Após quatro anos de quedas, ocupação na indústria tem alta de 0,7% em 2018

Após quatro anos de quedas, ocupação na indústria tem alta de 0,7% em 2018

O número de pessoas trabalhando nas indústrias brasileiras aumentou cerca de 0,7% de 2017 para 2018, sendo essa a primeira alta desde 2013. As indústrias extrativas ampliaram sua importância na geração de valor no total da indústria em 1,2 ponto percentual, atingindo 14,7% de participação, o maior índice da série. Esses são alguns dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA) 2018, divulgada nesta quinta-feira (18) pelo IBGE, que também mostrou aumento recorde na concentração de mercado.

Após quatro quedas sucessivas, a ocupação na indústria deu sinais de início de recuperação em 2018. Entre dezembro de 2017 e dezembro de 2018, foram criados cerca de 50 mil novos postos de trabalho. Com isso, a quantidade de trabalhadores na indústria passou para 7.698.689, estando ainda abaixo do número de ocupados em 2009. Entre 2013 e 2017, cerca de 1,4 milhão de trabalhadores deixaram de ocupar postos no setor industrial.

A alta de pessoal ocupado ocorreu nas indústrias de transformação (0,68%), que são também as que empregam mais gente na indústria (97,56%). Já no setor extrativo, houve queda nesse quesito (-0,39%).

Porém, as indústrias extrativas ganham cada vez mais espaço de participação no que se refere à importância em geração de valor no total da indústria. Apesar de terem registrado retração nesse sentido em 2015 e 2016, aumentaram sua importância em 2017 e 2018 e, desde 2009, já somam uma alta de 5,1 pontos percentuais de participação, passando de 9,6% para 14,7% no período.

“Um grande avanço no setor de petróleo se deu no período mais recente, com a exploração das reservas do pré-sal”, comenta a gerente da pesquisa, Synthia Santana.

Perda na indústria automotiva

Já a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias registrou perda de dinamismo em relação à relevância em valor agregado, tendo descido duas posições no ranking das maiores participações no valor de transformação industrial (de 3º para 5º lugar). Com queda acentuada (3,8 p.p.) entre 2009 e 2018, alcançando 7,4% do valor agregado nas Indústrias de Transformação, essa foi a atividade com maior redução no período de dez anos entre os setores da indústria.

“O setor enfrentou sucessivas crises. Em primeiro lugar, na crise financeira de 2008 todos os países sofreram retrações significativas, então a economia brasileira foi afetada, sobretudo naqueles setores dependentes do setor externo. Para conter a crise foram adotadas políticas contracíclicas que atenuaram um pouco este efeito (como redução do IPI), mas, entre 2014 e 2015, sofremos uma crise interna importante, não houve tempo hábil para que essa indústria se recuperasse do choque anterior”, lembra Synthia.

No ranking das atividades industriais em relação a valor de vendas, a extração de petróleo e gás natural subiu cinco posições, saindo da 11ª posição em 2017 para a 6ª posição em 2018. Em contrapartida, a fabricação de veículos automotores perdeu posição novamente, descendo um degrau e passando a 3ª colocação para a fabricação de coque, de produtos derivados de petróleo e de biocombustíveis.

Concentração de mercado tem nível recorde

A pesquisa também mostrou que a concentração de mercado no setor industrial no Brasil aumentou 2,9 pontos percentuais em 2018, atingindo 24,2%, o maior patamar da série iniciada em 2009. O índice mede o percentual do valor da transformação industrial gerado pelas oito maiores empresas do setor.

Entre 2009 e 2018, tanto a indústria extrativa quanto a de transformação apresentaram aumento na concentração, de 67,7% para 74,0% e de 20,4% para 22,3%, respectivamente.

Nos setores das Indústrias Extrativas, somente a Extração de petróleo e gás natural teve uma redução significativa na concentração: de 98,8% em 2009 para 88,8% em 2018. Os demais segmentos que compõem o setor tornaram-se mais concentrados ou permaneceram no mesmo patamar inicial. Apenas a Extração de minerais não metálicos, que inclui a extração de areia, argila e sal, apresentou uma concentração menor que 50% em 2018 (20,1%).

Já em relação às Indústrias de Transformação, apenas cinco de seus 24 segmentos registraram um índice de concentração maior que 50%, com destaque para a Fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (93,1%). A atividade que mais aumentou seu nível de concentração foi a Fabricação de celulose, papel e produtos de papel, que passou de 44,8% em 2009 para 61,0% em 2018. E a atividade com maior redução foi a Fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, que caiu de 48,0% para 37,5% no mesmo período. 

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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