Mesmo com economia retraída, mercado de fusão e aquisição de empresas continua aquecido

Mesmo com economia retraída, mercado de fusão e aquisição de empresas continua aquecido

O mercado de fusões e aquisições de empresas continua bastante aquecido, apesar da economia não demonstrar sinais de reação. O ano passado, o crescimento foi de 28%, segundo informações da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais. E, para este ano, a expectativa é de um aumento superior a 15%.

Só nesta quarta-feira (22), dois grandes negócios foram confirmados. A Natura Cosméticos anunciou a compra da Avon em uma operação de troca de ações, o que permitirá que a Natura se torne a quarta maior empresa do setor de beleza do mundo. Em 2017, a brasileira comprou a britânica The Body Shop e, em 2013, a australiana Aesop. O mercado reagiu bem ao negócio e ações da Natura subiram mais de 9% no pregão desta quarta-feira (22) da Bovespa.

Com a compra da Avon, a holding da Natura passará a ter uma receita líquida anual acima de R$ 40 bilhões e mais de 6 milhões de revendedores, o que a tornará o maior canal de vendas de porta em porta do mundo.

Maior negociação da Duratex

Por sua vez, a Duratex confirmou a compra da Cecrisa por R$ 539 milhões, mais a dívida da Cecrisa de R$ 442 milhões. Essa foi a maior negociação promovida pela Duratex, que é considerada uma das líderes no mercado brasileiro de pisos laminados e uma das maiores produtoras de painéis de madeira industrializada, louças e metais sanitários.

Também nesta quarta-feira (22) a Petrobras informou que seu conselho de administração aprovou o modelo de venda adicional de sua participação na BR Distribuidora, que será conduzida por meio de uma oferta pública secundária de ações, numa importante etapa de seu plano de desinvestimentos.

Wesley Figueira prevê um grande número de operações de compra e venda de empresas após a aprovação das reformas.

Eu conversei nesta quinta-feira (23) com o diretor da VBR Brasil Valuconcept, Wesley Figueira, e perguntei a ele o porquê dos negócios envolvendo a compra e venda de empresas continuarem aquecidos em meio a uma economia retraída, e ele me explicou que estes tipos de negócios não são feitos da noite para o dia e que já estavam em andamento já há algum tempo. Segundo ele, o número de operações envolvendo fusão e aquisição de empresas deve continuar crescendo devido aos juros baixos, inflação sob controle e possibilidade de equacionamento do perfil de endividamento do Brasil no prazo de 10 anos.

Figueira prevê uma segunda grande maré de fusões e aquisições de empresas brasileiras, tão logo seja aprovada a Reforma da Previdência. “Os investidores nunca pararam de examinar o mercado brasileiro. No momento, a economia está travada à espera da aprovação das reformas, mas as expectativas da classe empresarial em relação à sensatez do governo na condução da economia são boas. O que realmente está faltando é um empurrão da classe política”, explica.

Venda é salutar

O diretor da VBR Brasil Valuconcept me disse que a venda de empresas é salutar para o mercado desde que a transação seja sustentável e beneficie a sociedade como um todo, e que não seja feita com dinheiro público, principalmente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a exemplo do que se viu no passado.

Wesley Figueira destaca que a união de grandes empresas resulta em economia devido às sinergias existentes, além do que com o aumento do poder de compra acaba-se financiando um consumo mais barato na ponta. No caso da Natura, a compra da Avon deverá proporcionar uma economia anual entre US$ 150 milhões e US$ 250 milhões.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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