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Planejar processo de sucessão é fundamental para continuidade do sucesso das empresas do agronegócio

Sucessão não é, necessariamente, herança. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Sebrae, 90% das empresas brasileiras são familiares e 70% não resistem à segunda geração. Para falar sobre a importância do processo sucessório nas empresas e, especificamente, no agronegócio, Virginia Lyra, vice-presidente da Delta Sucroenergia e do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado de Minas Gerais; Walter Horita, proprietário do Grupo Horita; Thiago Salgado, fundador do Família S.A.; e Marcelo Lopes, diretor de Vendas da John Deere no Brasil, se reuniram em um bate-papo virtual na 5ª edição do Conexão John Deere

“Hoje, sete em cada 10 empresas não conseguem fazer o processo sucessório. Não existe receita pronta, cada família tem sua história e seu jeito de fazer as coisas, mas existem caminhos que encurtam a jornada. Posso citar três grandes pilares que toda empresa familiar deve olhar no momento de transição: governança, estratégia e gestão”, comentou Thiago Salgado, fundador do Família S.A.
 
Segundo ele, quanto mais cedo o movimento for iniciado, maiores são as chances de evitar riscos como conflitos, dilapidação do patrimônio e prejuízos à empresa”.

Parceria entre as gerações

O momento de sucessão é sempre uma etapa delicada e, para que seja bem sucedido, deve haver parceria entre as gerações. Além dos desafios de gestão, para os quais o sucessor deve estar capacitado, há também a questão sentimental, já que o centro de tudo é a família.
 
“No início, tive aquele sentimento de ‘Será que serei melhor que o meu pai? Será que vou atingir as expectativas?’, e sentia que precisava mostrar que não era apenas a filha do dono, mas que entendia dos negócios. O que me ajuda é ter meu pai como a pessoa que mais me cobra. Ele sempre me tratou como apenas mais uma executiva. Mas o maior segredo é buscar aprender com quem sabe. Sempre acompanho meu pai de perto, porque sei que ele tem muito conhecimento para transmitir”, relata Virginia Lyra, que faz parte da 3ª geração da Delta Sucroenergia.

Quando falamos de um dos principais setores da economia brasileira, que é o agronegócio, saber lidar com essa fase de transição é ainda mais importante.

Setor cresce rapidamente

“As grandes empresas agrícolas são familiares. Um dos maiores desafios que enfrentamos é que o setor cresceu muito rapidamente e a questão de governança acabou ficando um pouco para trás. Os produtores precisam encarar a formalização da sucessão de forma mais profissional, sob o risco de não conseguirem passar o bastão e caírem na estatística dos 70% que não chegam à segunda geração”, sinalizou Walter Horita, proprietário do Grupo Horita que já está inserindo os filhos no processo de continuidade dos negócios da família.

Para que ocorra o processo sucessório, entretanto, também é necessário que haja interesse dos herdeiros em assumir a empresa e, apesar da tendência histórica do êxodo de jovens do campo para a cidade, a agricultura 4.0 está transformando a liderança do agronegócio brasileiro. Com o aumento do uso de tecnologias, tanto em equipamentos quanto em serviços, o meio rural passou a ser um local interessante para o desenvolvimento profissional e tem incentivado as novas gerações.

Procura pela capacitação

“A evolução tecnológica da agricultura deixou o setor mais atrativo para os jovens. As questões de conectividade no campo e agricultura de precisão requerem habilidades que nem sempre encontramos na mesma geração e, desta forma, conseguimos trazer o jovem de volta para o campo. Essa nova geração agora busca grandes centros para se capacitar e volta preparada para o futuro. Antigamente estudavam para sair e hoje estudam para continuar”, pontuou o diretor de Vendas da John Deere no Brasil, Marcelo Lopes.

É essencial saber que o processo de sucessão é uma jornada e quanto antes for iniciado poderá ser conduzido de forma mais tranquila. “Líderes inteligentes preparam a continuidade do seu negócio. É preciso entender que emoções fazem parte das empresas familiares, não tem como separar, diz Thiago Salgado.
 
Por isso, de acordo com o fundador do Família S.A, é importante ter alguém de fora que possa auxiliar durante esse processo. A presença de um conselheiro, um mentor, é um caminho muito importante. “Combine as regras de forma clara, com equidade e transparência e não espere os problemas aparecerem para iniciar um diálogo. É um processo cansativo, mas não existe outro caminho para o sucesso que não seja esse”, finaliza.
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Mirian Gasparin
Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 44 anos na área de jornalismo, sendo 42 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 11 anos de blog, mais de 20 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 18 prêmios, com destaque para Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.
https://www.miriangasparin.com.br

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