Sem experiência em aulas online, professores correm em busca de treinamento

Sem experiência em aulas online, professores correm em busca de treinamento

O fechamento das escolas por conta da pandemia de coronavírus virou a vida dos professores de cabeça para baixo: da noite para o dia abandonaram as salas de aula e tiveram que aprender a lecionar de suas casas, com as ferramentas que dispõem – que muitas vezes se limitam a um smartphone, alguns livros e muita boa vontade.

Acontece que os estudantes, em suas casas, precisam muito mais do que uma conexão wifi e uma tela para absorver o conteúdo das aulas remotas. “Acostumado com milhares de estímulos diariamente, em todas as plataformas, é muito difícil que um estudante fique concentrado 50 minutos em uma única tela, prestando atenção em um professor falando sobre velocidade e aceleração, ou demonstrando um teorema, por exemplo”, afirma o professor de Física e Cálculo Diferencial José Motta, um dos fundadores da Moonshot Educação – uma startup voltada à metodologias e tecnologias educacionais.

Período de múltiplas experiências

“Estamos atravessando, no cenário da educação, um período de múltiplas experiências para gestores, professores, alunos e familiares. Nesse sentido, o currículo não estava adaptado para um novo formato, bem como, os professores não estavam preparados para ensinar de maneira remota”, ressalta Motta (foto).

Uma pesquisa do Instituto Península revelou que, mesmo após seis semanas de isolamento, 83% dos professores brasileiros ainda se sentem nada ou pouco preparados para o ensino remoto. Quase 90% deles nunca tinham dado aula virtualmente antes da pandemia e 55% não tiveram qualquer suporte ou capacitação durante o isolamento social para ensinar fora do ambiente físico da escola. O levantamento mostra ainda que 75% dos professores gostariam de receber apoio e treinamento neste sentido.

Pensando nesse público, a Moonshot Educação lançou uma meta arrojada: transformar a vida de 1 milhão de educadores até o final de 2020. Oferecendo capacitação gratuita na internet, a Edtech formada por três professores apaixonados por suas carreiras já está colhendo frutos: na primeira semana de cursos online – 11 a 15 de maio – conseguiu impactar mais de 40 mil pessoas ao vivo e as aulas sobre ensino remoto tiveram mais de 80 mil visualizações pelo YouTube.

A professora de Inglês Angela Musskopf, de Ivoti (RS), se intitula um bichinho da goiaba: “vou fuçando aqui, fuçando ali e descobrindo ferramentas, modos de usar e tenho compartilhado isso com meus colegas”, conta. Em busca de mais inovação no ensino remoto, encontrou as aulas da Moonshot no YouTube e compartilhou o link com outros professores.

“Recebi vários agradecimentos dos meus colegas por ter compartilhado o link porque eles, de fato, fizeram o curso e acharam fantástico, assim como eu”, afirma. “É muito confortante conhecer pessoas que dedicam algumas horas sem custo para compartilhar seus conhecimentos em prol da Educação, do crescimento profissional e pessoal dos educadores”, diz Angela.

“Eu vibro com cada aula e fico contando as horas para chegar a próxima. É um curso cheio de informação, direto, dinâmico, bem montado, bem conduzido”, afirma a consultora pedagógica paulista Barbara Porto, que participou de todos os módulos da primeira semana. As aulas online, ao vivo, apontam caminhos de trilhas síncronas e assíncronas para o Ensino Remoto Intencional e para a adoção de novas metodologias e tecnologias educacionais.

“O curso me deu uma luz sobre como apresentar, de forma  simples, organizada e eficaz, ferramentas para os professores e gestores com quem trabalho e acho que pode ajudar milhares de educadores de todo o Brasil. Claro, existem limitadores como falta de acesso à internet, falta de formação dos professores e de diálogo com famílias e alunos e mesmo falta de equipe técnica nas escolas, principalmente em comunidades mais carentes, mas temos que nos mover de forma mais intencional nesta direção”, ressalta.

Metodologias ativas

Fundamentadas em metodologias ativas de ensino, as aulas da Moonshot provocam os educadores não apenas para o momento de ensino remoto, mas possui um olhar para o retorno das aulas presenciais e para o futuro da Educação. “A pandemia acelerou um movimento que iniciamos há alguns anos no Brasil, mas que vinha sendo muito lento”, afirma Motta que, só em 2019, proferiu mais de 200 palestras para educadores de todos os estados brasileiros.

“Em apenas uma semana de aulas online, atingimos cinco vezes mais educadores que durante todo o ano passado”, revela Motta, que pretende alcançar 200 mil profissionais na segunda fase do programa gratuito de aulas, que acontece na primeira semana de junho, no canal da Moonshot Educação do Youtube. As inscrições estão abertas pelo link https://moonshotedu.com.br/.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *