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Após 50 dias de fechamento, lojistas de shopping acumulam prejuízo de R$ 27 bilhões

Desde o início da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), os lojistas de shopping em todo o país que tiveram seus estabelecimentos fechados e registram prejuízo estimado em R$ 27 bilhões. Os dados ainda não estão consolidados, mas refletem os danos ao setor do comércio atingido pela pandemia. 

Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), apontou que 93% dos lojistas já registraram queda superior a metade do faturamento. Atualmente, só 81 dos 577 shoppings do país estão abertos em mais de 50 municípios. No total o setor de shopping center emprega cerca de 1,5 milhão de pessoas em pouco mais de 105 mil lojas. 

Sem condições de sobreviver

“O setor do comércio olhando especialmente para os lojistas de shopping, não terá condições de sobreviver a mais um mês de fechamento das lojas. Só pedimos a igualdade de condições como já estabelecido com o setor de supermercados e farmácias por dois motivos: os centros de compra são ambientes controlados, amplos com mais de 100 mil metros quadrados cada e limpos, e temos consciência de que adoção de rígidos protocolos de segurança permitem uma flexibilização. Há estabelecimentos que vão fechar as portas definitivamente na próxima semana sem esse diálogo ou, no mínimo, um plano de reabertura gradual”, alerta Nabil Sahyoun, presidente da ALSHOP.

Na pesquisa feita com associados, mais da metade (52%) afirmou que irá depender da negociação com donos de shopping e a liberação de financiamento para não fechar as portas, enquanto 15% afirmou que irá fechar lojas ao longo deste ano. Entre os lojistas 79% afirmam terem encontrado dificuldade para obter crédito no mercado.

A entidade usa como referência o PolloShop de Curitiba, que fechou definitivamente as portas no mês de abril. No empreendimento estavam 220 lojas que empregavam cerca de 2.000 pessoas. 

Plano de reabertura

Há 20 dias, a Alshop divulgou um plano de reabertura dos shoppings e tem feito diálogo com o poder público em busca ao menos de um planejamento para a reabertura do comércio. Já participou de reunião com o vice-governador de São Paulo e com outras entidades do setor de comércio para discutir as condições de reabertura.

“O sentimento do empresário, e quando falo dos nossos associados, falo de um universo de 105 mil lojas com 70% de pequenas empresas e que falta coordenação entre as ações. O crédito anunciado é burocrático e não tem evitado o fechamento definitivo das lojas. Se por um lado há um programa de transferência de renda e compensação que parte do governo federal, por outro os governadores e prefeitos não abriram mão dos seus impostos como ICMS e IPTU mesmo tendo a parcela do pagamento da dívida suspensa com a União. Com a compreensão dos estados e das prefeituras podemos ajudar a reduzir uma taxa de desemprego que será sem precedentes”, explica.

A Alshop tem proposto a negociação de um plano de reabertura gradual do comércio e a criação de protocolos de higienização dos ambientes para que os clientes possam frequentar os estabelecimentos com segurança. “A prioridade é a vida e não podemos politizar a questão. Há como equalizar a proteção à saúde e reduzir os riscos para a economia que também sustenta o custo da saúde”, enfatiza. 

12 compromissos para a reabertura 

A Alshop propõe um plano de reabertura controlado inspirado em procedimentos já adotado em outros países. Para a entidade, mesmo quando a abertura for flexibilizada, a fragilidade da economia não levará a aglomerações nos empreendimentos nem uma alta no consumo por receio da população que teve a renda reduzida e será mais cautelosa com a própria saúde:

A entidade propõe um plano com 12  compromissos:

  1. Abertura de lojas de shopping em horário reduzido de atendimento: das 12h às 20h permitindo que os estabelecimentos funcionem em apenas um turno reduzindo o custo da operação. 65% dos lojistas concordam com esta medida segundo a pesquisa nacional da ALSHOP;
  2. Controle de entrada dos clientes com medição de temperatura e higienização das mãos;
  3. Obrigatoriedade do uso de máscaras de proteção facial e limitação de quantidade de clientes, conforme a capacidade do empreendimento. O objetivo é novamente evitar aglomerações;
  4. A limitação será seguida e informada por placas e indicativos no acesso de estacionamentos, elevadores e escadas rolantes;
  5. Nas praças de alimentação, serão instalados dispensers de higienização das mãos e será adotado maior espaçamento entre as mesas, bem como a remoção ou interdição de bancos nos corredores; 
  6. Haverá recomendação de que os restaurantes ofereçam cardápio para viagem com retirada no balcão, e os restaurantes com salão interno tomarão as mesmas medidas de distanciamento de mesas;
  7. Orientação visual aos clientes e frequentadores para evitarem aglomeração e incentivá-los a lavar as mãos, bem como não andar em grupos com mais de 5 pessoas; 
  8. Expor informações claras sobre a quantidade máxima de clientes nas lojas conforme a metragem do estabelecimento. Em lojas âncora, de maior metragem, controlar o acesso dos clientes com a mesma finalidade;
  9. Mapear a distância entre clientes com identificação nas filas dos caixas por meio de adesivos no piso, como tem sido usado nos supermercados, bancos e casas lotéricas;
  10. Instalação de placas de acetato nos caixas das lojas com abertura inferior para a cobrança em papel moeda ou máquinas de cartões devidamente higienizadas. As placas de acetato serão higienizadas seguindo um protocolo igualmente rígido;
  11. Os colaboradores das lojas usarão materiais de proteção individual como máscaras, protetores faciais (face shields), álcool gel, luvas, para os que lidam com papel moeda;
  12. Adotar novos protocolos de higienização dos ambientes de uso comum como corredores e banheiros adotando o mesmo controle rígido de acesso dos frequentadores;

A Alshop lembra que há cerca de 60 segmentos de atividade dentro de um empreendimento incluindo serviços essenciais como supermercados, farmácias, clínicas rápidas e pet centers considerados serviços essenciais. Em um shopping só a área de serviços representa 30% do total de lojas que oferecem serviços como assistência técnica, clínica veterinária, serviços gráficos, lotéricas, casas de câmbio, caixas eletrônicos, conserto e ajuste de roupas, sapatarias entre outros.

 

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Mirian Gasparin
Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 44 anos na área de jornalismo, sendo 42 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 11 anos de blog, mais de 20 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 18 prêmios, com destaque para Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.
https://www.miriangasparin.com.br

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