Incertezas macroeconômicas podem frear avanço do setor de infraestrutura brasileiro

Incertezas macroeconômicas podem frear avanço do setor de infraestrutura brasileiro
Duplicação de Pr 323. Paissandu,11/10/2019 Foto:Jaelson Lucas / AEN

O setor de infraestrutura no Brasil apresenta um cenário diversificado. Em 2020, o investimento total na infraestrutura de transporte do Brasil caiu por um ano consecutivo, prejudicado principalmente pela recessão econômica provocada pela pandemia e pelo esforço do governo para equilibrar as finanças públicas. No entanto, os investimentos no setor, especialmente do campo privado, deverão retomar o crescimento e aumentar aceleradamente no médio prazo, em linha com a agenda governamental de continuar a privatização dos ativos de infraestrutura.

A análise é da EMIS, do Grupo ISI Emerging Markets, que apresenta um panorama completo sobre o setor, mostrando os principais riscos para a expansão e o futuro dos modais de transporte no Brasil.

Qualidade de infraestrutura de transportes brasileira

De acordo com o último Ranking de Qualidade de Infraestrutura de Transportes, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa a 85ª posição no ranking geral de 140 países analisados. Para Adriano Morais, Research Economist para o Brasil na ISI Emerging Markets, o desempenho deixa a desejar. “Chama a atenção que no modal rodoviário, que representa 65% da carga transportada no país, o Brasil se encontra na pior posição entre todos os modais, ficando entre os 30 países com menor pontuação em qualidade rodoviária”, afirma.

Adriano acredita que uma das soluções para melhorar a quantidade e qualidade na infraestrutura brasileira seria o aumento de investimentos no setor, porém, também estão aquém do esperado. “Os investimentos vêm sendo reduzidos por uma série de razões: recessão econômica de 2015/2016, além de investigações de corrupção e a deterioração de finanças públicas no país”, explica.

Principais riscos

A análise também aponta alguns riscos que podem atrapalhar projetos e obras em execução no setor de infraestrutura, sendo os principais os impactos sociais e ambientais, riscos jurídicos, além da burocracia e incertezas econômicas do país.

Frederico Turolla, sócio da consultoria Pezco Economics e especialista em infraestrutura, acredita que para que os investimentos em infraestrutura e transportes decolem, é preciso mitigar uma incerteza macroeconômica. “Diversos projetos naufragaram por conta de problemas macroeconômicos. A volatilidade da economia no futuro é um elemento fundamental para o crescimento do setor e as eleições do próximo ano serão decisivas nesse sentido”, acredita.

Futuro dos modais de transportes no Brasil

Por fim, o evento também debateu o futuro do setor de infraestrutura no país, principalmente os setores ferroviário, aéreo e de transporte público:

Setor ferroviário

Turolla explica que este setor ferroviário está diretamente ligado à competitividade do país, uma vez que muito do que é exportado no Brasil são commodities que exigem uma infraestrutura de escoamento que prejudicam a competitividade.

“Existem alguns projetos da criação de ferrovias em novos eixos longitudinais, além da rediscussão de contratos dos já existentes e isso tem trazido programações de investimentos muito importantes. Por fim, a troca do regime público para a iniciativa privada, conforme prevê o Novo Marco Regulatório (PL 261/208), já vem impulsionando diversas iniciativas estaduais para o desenvolvimento deste modal”, explica.

Setor aéreo e transporte público

Para os economistas, os impactos da pandemia na redução de viagens e deslocamentos ainda não podem ser contabilizados, porém, outro efeito menos óbvio diz respeito à racionalização das viagens, ou seja, com a possibilidade do trabalho remoto, os deslocamentos podem ser mais bem planejados, consequentemente uma suavização dos picos de congestionamento.

“Podendo mover esse pico ao longo dos dias da semana e novos horários, é possível obter uma otimização mais racional da infraestrutura para suavizar os congestionamentos, tanto aéreos quanto rodoviários em longa distância”, acredita Turolla.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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