80% dos profissionais de salões de beleza solicitaram auxílio emergencial
Principal setor da economia brasileira, a área de serviços corresponde a 63% do PIB do país (IBGE). Foi um dos setores que mais sofreu com as medidas de isolamento social impostas pela pandemia do novo coronavírus, cujo impacto pode ser percebido com clareza, por exemplo, no mercado de salões de beleza.
Num levantamento feito pela Radar Pesquisas, empresa de pesquisa de mercado consolidada no setor há 30 anos, e pela Beauty Fair, de negócios, relacionamento e desenvolvimento do varejo, indústria e salões de beleza, descobriu-se que 51% dos profissionais dessa área, na região da Grande São Paulo, são autônomos e 80% solicitaram o auxílio emergencial do governo. Apenas 39% desses, no entanto, tiveram o pedido aprovado. Além disso, 22% dos salões estavam fechados durante a pandemia, sem previsão de reabertura, e 11% faliram no mesmo período.
Setor sofre com isolamento social
“Nosso setor de serviços está, majoritariamente, baseado em relações presenciais e físicas”, explica Joana Belo, sócia diretora da Radar Pesquisas e coordenadora do estudo. “Nosso objetivo era investigar como os salões de beleza estavam seguindo durante o período de isolamento social obrigatório, já que representam uma enorme fatia da economia. A resiliência e criatividade destes profissionais vão impactar fortemente na recuperação do país.”
Os dados foram recolhidos a partir das respostas de cabeleireiros da capital paulista e da região metropolitana, por meio da rede de contatos da Beauty Fair, em julho de 2020. A pesquisa foi feita por meio de entrevista digital e respondida pela base de visitantes da feira de beleza. Dos respondentes, 39% são donos, sócios ou funcionários de salões de beleza de pequeno porte, com 1 ou 2 cadeiras; 24% possuem 3 ou 4 cadeiras; 15% têm entre 5 e 10 cadeiras; e 7% possuem mais que 10.
“Este levantamento traz resultados importantes sobre os impactos da pandemia para os cabeleireiros. Com a suspensão das atividades por mais de três meses, vimos que muitos negócios infelizmente não resistiram a esta crise e que milhares de profissionais precisaram se reinventar com urgência. Esta é a hora de nos unirmos e nos apoiarmos no caminho da recuperação”, diz Cesar Tsukuda, diretor-geral da Beauty Fair.
Recessão
No estado de São Paulo, a quarentena foi decretada em 22 de março. A partir desta data, era permitida a abertura apenas de estabelecimentos que ofereciam serviços essenciais, como supermercados e farmácias. Com os salões de beleza fechados, ⅓ dos profissionais desta área perdeu sua renda e 11% foram demitidos dos salões onde trabalhavam. 54% da categoria trabalham sob regime de pessoa jurídica, então é possível que estes profissionais tenham sido desligados sem receber qualquer tipo de fundo de garantia.
Além disso, o fechamento dos estabelecimentos obrigou os profissionais a procurar formas alternativas de ganhar de dinheiro. Em julho, 34% deles já haviam atendido por domicílio; 13% venderam produtos profissionais; 8% ofereceram vouchers (para serem utilizados após a reabertura); e 7% venderam kits de coloração capilar. “Salões de beleza são motores do setor de serviços, que por sua vez representa a maior força do nosso PIB. Por isso é tão significativo constatar quantos deles tiveram perda de renda e como encontraram novas formas para tentar contornar os desafios do isolamento”, diz Joana Belo.
Retomada do trabalho
O plano de reabertura gradual da economia estadual foi decretado em 27 de maio, e passou a vigorar em 1º de junho. No início de julho, bares, restaurantes e salões de beleza reabriram ao público da Grande São Paulo, mas com restrições de horário. A retomada das atividades veio cheia de expectativas para donos e funcionários de salões de beleza: 82% deles queria muito voltar logo ao trabalho e 47% sentiam-se seguros para o retorno, contanto que fossem tomadas as devidas medidas de segurança.
“Na terceira semana do mês, 55% dos profissionais do setor de beleza já haviam retornado ao trabalho nos salões, enquanto 31% atendiam em casa. Outros 14%, no entanto, não estavam trabalhando” diz Joana Belo. “Chama atenção também a mudança no volume de clientes, que atualmente é apenas ⅓ da clientela pré-pandemia.”
Adesão online
Joana Belo destaca que “assim como em outras áreas do setor de serviços, diversos processos da logística dos salões de beleza, que antes eram realizados presencialmente, passaram a ocupar o ambiente virtual” . 13% da categoria compraram produtos profissionais online pela primeira vez e 92% interagiram virtualmente (via Instagram, lives, cursos etc) com uma marca de produtos desse tipo durante a pandemia, enquanto 25% do montante interagiram com 5 marcas ou mais.
“No entanto, apesar de estarem conectados, os profissionais da beleza ainda não consomem pela internet de forma unânime. Isso porque ⅓ deles nunca comprou nenhum tipo de produto pela internet”, completa a sócia-diretora da Radar Pesquisas.








