Apesar das incertezas, quase 70% dos industriais estão otimistas para 2021

Apesar das incertezas, quase 70% dos industriais estão otimistas para 2021

Apesar do cenário atípico e das incertezas geradas pela pandemia ao longo deste ano, os empresários do setor industrial do Paraná estão otimistas com os negócios para 2021. Esta é a conclusão da vigésima quinta Sondagem Industrial, realizada pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) com representantes de empresas de diferentes portes em todas as regiões do estado.  

Só para se ter uma ideia, 68% dos industriais do Estado acreditam que 2021 será um ano de retomada para o setor. E este otimismo é justificado pela expectativa de aumento das vendas de seus produtos, que foi sinalizada por mais de 70% dos empresários. Os industriais que estão otimistas também apostam na abertura de novos mercados, novos investimentos e na incorporação de novos modelos de negócios. Já mais de 30% acreditam no controle da pandemia do coronavírus no país. Apenas 4,5% dos industriais do Estado estão pessimistas. O comportamento negativo foi atribuído ao aumento dos custos de matéria-prima, redução nas vendas e a restrição de novos investimentos.

 Eu participei na manhã desta quarta-feira (16) de entrevista coletiva online, promovida pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), ocasião em que foram apresentados os indicadores da indústria paranaense em 2020 e as perspectivas para 2021. Eu perguntei ao presidente da Fiep, o empresário Carlos Valter Martins Pedro, se o segmento deve fechar com saldo positivo, este ano, considerando o resultado dos últimos meses, e ele me disse que os empregos perdidos no início da pandemia já foram recuperados e o otimismo dos empresários mostrado nesta pesquisa, que representa mais de 50 mil estabelecimentos industriais de 37 segmentos, é uma prova de confiança de que o mercado está reagindo.

O presidente da Fiep lembrou que mesmo com uma visão positiva sobre o futuro da economia, não se pode perder de vista a implementação de ações concretas para a retomada em 2021, assim como para a melhoria do ambiente de negócios no país, no longo prazo, por meio de medidas como as reformas fiscal, tributária e administrativa.

Resultado ficou abaixo de 2019

O resultado da Sondagem ficou abaixo do registrado no ano passado, quando 79% dos empresários estavam animados com 2020. Para o presidente da Fiep, o nível de otimismo menor este ano se justifica em decorrência do momento de grandes incertezas pela qual as economias brasileira e mundial estão passando.

”O dado sinaliza uma preocupação, mas também que o empresário acredita que a economia e, principalmente sua atividade, estão em uma trajetória de recuperação”, destaca. “Mas é importante lembrar que mesmo com uma visão positiva sobre o futuro da economia, o industrial entende que não se pode perder de vista a implementação de ações concretas para a retomada em 2021, assim como para a melhoria do ambiente de negócios no país, no longo prazo, por meio de medidas como as reformas fiscal, tributária e administrativa”, completa.

Reflexo do otimismo e um dos pontos fundamentais da pesquisa é a intenção de investimentos. “A retomada dos investimentos é um forte sinal de recuperação. Seja em ampliação de estrutura, aquisição de maquinário, aumento de postos de trabalho ou em inovação é um ponto importante para manter a competitividade”, avalia o economista da Fiep, Marcelo Alves.

Quando questionados diretamente sobre essa intenção, 69% dos gestores confirmaram a disposição de investir em inovação e melhoria de processos, produtos ou serviços, ampliação de capacidade produtiva, redução de custos e melhoria da qualidade. “Essas prioridades indicam estratégias de reposicionamento de mercado, aumento da capacidade produtiva e manutenção ou ampliação da competitividade”, diz o economista.

Já para Evânio Felippe, economista que também participou do estudo, é importante analisar a origem dos investimentos. Cerca de 60% das empresas que investirão em suas atividades produtivas informaram que vão lançar mão de recursos próprios para financiar suas iniciativas. “A série histórica da Sondagem Industrial mostra que esse comportamento vem se mantendo ano após ano. Isso se explica, em linhas gerais, pela dificuldade de acesso, a burocracia e o alto custo do crédito no Brasil, além dos riscos de endividamento”, analisa. Segundo ele, na comparação com anos anteriores, caíram as intenções de empréstimos junto aos bancos. Em contrapartida, as cooperativas de crédito e fintechs vêm se tornando cada vez mais atrativas para financiamento de investimentos.

Comércio exterior

Na visão da maioria dos industriais o momento não é propício para investir no mercado externo. Entre os respondentes, apenas 32% afirmaram ter a intenção de exportar em 2021. A principal razão seria um posicionamento com foco no mercado interno. Para os que estão de olho nas oportunidades fora do Brasil, a cotação favorável do dólar e a possibilidade de ampliação de mercado são bons motivadores. “A atividade de comércio exterior é uma boa oportunidade e deve sempre estar no radar dos empreendedores. Mas ela demanda competitividade, conhecimento do mercado-alvo e estratégia clara por parte das empresas”, recomenda Felippe.

Uma preocupação aparente na pesquisa refere-se às importações. Quase 60% dos entrevistados não têm intenção de fazer compras no exterior principalmente em função do câmbio desfavorável. A alternativa é investir em fornecedores nacionais. Entre os que pretendem comprar fora, a intenção é adquirir insumos e matérias-primas, máquinas e equipamentos e serviços de tecnologia.

Ambiente de negócios

Os empresários também sinalizaram quais serão as prioridades de gestão em 2021. Mais de 40% pretendem desenvolver novos negócios e incorporar produtos ao portfólio. Em segundo lugar, variando entre 27% e 31%, estão estratégias de reposicionamento no mercado, valorização da marca, satisfação do cliente, PD&I e incorporação de novos canais de comercialização. “Este pode ser um reflexo dos desafios e oportunidades geradas pela pandemia. Também podem sinalizar a intenção dos executivos de uma preparação para se manterem fortes ou até explorarem novos mercados”, comenta Alves.

Para os empresários, as reformas tributária, fiscal e administrativa, desburocratização, combate à corrupção, acesso ao crédito e uma política governamental eficiente para enfrentamento da crise causada pela pandemia da Covid-19 no Brasil são os sete temas de maior relevância a serem tratados em 2021. “Os cinco primeiros fazem parte da agenda de itens fundamentais para o aumento da competitividade e melhoria do ambiente de negócios. Os demais são cruciais para a manutenção e desenvolvimento do setor produtivo”, acredita Felippe.

Resultados de 2020

Para 59% dos industriais, as empresas tiveram um desempenho bom ou muito bom em 2020. O crescimento das vendas e a abertura de novos mercados foi a justificativa. Apenas 15% dos participantes assinalaram que o ano foi ruim ou muito ruim. O que mais impactou nesse resultado foi a redução das vendas decorrente da crise econômica gerada pela pandemia, o aumento dos custos e a escassez de matéria prima.

A pesquisa também mostrou quais foram as principais medidas que as indústrias paranaenses adotaram para enfrentar a crise. Suspensões de viagens e de reuniões profissionais, dilação de pagamentos (de impostos, fornecedores e salários, entre outras obrigações) e adiamento de investimentos foram as principais ações apontadas. Nesse último item, 35,6% das empresas afirmaram ter realizado 0% do investimento previsto para o ano, enquanto 27,9% realizaram apenas de 1% a 25% do investimento planejado.

Crédito da foto: Gelson Bampi

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *