40% da frota de caminhões do Brasil utilizam pneus importados

40% da frota de caminhões do Brasil utilizam pneus importados

Alguma discussão sobre adaptação do pneu importado às estradas brasileiras virou conversa do passado. Hoje a realidade é bem diferente, com marcas asiáticas ajustadas aos padrões técnicos do Inmetro e preço atrativo, estão cada vez mais presentes no transporte de cargas, inclusive sendo utilizadas por várias montadoras de caminhões.

A estimativa é de que o pneu importado equipe cerca de 40% da frota nacional de caminhões, sem que isto represente queda de receita da indústria pneumática nacional ou fechamento de fábricas.

Muito pelo contrário, com a demanda por transporte rodoviário em alta, as fabricantes de pneus no Brasil vêm batendo sucessivos recordes de produção e de vendas. Anúncios recentes de investimentos na ampliação da capacidade de produção e instalação de novas fábricas de pneumáticos no país revelam o equilíbrio desse mercado.

“O pneu importado acaba funcionando como um mecanismo regulador de preços, estimula a competitividade e o aumento de qualidade do pneu nacional. Ajuda a suprir a demanda que a indústria nacional sozinha não consegue atender”, explica o presidente da Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (Abidip), Ricardo Alípio.

“Marcas asiáticas que antigamente atraiam muitos consumidores pelo preço, também se tornaram sinônimo de qualidade. Rodam quilometragem equivalente aos concorrentes europeus, permitindo o mesmo número de recapes em condições semelhantes”, afirma Alípio.

O diretor comercial da indústria líder de mercado na China, a ZC Rubber (fabricante da marca West Lake), Paulo Vidal, explica que no início da abertura econômica do Brasil, na década de 90, não havia tanto controle como existe hoje e chegavam pneus importados que não eram adaptados às condições de estrada do Brasil.

“Hoje a indústria de pneus chinesa tem um produto tropicalizado, adaptado às condições de clima e de estradas, considerando sobrecarga, buracos, aclives e declives. Os pneus são testados e homologados e só entram no país se atingirem padrões de segurança e qualidade”.

Garantia de procedência

Todas as fabricantes de pneus para poderem comercializar no Brasil precisam ter ISO 9001, ISO TF, conforme explica Priscila Monteiro, diretora comercial de outra grande fabricante de pneus chinesa (Grupo Sailun e Oriente Triangle).

“O Portaria 544 do Inmetro estabelece os critérios para que o pneu possa ser importado. Um auditor do organismo certificador vai até o país de origem, faz um ensaio de segurança no laboratório de certificação de produtos da fábrica e, os testes de performance, são feitos em pistas. Questionar o pneu importado é questionar a própria credibilidade do Inmetro, o que não faz sentido”, afirma Priscila.

Para todos os bolsos

Fabricante de pneus sul-coreana, a Kumho exporta para todos os continentes e mantém centros de pesquisa e desenvolvimento de produtos na Coréia do Sul, China, Alemanha e Estados Unidos. De acordo com o gerente comercial da empresa, Eduardo Oliveira, o pneu importado que chega ao Brasil é o mesmo que tem autorização para entrada nos mercados mais exigente do mundo, como EUA e Europa.

“Hoje existem centenas de marcas de pneus importados sendo comercializadas no Brasil com diferentes direcionamentos de mercado. Algumas marcas com custo elevado quase equivalente ao pneu nacional e que têm uma tecnologia embarcada por vezes até maior, com durabilidade igual ou superior. Mas também existem marcas importados que têm um resultado menor, mas o preço também é bem menor. Então, mesmo nessa linha low cost, o CPK (Custo por Km) do importado pode continuar mais vantajoso do que o nacional”.

Na ponta

Dono da transportadora Go Express em Itaúna/MG, Daniel Queiroz, informa que só utiliza pneu importado nos 20 caminhões da empresa há cinco anos. “Eu trabalho com caçamba basculante que usa pneu 295. Se eu comprar o nacional vai durar em torno de 70 mil km e permitir dois recapes. Com a marca importada que eu uso, rodo a mesma quilometragem, porém me dá três recapes e pago em média 15% a menos. Então eu não tenho nada que reclamar do pneu importado, pelo contrário, me atende bem melhor do que o nacional”, explica Queiroz.

Recapes

Para Marcelo Zago, dono de uma empresa com 80 anos de tradição em recapagem de pneus localizada na BR-153, em Concórdia/SC, “pneu importado bom tem altura, largura e cintagem exatamente igual ao nacional, com vida útil muito parecida. Em média, tanto o nacional como o importado, permitem uma recapagem, as vezes duas, mas em algumas situações não conseguimos fazer nenhuma, até porque temos que dar garantia”, afirma Zago.

“O que determina o número de recapagens não é a origem do pneu, se nacional ou importado, e sim, a qualidade das estradas onde transita, buracos, uso adequado – manter calibrado e evitar sobrecarga – entre outros fatores”, completa.

A ZC Rubber, da China, informou que seu pneu tem 18 lonas contra 16 que em média são aplicadas ao pneu nacional, conferindo maior durabilidade ao importado. A Kumho informa que existem relatos de clientes rodando 150 mil até 180 mil km com os pneus da marca, sem recapar. O representante da Sailun, da China, disse que o pneu importado permite o mesmo número de recapes de que o nacional.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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