Reajuste elevado dos planos de saúde pode provocar cancelamento em massa

Reajuste elevado dos planos de saúde pode provocar cancelamento em massa

Entre as diversas áreas afetadas pela crise do novo coronavírus (covid-19), o setor de saúde tornou-se o grande protagonista do cenário incerto e pandêmico no qual vivemos. Nos últimos 5 anos, os planos de saúde perderam mais de 3,4 milhões de clientes em consequência ao cenário econômico nacional. Diante da crise, a Agência Nacional de Saúde (ANS) divulgou que só entre os primeiros meses de 2020 os planos perderam 283,6 mil usuários em todo o Brasil.

Apesar de algumas empresas do setor negociadas em bolsa apresentarem certa recuperação, como a consultoria e corretora de seguros de saúde Qualicorp, que obteve um lucro líquido de R$ 126,7 milhões no segundo trimestre e uma alta de 21,5% no comparativo anual, ainda  é incerto o futuro dessas organizações, já que muitas delas dependem essencialmente da qualidade do fluxo de caixa de outras empresas e da renda familiar. Colocando em foco a quantidade de pessoas que irá ficar desempregada, um aumento no número de clientes torna-se indeterminado.

Reajustes absurdos

Para Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Investimento, apesar da crise, os aumentos nos preços dos planos de saúde foram absurdos. “No meu caso, por exemplo, recebi um aumento de quase 20%. Se você tiver um aumento destes a cada ano, em quatro, o plano foi praticamente dobrado. Isso é uma trajetória insustentável para muita gente no nosso país”, alerta.

O economista diz que “o interessante é que quando falamos no quesito governamental, fica fácil afirmar que a trajetória do endividamento público é insustentável em longo prazo se a taxa de juros de financiamento for maior que a taxa de crescimento e de déficit público. Desta forma, se esse governo adotar uma trajetória explosiva do endividamento, ele quebra. Essa questão todo mundo entende. No entanto, na hora de falar sobre planos de saúde, todo mundo acha que é um bom sinal o aumenta de preço”.

Preço incompatível

Além disso, o Economista-Chefe explica que a trajetória do preço é incompatível com a renda de muitos. “A medida que as pessoas envelhecem, a renda delas começa a diminuir, então o cliente de um plano de saúde é necessariamente aquele que tem uma vida curta ou limitada. Desta forma, vai chegar uma hora que com a alta dos custos, a pessoa não conseguirá aumentar o pagamento que tem e vai cancelar seu plano. Aqui no Brasil, as empresas possuem o pensamento de que mais gente vai entrar do que sair, por isso vão cobrando em cima disso”.

Durante um período, pode até dar certo, explica Silveira, mas “se colocarmos isso em seus modelos de valuation, a trajetória é incompatível com o crescimento da firma, então isso não funciona, não fecha. Acreditar que alguém consegue pagar um aumento de quase 20% ao ano é loucura, nem político corrupto conseguiria arcar. Portanto, é um setor bem complicado e difícil de entender. Nos moldes que temos hoje no Brasil, não sei como eles planejam continuar crescendo dentro de uma economia que não consegue pagar um aumento de taxa tão elevado”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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