desse mercado paralelo apenas em 2018, segundo levantamento do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP).

Segundo o advogado Fernando Müller, vice-presidente da Comissão de Direito da Inovação, Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria da OAB/SC, a perda de arrecadação por conta da pirataria também gera um impacto muito grande na prestação de serviços públicos, que já passa por uma situação delicada devido à falta desses recursos.

“Os R$ 190 bilhões que deixam de ser pagos de tributo pelo mercado informal da pirataria poderia cobrir, por exemplo, o déficit da previdência social, que hoje está nessa faixa. Então, resolveríamos um problema só com essa solução”, explica Müller.

Combate à pirataria

Diante dessa relação, setores públicos e privados da sociedade buscam formas para acabar não só com a pirataria, mas com qualquer conduta que interfira na criação de patentes e direitos autorais. No Congresso Nacional, por exemplo, tramitam projetos com o intuito de preservar a propriedade intelectual no Brasil.

Um deles é o PL 333/1999, que está em tramitação há quase 20 anos. A proposta é aumentar as penas para crimes relacionados à pirataria. O deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA) defende a ideia e afirma que a aprovação de projetos como esse contribui para garantir a ampliação do mercado de trabalho formal no país. “Temos uma economia marginal no nosso país que é grave. Só não provoca evasão fiscal, como também tem um contato muito grande com o crime organizado e precisamos agir em relação a isso”, avalia.

Propostas

O objetivo central do Projeto de Lei 333/1999 é aumentar as penalidades para a pessoa que cometer crime contra marcas e patente de registro. Atualmente, a legislação estabelece pena de 3 meses a um ano de detenção. Além disso, os crimes de falsificação também remetem penas alternativas como pagamento de cestas básicas, por exemplo.

Já de acordo com a redação do PL 333/1999, a pena pode ir de 2 a 4 anos de reclusão, como em caso de crimes cometidos contra patente de invenção ou de modelo e contra o registro de marca.

O aumento da pena proposto no projeto, de certa forma, torna o crime de pirataria de maior potencial ofensivo, ou seja, mais grave. Logo, essa medida retira os delitos da jurisdição dos Juizados Especiais Cíveis e os leva ao procedimento comum do processo penal. Na avaliação do advogado Guilherme Doval, que atua em casos de crime de pirataria, essa medida dá maior efetividade ao processo de condenação do infrator.

“O que se pretende é um endurecimento da pena que resulta, ao mesmo tempo, em um endurecimento do processo em si, na medida em que a análise dos crimes sairá do juizado especial justamente para permitir uma persecução criminal mais eficaz”, afirma Doval.

O jurista destaca ainda que o julgamento de casos relacionados à pirataria no juizado especial gera uma incompatibilidade, uma vez que a identificação desses delitos necessita de um trabalho técnico com perícia especializada. Ele explica que o juizado especial é regido pelos princípios da oralidade, simplicidade e informalidade, e não produz prova pericial, o que impede uma investigação mais aprofundada dos casos, impossibilitando, assim, identificar se tal produto é ou não falsificado.

“A complexidade existe porque a pirataria é um braço do crime organizado. E, de fato, fazer uma persecução criminal de crime organizado dentro do juizado especial não é a forma mais adequada”, ressalta.

O projeto já foi aprovado na Câmara e no Senado e se encontra no Plenário da Câmara para votação.

Setores afetados

O setor de vestuário teve uma perda de R$ 58,4 bilhões com a ação do mercado ilegal. Com isso, profissionais do setor defendem a aprovação do PL acreditando poder, assim, fortalecer o combate ao mercado ilegal.

“Esse projeto não tem o objetivo de pegar os pequenos. Ele tem o objetivo de pegar grandes estruturas que destroem a qualidade daquilo que é desenvolvido no nosso país e no mundo. Portanto, não haverá espaço para termos empregos de qualidade se não tivermos negócios formais, que respeitem o direito, respeitem a propriedade intelectual e respeitem as marcas”, reforça Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção.

O presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial e especialista em defesa e direito do consumidor, Edson Vismona, afirma que a pirataria diminui a entrada de investidores em todos os setores do mercado nacional, pois gera uma concorrência desleal. Segundo ele, o mercado legal gera investimentos, empregos e riqueza, enquanto a pirataria alimenta a violência e a corrupção.

“Estamos expulsando investimentos do Brasil e a geração de novos empregos por conta do crescimento do mercado ilegal. Perde o consumidor porque são produtos de baixa qualidade, produtos de baixa durabilidade, ou seja, parece barato, mas pode ficar caro”, lembra. (Juliana Gonçalves)

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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