Demanda por crédito em julho supera em 12% o total de janeiro

A demanda por crédito no mês de julho atingiu crescimento de 18% em relação a junho e já se encontra 12% acima de janeiro. É o que revela o Índice Neurotech de Demanda por Crédito (INDC), que mensura o número de solicitações de financiamentos mensais nos segmentos de varejo, bancos e serviços. O incremento nos últimos três meses fez as perdas do ano se reverterem em um crescimento de 19% no segmento bancos e financeiras, já o setor de varejo e serviços ainda se encontram abaixo do volume demandado de janeiro com gaps de -16% e – 3%, respectivamente.
“A demanda por crédito tem se acelerado rapidamente. Usamos janeiro como base normal, já que a amostra de fevereiro é distorcida pelo carnaval e março já foi afetado parcialmente pela Covid-19. Analisando os primeiros meses do ano, é possível perceber que a maior perda foi em abril, com o retorno da demanda a partir de maio e recuperação total em julho alimentada pelos bancos e financeiras, cuja alta foi de 19% no ano”, analisa o diretor de Produtos e Sucesso do Cliente da Neurotech, Breno Costa.
Maior crescimento em serviços
No período entre junho e julho, a demanda geral por crédito aumentou 18%. O setor de serviços foi a que mais cresceu (35%), seguida por varejo (24%) e bancos e financeiras (16%).
Abrindo a composição do varejo, é possível identificar comportamentos bem diferentes entre os diversos segmentos. O forte incremento das lojas de departamento nos meses de junho e julho é o que mais chama a atenção. Em junho na comparação com maio, o aumento foi de 13.466% e em julho com relação a junho ficou em 57%. Apesar disso, ainda há um gap negativo da demanda em relação a janeiro de 19%.
Lojas de departamentos
“As lojas de departamento sofreram bastante, pois seu maior volume de concessões de crédito acontecia dentro dos próprios estabelecimentos. Com as lojas físicas fechadas, isso deixou de ser possível. A recuperação está relacionada tanto à reabertura do comércio quanto à adaptação de muitas redes para conceder o crédito online”, explica Costa.
Os eletroeletrônicos praticamente ficam sem gap (-2%), apenas comparando julho com janeiro. Neste segmento, além da queda não ter sido tão forte, a maior parte da recuperação ocorreu em maio e continuou com menos força em junho e julho. Os supermercados, que foram os que menos sentiram a crise em março/abril também passaram a se recuperar entre maio e julho, porém ainda exibem um gap negativo na comparação com o início do ano (- 37% comparando julho com janeiro).
Vestuário e moveleiro em recuperação
Já o vestuário, ainda exibindo um gap de – 27% em relação a janeiro, demonstrou forte crescimento em maio (107%), junho (157%) e julho (71%), na comparação com os meses respectivamente anteriores. O segmento moveleiro que até junho registrava um recuo acumulado de 20%, recuperou as perdas e, com a alta de 57% em julho, apresenta um crescimento no ano de 25%.
Para Costa, os números demonstram que a recuperação tem sido bem mais forte que o esperado. “Foram três meses de forte alta que deve se prolongar pelos próximos meses. Vimos em julho uma demanda mais forte que em janeiro, que é tradicionalmente um mês mais forte. Com a queda da taxa de juros e a manutenção da abertura do comércio, além da recuperação da economia, o apetite do consumidor deve se manter aquecido”, resume.








