Dólar a R$ 6,00 não é prejudicial à economia neste momento, diz estrategista
Na semana passada o dólar comercial chegou a ser cotado R$ 5,97, atingindo um novo recorde histórico nominal. No ano, a valorização da moeda norte-americana em relação ao real já passa de 47%. A alta do dólar tem como consequência a elevação de alguns preços.
No entanto, apesar do dólar quase sempre acompanhar a inflação, não é isso o que está acontecendo nessa pandemia. A inflação está baixa porque os produtos consumidos no Brasil que chegam do exterior, e mesmo os itens produzidos aqui, têm cotações definidas no mercado internacional, ou seja, em dólar.
Perspectivas defasadas
As perspectivas para a economia brasileira estão cada vez mais defasadas, mas, para Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, a realidade da moeda americana chegar a R$ 6,00, ou ultrapassar, está cada vez mais próxima. Porém, este fator não será prejudicial para a economia neste momento.
“Quando falamos sobre o dólar, tudo é possível, ainda mais nesse cenário nebuloso que estamos agora, o dólar ultrapassar R$6,00 é completamente possível, e não vai ter tanto impacto agora porque a gente está tendo um momento de inflação baixa. A exportação está alta, está exportando mais petróleo, a Vale está exportando mais minério de ferro com a retomada parcial da China. E tem a questão do momento de colheita, então os agrícolas também estão com exportadas positivas”, explica Laatus.
Quando a economia brasileira se recuperar, o primeiro fator a ser notado será a inflação. O estrategista explica que muitas empresas e importadoras irão sentir um impacto mais amplo. “Então, não é ruim no momento, mas quando a economia retomar, o primeiro fator que vamos ver é a inflação, e também em empresas e importadoras que dependem de produtos ou peças de fora do país que tem esse custo em dólar também vão sofrer, mas a curto prazo, é o risco é zero. Pelo contrário, é até positivo. Já no longo prazo é pressão inflacionária, algumas empresas, como importadoras de carros e outras acabam perdendo a competitividade, o que é bem ruim”, finaliza.


