You are here
Home > Economia > Brasil deve aproveitar o G20 para lucrar com guerra entre China e EUA

Brasil deve aproveitar o G20 para lucrar com guerra entre China e EUA

Em sua estreia no G20, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil não “tem um lado” na tensão comercial estabelecida entre as duas potências econômicas. Economista Carlo Barbieri acredita que o encontro no Japão é ideal para reposicionar o Brasil no cenário econômico mundial

Crescimento econômico, protecionismo e tensões comerciais pautam o encontro G20. Jair Bolsonaro já está em Osaka, no Japão, para participar da cúpula. Logo ao desembarcar, o presidente brasileiro afirmou que o Brasil não tem um “lado” na guerra comercial travada entre Estados Unidos e China. As duas maiores potências econômicas mundiais se veem em um impasse recíproco de tensão e imposição de tarifas e sanções comerciais a produtos de exportação.

A questão é que, com o desacordo comercial travado entre as potências, o Brasil turbinou as exportações brasileiras para a China em US$ 8,1 bilhões, de acordo com levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em maio. As vendas nacionais passaram de US$ 22,589 bilhões, em 2017, para US$ 30,706 bilhões, no ano passado.

Carlo Barbieri: O G20 é uma oportunidade de reposicionar o Brasil no mercado externo e reconquistar a confiança no exterior.

Em meio à guerra comercial, segundo Carlo Barbieiri, economista e analista político brasileiro, radicado nos Estados Unidos há 30 anos, o Brasil pode aproveitar de forma bilateral, aumentando sua capacidade de exportação para ambos países. “Temos visto uma grande oportunidade comercial para que o Brasil tenha maior participação nestes mercados, principalmente nos Estados Unidos. O país tem as condições ideais para ocupar o centro dessa disputa e ganhar com ela”, pondera Barbieri.

Em curto prazo, o Brasil sentiu efeitos positivos da tensão comercial. “No caso da China, o Brasil pôde entrar em mercados como carne bovina, sucos de laranja e castanha do Pará, além de se beneficiar no caso da soja. Já no caso dos Estados Unidos, além dos produtos que o Brasil já exporta, temos o fator da proximidade geográfica, favorecendo condições ideais”, pondera o especialista.

ENCONTROS BILATERIAIS

Na sexta (28), Bolsonaro terá um encontro com o presidente Donald Trump – o segundo encontro em menos de três meses, já que Bolsonaro foi recebido na Casa Branca, nos Estados Unidos, em março deste ano. Além do chefe de estado americano, haverá reuniões bilaterais com Emmanuel Macron, da França, e Xi Jinping, da China, com os primeiros-ministros Narendra Modi, da Índia, e Lee Hsien-Loong, de Singapura.

Uma das mais reuniões esperadas acontecerá neste sábado (29). Bolsonaro se encontrará com o Xi Jinping, presidente da China, e a expectativa de especialistas é que a economia seja a principal pauta da conversa. A China é o principal parceiro econômico do Brasil. Entre os destinos das exportações brasileiras, em janeiro deste ano, o país asiático liderou com um aumento da participação em relação a janeiro de 2018, de 18,3% para 20,9% da fatia do mercado.

“Esperamos que o Brasil possa estreitar suas relações com a China e mudar o cenário atual de exportação brasileira para o país asiático. Hoje, a maior participação do Brasil é com commodities. Exportar produtos de alto valor agregado seria muito mais interessante para a economia brasileira”, explica o economista.

RETOMADA DA CONFIANÇA

Neste ano, pela primeira vez, o Brasil ficou foram do ranking da A.T. Kearney, de países que mais devem atrair investimentos estrangeiros no mundo. No levantamento, o Brasil não ficou entre os 25 países mais confiáveis para receber investimentos. Barbieri explica que “a economia brasileira não está transmitindo segurança para o investimento externo. Então, os investimentos costumam ser pontuais e de curto prazo. Isso resulta em um capital especulativo e com alta variação e instabilidade. Essa situação precisa ser resolvida o quanto antes”.

Desde 1998 – quando a consultoria A.T. Kearney começou a fazer este ranqueamento – o país nunca havia ficado fora do top 25. Mercados sólidos, como os dos Estados Unidos e Alemanha, estiveram no topo do ranking de 2019.

“O G20 é uma oportunidade de reposicionar o Brasil no mercado externo e reconquistar a confiança no exterior. Será preciso aproveitar ao máximo as reuniões bilaterais para rever alguns pontos que possam favorecer para ambos lados, mas que, principalmente, reflitam no Brasil posicionando-o como nação atraente para novos investimentos estrangeiros”, analisa Barbieri.

Mirian Gasparin
Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 44 anos na área de jornalismo, sendo 42 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 11 anos de blog, mais de 20 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 18 prêmios, com destaque para Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.
https://www.miriangasparin.com.br

Deixe um comentário

Top