Produção têxtil e varejo de roupas apresentam boa reação

Na comparação entre os primeiros cinco meses de 2021 e do ano passado, a produção têxtil avançou 36,3%, a do vestuário, 36,6% e o varejo de roupas teve expansão de 26,2%. No primeiro semestre, as importações cresceram 44,27% e as exportações, 20,41%, em relação a igual período de 2020. Nos últimos 12 meses, tendo como referência maio, a produção têxtil aumentou 15,6%, a do vestuário caiu 1,6% e o varejo de roupas sofreu recuo de 3,9%. Os dados foram anunciados por Fernando Valente Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

Pimentel explicou que as informações relativas ao acumulado de 12 meses são mais claras como indicadores do que a análise comparativa com 2020, quando os dados dos primeiros cinco meses estavam impactados pela eclosão da Covid-19, que derrubou o nível de atividade. Ele observou que a retomada do segmento têxtil está muito acima da verificada no vestuário, porque o primeiro fornece para outras setores de atividade, como o imobiliário, automotivo, saúde e cama, mesa e banho, sendo que algumas dessas áreas tiveram a demanda mantida ou menos afetada.

Nos últimos 12 meses, já contando com o período sazonal do final do ano, o setor apresentou saldo positivo de 74.657 postos formais de trabalho, sendo 45.331 referentes a este ano.

Exportações e Importações

No primeiro semestre deste ano, as importações do setor têxtil e de confecção cresceram 44,27% e as exportações, 20,41%, em relação a igual período de 2020. Nos últimos 12 meses, o aumento acumulado foi de 20,28%. As exportações aumentaram 20,41%, na comparação com os primeiros seis meses de 2020 e 10,09% nos últimos 12 meses.

A importação de Máquinas e Equipamentos teve expansão de 58,47% no semestre, ante o mesmo período do ano passado, passando de US$ 199,2 milhões para US$ 315,6 milhões. O desembolso do BNDES cresceu 252,4% no primeiro trimestre, na comparação com os primeiros três meses de 2020, evoluindo de R$ 42 milhões para R$ 148 milhões.

Inflação

Embora haja pressões sobre seus custos de produção, a indústria têxtil e de confecção segue atualizando os preços de seus produtos em níveis muito inferiores ao da inflação, enfatizou o presidente da Abit. De janeiro a maio deste ano, o IPCA Geral foi de 3,22% e o do vestuário, 2%. Nos últimos 12 meses, já considerando os 0,53% de junho, o IPCA acumulado foi de 8,35%, ante 3,27% do setor. O Índice de Preços ao Produtor (IPP) da indústria de transformação como um todo foi de 15,81% de janeiro a maio e de 32,52% nos últimos 12 meses. O têxtil registrou, respectivamente, 12,5% e 25,37% e o do vestuário, 8,29% e 11,11%.

A indústria têxtil e de confecção sempre foi uma âncora para a inflação. Se considerarmos o período de julho de 1994, quando teve início o Plano Real, a maio de 2021, o IPCA Geral é de 627%, ante apenas 345% do verificado na nossa atividade”, comparou Pimentel.

Expectativa dos empresários

Os números da evolução em 12 meses sugerem uma tendência de recuperação do setor, que também foi identificada na Pesquisa Conjuntural Abit/junho feita com empresários, na qual: 73% estimam produção acima do nível inicialmente esperado e 75% projetam aumento das vendas em patamar mais alto do que as previsões iniciais. Dado relevante é que apenas 2% dos entrevistados pretendem demitir trabalhadores.

Pimentel ressalvou que a expectativa de retomada precisa ser avaliada com cautela, considerando a persistência de alguns fatores preocupantes, com potencial de gerar impactos negativos na economia brasileira. O primeiro deles é a continuidade da pandemia, que segue exigindo adoção de cuidados sanitários. Há, ainda, o desemprego elevado, a massa salarial estagnada, inflação acima da meta e o cenário político instável do País, que poderá prejudicar a tramitação das reformas, como a tributária e a administrativa, importantes para impulsionar o crescimento do PIB.

Outro fator limitante é a crise hídrica, cujo mês mais preocupante deverá ser novembro e que já provocou aumento das contas de luz na faixa vermelha, impactando os custos. “As indústrias têxteis e de confecção analisam planos de contingência, caso seja necessário racionalizar ou reduzir o consumo de eletricidade, embora não estejamos trabalhando com a perspectiva de racionamento”, disse Pimentel, lembrando que 65% da energia consumida hoje pelo setor são de origem hidrelétrica. A Abit também está mantendo diálogo permanente com as autoridades do setor, avaliando as providências que possam ser adotadas.

Projeções para o fechamento do ano

Pimentel, revelou que o segmento têxtil tem receita estimada para sua produção este ano de R$ 57,5 bilhões e o de confecção, de R$ 146,6 bilhões, valores que representam crescimento, respectivamente, de 9,2% e 16,2%, em comparação com 2020. A soma de ambos resulta em receita total de R$ 204,1 bilhões. O setor deve continuar abrindo vagas até outubro/novembro, mas, após as demissões sazonais de dezembro, a estimativa é de que encerre 2021 com 35 mil novos postos de saldo, mantendo sua base de 1,5 milhão de trabalhadores diretos.

O segmento têxtil deverá produzir dois milhões de toneladas, 7,4% a mais do que no ano passado. A importação, com crescimento de 46,6%, está estimada em US$ 2,4 bilhões e a exportação, com aumento de 23,1%, em US$ 530,30 milhões, resultando em déficit de US$ 1,87 bilhão. No vestuário, a produção prevista é de 5,7 bilhões de peças, significando aumento de 13,56% em relação a 2020. A importação deverá ser de US$ 1 bilhão, significando valor 8,4% menor do que o de 2020. A exportação projetada é de U$S 130,2 milhões, o que representa aumento de 18,8%. O saldo comercial negativo deverá ser de US$ 869,80 milhões.

Considerando os números acima, o déficit comercial total do setor têxtil e de confecção deverá fechar o ano em US$ 1,87 bilhão.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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