Economista aponta a importância do planejamento financeiro em tempos de crise

Economista aponta a importância do planejamento financeiro em tempos de crise

 Economizar sempre foi algo que o brasileiro teve dificuldade. Entretanto, em tempos de crise e inflação em alta, é de extrema importância ter um bom planejamento financeiro para evitar gastos desnecessários e situações de dívidas e falta de dinheiro ou até mesmo falir sua empresa por má gestão.

Segundo o Prof. Me. Laerte de Jesus Aliotti, dos cursos de Economia e de Finanças da Faculdade São Sebastião (FASS), o planejamento financeiro é como se fosse um mapa, em que o registro diário de todas as despesas e receitas levará diretamente aos objetivos de longo prazo, como um carro zero ou um apartamento novo, uma viagem ao exterior, uma renda mensal na aposentadoria, entre outros.

Em tempos de crise, a importância do planejamento financeiro se torna ainda maior, já que as pessoas precisam eliminar gastos desnecessários. “Portanto, se planejar possibilita uma análise de cada item de despesa e ajuda o indivíduo a verificar alguns gastos supérfluos que podem ser cortados, bem como usar a criatividade para aumentar a renda, com o objetivo de alcançar um superávit que possibilitará efetuar investimentos inteligentes, colocando o dinheiro para trabalhar para pessoa”, explica o economista.

O profissional destaca que, antes de tudo, o indivíduo deve registrar todos os custos e todas as receitas diariamente em uma planilha digital, ou aplicativos e cadernos. Assim, ao fim do mês, poderá fazer uma análise e ajustar o orçamento para decisões mais assertivas.

“Quem domina os aparelhos digitais pode utilizar aplicativos como o Easy Budget, que é gratuito e disponível para Android e iOS, ou então o Organizze, que possui uma versão gratuita e funciona em aparelhos celulares e por navegadores. Se não tiver domínio de ferramentas digitais, o aconselhável é manter anotando na forma tradicional, pois o importante é deixar tudo registrado para melhor organização mensal e anual”, comenta.

Laerte ressalta que o controle financeiro também é importante na hora de se organizar, já que muitos consumidores não são conscientes e deixam se levar pela impulsividade.

“Para consumir com consciência, é de extrema relevância adquirir só o que for absolutamente necessário e racionar os consumos diários, em termos de custo anual”, diz. “Fazer cursos práticos que possibilitam exercer uma atividade complementar a fim de conseguir uma segunda renda também é eficaz, ou uma outra qualificação que ajudará a ter promoção de cargo no trabalho”, orienta o professor da FASS.

Dicas de controle financeiro para empresas e comércios

Seja para os pequenos comércios ou para as grandes empresas, o planejamento financeiro é um pouco diferente: o negócio não pode viver de imprevistos em hipótese alguma.

Segundo Laerte, nas empresas, o planejamento financeiro não se trata apenas de assuntos relacionados a finanças. Ele contribui significativamente para que o plano estratégico tenha sucesso. Na crise, a área que precisa de atenção especial é a de finanças: os recursos são escassos e os riscos são grandes.

“Aqui o planejamento deve ser feito inicialmente com projeção a longo prazo, que direcionará a elaboração do propósito a curto tempo. Ambos são de suma importância para a organização. Com um planejamento bem elaborado e esforços contínuos para atingir as metas, a empresa conseguirá alcançar seus objetivos com sucesso”, destaca o economista.

Laerte reforça que tempos de crise requerem cautela constante com o fluxo de caixa mensal, pois o crédito bancário fica escasso e mais caro. É preciso, assim, fazer uma análise cuidadosa das receitas e despesas, tendo atenção redobrada com os custos fixos, que são os mais preocupantes. Portanto, deve-se: manter uma reserva financeira; buscar fornecedores com prazos mais longos de faturamento; quando possível, reduzir parcelas de vendas a prazo e cortar os custos onerosos.

Para a organização e o controle de gastos, o especialista indica dois aplicativos que auxiliam na supervisão: MoneyWise e QuickBooks ZeroPaper. “O primeiro é voltado para gerenciamento de finanças e controle do fluxo de caixa, conta com uma ótima representação visual de gráficos, tabelas e filtros, além da possibilidade de gerar arquivos do Excel de maneira automática. Já o segundo tem um avançado gerenciador, com recursos para controle efetivo de caixa, registro de clientes, fornecedores e espaço para lançamento de comprovantes”.

O docente aconselha empresas a guardarem uma porcentagem do lucro líquido anual para uma reserva contra crises e imprevistos. Desta forma, terão mais chances de sair ilesas nos tempos de crise. Uma que utilizou a técnica e se deu bem foi a multinacional sueca IKEA, que, desde 1958, reservava 7% de todos os lucros anuais e conseguiu superar momentos precários, tornando-se a maior indústria de móveis na Europa.

“Toda empresa precisa ser inovadora, procurando agregar valor ao seu produto e entregar valor ao cliente, com mais qualidade”, diz. “Na crise, manter prudência, cortar custos, evitar todos os tipos de desperdício e jamais entrar em uma guerra de preços são as dicas de ouro para as empresas. É melhor vender menos e manter um lucro do que aumentar o preço e não ter nenhum retorno financeiro”, finaliza.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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