Ética do profissional brasileiro foi abalada pela crise, aponta pesquisa

Ética do profissional brasileiro foi abalada pela crise, aponta pesquisa
Data: 09/06/2014 Local: Sao Paulo - SP Cliente: ICTS Protiviti Departamento: Comunicacao Assunto: Heloisa Macari Fotografo: Celso Doni / Cordel Imagens Assistente Luiz Michelini / Cordel Imagens

Como está a percepção ética do trabalhador brasileiro frente aos acontecimentos políticos ocorridos nos últimos dois anos? As decisões morais do profissional brasileiro se alteraram diante das mudanças do cenário econômico e político? A resposta para estas perguntas está na 4ª edição da pesquisa bienal “Perfil Ético dos Profissionais Brasileiros”, realizada pela consultoria de Gestão de Riscos, Ética e Compliance, ICTS Protiviti.

O estudo, que contou com a análise do grau de flexibilidade moral de 4.784 colaboradores de diferentes níveis hierárquicos, identifica o comportamento destes profissionais frente a dilemas éticos vivenciados no ambiente corporativo, mapeando como agiriam em relação a temas como: apropriação indébita, gratificação indevida e vazamento de informações.

A análise aponta que 57% dos profissionais apresenta grau de flexibilidade moral médio, situação em que o comportamento do indivíduo pode ser influenciado por pressões externas. Este ponto traz um alerta, vez que na edição anterior do estudo, divulgada em 2017, este índice correspondia a 36% dos colaboradores. Ao verificar que o grupo de profissionais com menor propensão para se corromperem (graus de flexibilidade média-baixa e baixa), caíram de 50% para 19% entre 2017 e 2019, conclui-se que, de forma geral, os colaboradores tornaram-se mais propensos a compactuarem com condutas antiéticas no ambiente corporativo.

“Analisando os possíveis fatos que podem ter influenciado este grau de flexibilidade, podemos considerar o desaquecimento da exposição da Lava Jato na imprensa, tornando-se um assunto mais corriqueiro e menos mobilizador, principalmente após a prisão do ex-presidente Lula, assim como os menores investimentos nos controles das empresas, o medo do desemprego e a juniorização de cargos, estes três últimos estimulados pela crise econômica”, relata Heloisa Macari (foto), porta-voz da pesquisa e diretora executiva da consultoria ICTS Protiviti.

Para a executiva, o ápice de movimentos populares em prol da ética foi refletido na baixa flexibilidade moral do trabalhador brasileiro. Ou seja, antes não fazia sentido compactuar com uma conduta antiética. Agora, houve um afrouxamento desse cenário e as empresas devem refletir sobre os cuidados a serem tomados. “Num primeiro momento, as empresas passaram a adotar os canais de denúncia e as pessoas ampliaram seus relatos numa tentativa de autoproteção. Agora, a atenção das empresas deve ser a de conhecer melhor o comportamento de seus colaboradores e, acima de tudo, focar numa cultura ética interna para que os problemas não voltem a acontecer”, explica Heloisa.

Este cenário é suportado por outros indicadores do estudo. Do grupo analisado, 71% falariam sobre erros próprios ou de terceiros que pudessem gerar prejuízos à organização se, e somente se, o ambiente corporativo trouxesse segurança, inclusive contra retaliações. Em contrapartida, 28% reportariam tais situações independentemente de fatores externos. Na edição passada, este número era maior, chegando a 35%. O mesmo ocorre sobre a convivência com atos antiéticos. Apenas 29% dos profissionais disseram que não aceitariam essa situação. Na edição anterior, 47% fizeram essa afirmação.

Em relação ao tratamento de informações confidenciais, que avalia o grau de compreensão e respeito que o colaborador apresenta ao tratar questões de sigilo profissional, 59% usariam informações se estivessem sob pressão ou buscando uma recolocação profissional, enquanto 41% não repassariam dados confidenciais. Na edição anterior, 63% não usariam esses dados em benefício próprio. E quando o assunto é pagamento ou recebimento de proprinas, 58% dos profissionais condicionariam sua decisão a fatores externos.

“Nesta edição, percebe-se uma migração dos profissionais de alta e de baixa flexibilidade ética para o nível médio e médio alto, o que mostra que há riscos para as empresas quando o assunto é flexibilidade moral. Isso significa uma necessidade de maior intensidade das ações educativas, de controle e de gestão de pessoas nas organizações frente a um cenário de crise sócio-política-econômica que afetou a flexibilidade moral dos profissionais brasileiros”, finaliza Heloisa Macari.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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