Mais de 42% das famílias brasileiras não têm acesso ao financiamento imobiliário sem subsídio

Mais de 42% das famílias brasileiras não têm acesso ao financiamento imobiliário sem subsídio

O governou lançou nesta terça-feira (25) o programa de habitação Casa Verde e Amarela, substituto do programa Minha Casa, Minha Vida. Com divisão do público alvo em três grupos, o programa oferece financiamento de imóveis, ações voltadas à regularização fundiária, reforma e retomada de obras. 

Mas mesmo que os dados recentes do mercado imobiliário pareçam animadores e o setor da construção civil se mostre otimista com o novo programa habitacional, ainda há um longo caminho a ser percorrido se considerarmos o percentual de famílias brasileiras que não têm acesso ao financiamento imobiliário sem subsídio.

Segundo a última Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE (POF – 2017-2018), 42,5% das famílias brasileiras ganham até R$ 2.862,00, não sendo elegíveis a nenhuma forma de financiamento que não seja subsidiada pelo governo.

Salário(s) Mínimo(s) % da população
Até 2  (R$ 1.908)23,9
Mais de 2 a 3 (R$ 1.908 a R$ 2.862)18,6
Mais de 3 a 6 (R$ 2.862 a R$ 5.724)30,5
Mais de 6 a 10 (R$ 5.724 a R$ 9.540)14
Mais de 10 a 15 (R$ 9.540 a R$ 14.310)6,4
Mais de 15 a 25 (R$ 14.310 a R$ 23.850)3,9
Mais de 25 (R$ 23.850)2,7
Fonte: Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE -SM de R$ 954,00

E mesmo com as constantes reduções nas taxas de juros do financiamento imobiliário, o acesso ao crédito para compra da casa própria está longe do ideal.

De acordo com a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) uma queda de 1% nos juros do financiamento pode tornar elegível até 800 mil famílias ao financiamento imobiliário de imóveis nos chamados médio e alto padrão.  Se considerarmos as habitações populares, o número de famílias pode aumentar para até 2 milhões. Sendo assim, não podemos negar que os juros atuais, em patamares entre 5% e 8%, são certamente muito benéficos.

A advogada Daniele Akamine, da Akamines Advogados e Negócios Imobiliários e especialista em Economia da Construção Civil explica que as famílias com renda de até seis salários mínimos, que representam 73% da população brasileira, foram as responsáveis em 2020 pela maior parte das contratações de financiamento no Programa Minha Casa Minha Vida  (MCMV), com taxas que variam de 5,2% a 6,6%, mas sem potencial de migrar para um financiamento no Sistema Financeiro da Habitação (SFH).

“Os clientes com renda superior a seis salários mínimos, ou seja 27% das famílias brasileiras, foram os que mais se beneficiaram com as reduções nas taxas de juros, pois uma pessoa pode conseguir, com as taxas atuais, até 37% a mais de crédito em comparação quando os juros estavam em torno de 11% ao ano”, afirma.

Renda Prestação Máximo financiamento a taxa 6,99% a.aMáximo financiamento a taxa 10,88% a.a
R$ 5.724,00R$ 2.002,99R$ 226.500,00R$ 165.000,00
R$ 9.540,00 R$ 3.272,98R$ 373.600,00R$ 274.500,00
R$ 14.310,00R$ 5.008,18R$ 572.500,00R$ 427.000,00
R$ 23.850,00R$ 8.346,14R$ 956.000,00R$ 720.000,00
Fonte: Akamines Advogados e Negócios Imobiliários

Mesmo com o crescimento do volume de crédito e vendas anunciados recentemente, a redução das taxas a patamares abaixo das atuais é muito difícil, pois os bancos estão operando no limite do spread bancário (diferença entre os juros que o banco paga para emprestar o dinheiro e os juros que ele cobra do cliente).

“Sendo assim, as famílias de baixa renda continuam dependentes de subsídios para conquistar o sonho da casa própria e políticas públicas habitacionais continuam sendo fundamentais para redução do déficit habitacional, justamente por esse déficit estar concentrado na população menos favorecida”, finaliza a advogada.



Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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