Com Selic a 2%, distância da taxa média de crédito imobiliário sobe para mais de 5 pontos percentuais

A queda da taxa básica de juros (Selic) de 2,25% para 2% ao ano, anunciada nesta quarta-feira (05/08) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, provoca efeito imediato na concorrência entre os bancos e aumenta a pressão por redução das suas taxas de crédito imobiliário.
Segundo cálculos da Melhortaxa – maior plataforma digital de crédito imobiliário do país –, o menor patamar histórico da Selic ampliou de 4,92 para 5,16 pontos percentuais o indicador Delta Melhortaxa, que mede a diferença da Selic em relação à taxa média de crédito imobiliário efetivamente praticada pelos grandes bancos, que hoje está em 7,16%.
Ainda há boa margem para a queda
Rafael Sasso, cofundador da Melhortaxa, explica que essa diferença nunca foi tão alta nos últimos anos e ainda vê espaço para mais quedas nos juros do financiamento imobiliário, sobretudo com a retomada da economia pós-pandemia.
“Com a nova Selic em 2% ao ano e a média da taxa de juros efetivamente praticada pelos bancos em 7,16%, essa diferença calculada pelo indicador Delta Melhortaxa subiu de 4,92 para 5,16 pontos percentuais. Esses números são com base nos milhares de contratos assinados mensalmente por intermédio da nossa plataforma, ou seja, refletem a realidade do que se pratica atualmente e não os valores de tabela do marketing dos bancos”, diz Sasso.
“O Delta Melhortaxa estava em 2,56 pontos percentuais em novembro de 2019, quando a média da plataforma estava em 7,56% e a Selic marcava 5%. Já existia a pressão para os bancos reduzirem suas taxas de financiamento imobiliário, mas a pandemia de Covid-19 acabou atrasando esse movimento mais forte”, complementa.
Ajustes devem acontecer
Os ajustes devem acontecer em breve em algumas instituições, prevê Sasso: “Nas últimas semanas, taxas mais baixas que eram exceção já viraram o normal e estamos acompanhando, pelos contratos fechados em nossa plataforma, um reajuste calado. Acredito que nos próximos meses, com a retomada da economia pós-pandemia, haverá maior probabilidade de um repasse mais forte para as taxas de crédito imobiliário”.
O outro lado da questão é a aproximação do mercado de capitais do crédito imobiliário. Com a redução da Selic, aumenta o interesse de mais investidores buscando esses ativos e isso deve pressionar ainda mais os bancos. “É inevitável e os bancos sabem disso. Mais fintechs e fundos vão entrar nesse mercado”, diz Sasso.
Momento é propício para compra de imóvel
O cofundador da Melhortaxa destaca que, de toda forma, as taxas atuais já são as mais baixas vistas no mercado imobiliário, o que favoreceu um aumento da capacidade de compra dos tomadores sem precedente, mesmo nesse ambiente de incerteza. Portanto, esse é o melhor momento para a compra financiada da casa própria.
Para quem ainda está inseguro, querendo aguardar uma maior queda das taxas por parte dos bancos, Rafael Sasso, alerta: “Não aconselho as pessoas a aguardarem os bancos repassarem as taxas menores para adquirir o imóvel, pois a capacidade de compra está aumentando e os preços devem começar a reagir. Com isso, o que seria uma economia pode acabar virando prejuízo. A portabilidade existe justamente para isso, garantir uma segurança para o cliente efetuar o negócio agora e, no futuro, se existirem reduções, ser possível optar pela troca da instituição financeira detentora do contrato para outra com melhores condições”.








