Selic atinge nova mínima histórica: o que acontece agora?

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom)reduziu a taxa Selic para 4,25% ao ano, a menor da séria na história. Neste ponto, é importante lembrar que, em meados de outubro de 2015, a Selic era de 14,25%. Mas, o que aconteceu para esta redução drástica e acelerada da Selic? E de que forma isso pode afetar a vida dos brasileiros? Para responder estes e outros questionamentos, é imprescindível entender o que é esta taxa.
O Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) é parte do Sistema de Pagamentos Brasileiros (SPB), gerenciado pelo Banco Central do Brasil (BCB). Ou seja, é a partir da Selic que ocorre a gestão dos títulos de dívida federais. De acordo com Christian Bundt, economista e professor do Isae Escola de Negócios, é possível entender a Selic como uma ferramenta de controle do governo federal para tomar recursos financeiros de terceiros.
“A taxa Selic é o quanto o governo está disposto a pagar de juros nesse sistema”, explica o especialista. “Por meio dela, o governo também influencia a quantidade de dinheiro no mercado e a atratividade dos financiamentos ofertados pelos bancos”, complementa Bundt.
A partir disso, é possível compreender a influência da taxa no consumo da população, que também afeta diretamente na inflação. Para Bundt, este é de fato o alvo do BCB ao mexer na Selic, já que é a principal referência para outras taxas de juros do país, como as dos empréstimos, dos financiamentos e das aplicações financeiras. Ou seja, a taxa de juros da operação que você paga/recebe no banco ou na cooperativa tem forte relação com o aumento ou diminuição da Selic.
“Com esta mudança, vale ir à sua instituição financeira negociar aquele empréstimo, aquela aplicação e até a taxa de administração do seu consórcio e da previdência privada”, aconselha o especialista. “Em espectro mais amplo, quem sabe esta é hora de investir aquele dinheiro guardado em um negócio, como em um imóvel para alugar. Afinal, juros baixos privilegiam as atividades empresariais”, explica ele. Para as empresas, a dica do economista é repensar a estratégia de financiamento. “Ao invés do empréstimo tradicional, quem sabe debêntures ou outros recebíveis mais personalizados?”, aponta.
Para decifrar o futuro da Selic, Bundt indica a leitura das entrelinhas da ata do Copom. Entretanto, não há dicas que apontem se a taxa vai continuar baixando, estabilizar ou subir. Ainda é possível recorrer a outros indicadores, como o IPCA e outros índices de inflação, como o nível de emprego formal e a confiança da economia.
“Da leitura dos últimos números da economia, que mostram os setores agro, indústria e serviços em crescimento, há um sinal de contínuo e gradual aquecimento, mas de monta pequena”, aponta Bundt. Para o especialista, o baixo nível de emprego formal e a ociosidade empresarial permitem uma Selic menor ainda e o eficiente controle da inflação por um bom período a frente.
Lado positivo e negativo da redução
Para Arthur Rubert, sócio da Allez Invest, “o impacto da redução da taxa básica de juros do país tem um lado positivo e outro negativo para o mercado financeiro. Para os investidores mais conservadores, que aplicam os seus ativos em grande parte na renda fixa, vêm sua rentabilidade diminuir a cada corte na taxa de juros. Isso faz com que os investidores passem a levar o seu capital para aplicações mais ousadas ou que requerem um perfil mais agressivo para que a sua rentabilidade não deprecie”.
Do outro lado, acrescenta Rubert, foi criada uma expectativa que a diminuição da taxa de juros fará com que a economia acelere, com um aumento na procura por crédito para financiar empresas e pessoas físicas. Esse movimento, em uma escala macroeconômica, faz com que o pais acelere o seu crescimento, criando novos empregos e aumentando o consumo, o que, consequentemente reflete na Bolsa de Valores brasileira.
Esse movimento é visto com o crescimento no índice da Bolsa de Valores, que após as diminuições da taxa de juros pelo Copom, se torna mais atrativo investir em bolsa. “Os investidores estrangeiros, um dos principais players das ações brasileiras, veem com bons olhos esse crescimento, e voltam a injetar recursos no Brasil – que após crises políticas e governamentais foram retirando recursos no país. Consequentemente, com o aumento no índice da Bolsa de Valores brasileira o grau de investimento no país é recuperado, acelerando ainda mais a nossa economia” , conclui o
sócio da Allez Invest.








