Entidades lançam proposta de reforma tributária que pode gerar mais R$ 292 bilhões em arrecadação

Entidades lançam proposta de reforma tributária que pode gerar mais R$ 292 bilhões em arrecadação
Em busca de um sistema tributário mais justo, a Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco) apresentou em seminário online nesta quinta-feira, 06, oito propostas de leis para a reforma tributária brasileira. O estudo intitulado Tributar os Super-ricos para Reconstruir o País prevê acréscimo de R﹩ 292 bilhões na arrecadação pública e foi elaborado em parceria com a Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil), o Instituto Justiça Fiscal, o Coletivo AFD (Auditores Fiscais pela Democracia), acadêmicos e entidades do fisco federal.

Pela proposta apresentada, 99,7% da população não teria aumento de impostos. Os trabalhadores que recebem até três salários mínimos mensais ficarão isentos da declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF). A medida pode beneficiar mais de 10,1 milhões de trabalhadores, o que corresponde a 34,1% dos contribuintes.

Ações efetivas

O presidente da Fenafisco, Charles Alcântara, criticou a reforma apresentada pelo Governo Federal e sugeriu ações efetivas que promovam a redução da desigualdade social. “Não podemos concordar que a agenda da reforma tributária se resuma a mera simplificação do consumo, perpetuando essa regressividade de imposto, que é insustentável do ponto de vista econômico e inaceitável do ponto de vista ético”.

Outro ponto sugerido no documento é a criação de novas alíquotas para o IRPF dos mais ricos – 30%, 35%, 40% e 45%. As alíquotas incidiriam de forma gradativa nos indivíduos que recebem acima de R﹩ 23.850. Cerca de 1,1 milhão passaria a contribuir com os novos percentuais. A estimativa de arrecadação com o tratamento isonômico na tributação das rendas e da maior progressividade do IRPF é de R﹩ 158 bilhões por ano.

Super ricos

Para Maria Regina Paiva, do Instituto de Justiça Fiscal, a crise atual não pode recair nas costas dos mais pobres. “Com a crise, temos a conta da saúde, da educação, da Covid-19, dos empregos. Nós temos essa conta agora, e temos que apresentá-las para os super-ricos, que são 0,3% da população”.

César Roxo, vice-presidente de Estudos e Assuntos Tributários da Anfip, destacou que mais de 40 profissionais se dedicaram no desenvolvimento da proposta. “Hoje a Reforma Tributária Solidária é reconhecida nacionalmente e foi base para a Emenda Global Substitutiva 178/2019 à PEC 45/19”, afirmou.

Grandes fortunas

A criação do Imposto sobre Grandes Fortunas, previsto na Constituição Federal, incidiria sobre 59 mil pessoas e pode gerar R﹩ 40 bilhões anuais. O aumento da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de setores econômicos com alta rentabilidade geraria mais R﹩ 40 bilhões. Outros R﹩ 14 bilhões teriam como origem a mudança das regras do Imposto sobre Doações e Heranças (ITCMD). O fim da dedução dos juros sobre o capital próprio geraria R﹩ 5 bilhões em receita.

“O Brasil é uma espécie de paraíso fiscal para os super-ricos. O debate sobre tributação tem sido muito intenso na mídia e no Congresso, mas tudo passa como se a justiça fiscal não fosse prioridade”, afirmou o economista Paulo Nogueira ao comentar a proposta.

Equilíbrio

As empresas participantes do Simples Nacional com rendimento bruto de até R﹩ 380 mil seriam isentas do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e do CSLL. A redução das alíquotas seria de até 60%. As medidas equilibrariam a repartição de tributos, com R﹩ 86,2 bilhões para Estados e R﹩ 56,3 bilhões para Municípios.

“Esse momento agora exige medidas urgentes. A premissa básica desse projeto emergencial é o fortalecimento do Estado para que ele faça frente a essa demanda crescente de políticas públicas”, afirma Dão Real, do Instituto de Justiça Fiscal.

Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil, destaca que o peso dos impostos recai sobre os mais pobres. “Quem está sofrendo com muitos impostos? Quem paga essa conta é a população mais pobre e a classe média. Eles que pagam por termos um sistema tão distorcido e voltado para beneficiar apenas alguns setores da sociedade”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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