Quase 40% das indústrias estão com dificuldades para comprar matéria-prima

Quase 40% das indústrias estão com dificuldades para comprar matéria-prima
Pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) apontou que 39% das empresas brasileiras estão com dificuldades de encontrar matérias-primas. Para 72,6% das consultadas, o principal motivo para o problema é a escassez do produto no mercado interno. O estudo, feito a partir de perguntas especiais das Sondagens do FGV IBRE, mostrou ainda que na indústria, setor mais afetado, 30,3% citam a escassez de embalagens.

A falta de matéria-prima no mercado interno foi provocada por uma soma de fatores que afetou toda a cadeia produtiva: aumentos dos preços internacionais de matérias-primas; desvalorização cambial e aumento do volume de exportações. Além disso, durante o período mais crítico das medidas restritivas associadas à pandemia de Covid-19, em março e abril, muitas indústrias fecharam ou reduziram sua produção por projetarem menor consumo interno à frente, afetando seu poder de reação no momento da retomada.

Entre as categorias de uso com maior dificuldade estão as de consumo de duráveis e não duráveis, como os segmentos de têxtil, vestuário, produtos de plástico, petróleo e biocombustíveis, produtos de metal e veículos automotores. Alguns segmentos quase não foram afetados, como o farmacêutico e o de alimentos.

Comércio e construção também foram prejudicados pela falta de matéria-prima. Com mais tempo em casa, o brasileiro mudou seu comportamento de consumo ao trocar bares, restaurantes, cinemas e outros serviços, que ficaram fechados, por reformas em casa e o consumo de bens para o lar. Os segmentos de material de construção e veículos foram os que mais sofreram, incluindo motos e peças.

Favorecida pela injeção de recursos dos programas emergenciais e pela captura de parte dos gastos anteriormente destinados a algumas das atividades do setor de Serviços, a Indústria de Transformação registrou um crescimento acelerado nos últimos meses, levando a gargalos no fornecimento de insumos e à pressão nos preços, que foi intensificada pela forte desvalorização cambial no período. Daqui para a frente, o prolongamento das dificuldades em setores estratégicos da economia diante do surgimento de uma segunda onda da pandemia contribui para que empresas e consumidores busquem reduzir sua exposição ao risco. No caso das empresas, mediante a redução de investimentos e contratações. Do lado das famílias, reduzindo consumo de bens não essenciais e serviços que tragam um risco maior de contaminação.

Embalagens em falta

Cerca de 30,3% da indústria brasileira aponta dificuldade em obter embalagens – esse percentual chega a 62,5% no segmento farmacêutico e 51,9% no de alimentos. Aço (17,5%) e plástico (11,4%) são outros insumos em falta: 38% do segmento de produtos de plástico sofrem com a carência de matéria-prima. Este ano, devido à pandemia, o Brasil registou 49% de aumento da demanda por embalagens.

Principais insumos ou matérias-primas que apresentam dificuldade para aquisição (por setor, em %)
 
 

Falta de insumos afeta preços

O efeito colateral do aumento da demanda somado à oferta menor de embalagens é o avanço dos preços ao produtor nos 12 meses terminados em novembro. Segundo o índice de Preços ao Produtor da FGV (IPA), latas de alumínio (23,4%), sacos plásticos para embalagem (27,3%) e embalagens de plástico para alimentos (33,3%), são alguns exemplos. As bobinas e chapas de aço, com alta de 48,9%, também figuram entre os insumos mais citados pela indústria.
 
Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC FGV) está registrando forte aumento nos preços de tubos de PVC (41,3%), tubos de ferro (35,9%), vergalhões de aço (26,3%) e cimento (25,9%), o que atinge mais de 60% das empresas de obras e instalações.

A pesquisa foi realizada entre os dias 03 e 25 de novembro com 4142 empresas. 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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