Indicador de Incerteza da Economia recua 6,4 pontos em abril e atinge menor nível desde janeiro de 2020

O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) da Fundação Getulio Vargas recuou 6,4 pontos em abril, para 114,9 pontos, menor nível desde janeiro de 2020 (112,9 pts.), período anterior à pandemia de Covid-19 no país.
“Com o resultado de abril, o Indicador de Incerteza retornou ao patamar anterior à pandemia pela primeira vez desde o início da crise sanitária. Um nível bastante inferior ao dos piores momentos da crise, mas ainda elevado em termos históricos. A convergência a este patamar ocorre exatamente dois anos após o pior momento da crise, e reflete em grande medida a sensação de que a pandemia estaria sob controle. Mas a queda na margem também foi influenciada por uma visão menos pessimista em relação ao impacto potencial de curto prazo do conflito entre Rússia e Ucrânia no país. A tendência do IIE-Br para os próximos meses dependerá da continuidade da sensação de retorno à normalidade pré-pandemia e dos desdobramentos das tensões geopolíticas. Seguirão também no radar nos próximos meses fatores como a inflação e as eleições presidenciais“, afirma Anna Carolina Gouveia, economista do FGV IBRE.
Os dois componentes do Indicador de Incerteza caminharam em sentidos opostos em abril. O componente de Mídia caiu 8,3 pontos, para 113,6 pontos, menor nível desde fevereiro de 2020 (113,0 pts). A queda deste componente contribui negativamente em 7,2 pontos para o índice agregado. Já o componente de Expectativas, que mede a dispersão nas previsões de especialistas para variáveis macroeconômicas, subiu 3,8 pontos, para 114,0 pontos, contribuindo positivamente em 0,8 ponto para a evolução na margem do IIE-Br.
“A alta do componente de Expectativa foi motivada pelo aumento da dispersão das previsões dos especialistas de mercado para a inflação e o câmbio. A política monetária do Banco Central de alta dos juros tem sinalizado fortemente seu objetivo em conter a inflação, porém a alta dos preços mundial, motivada pela pandemia e intensificada pela guerra na Ucrânia, pode ter influenciado na maior heterogeneidade das previsões no horizonte de 12 meses. O cenário externo — com temas como o conflito na Ucrânia e a política monetária dos Estados Unidos – também podem estar influenciando na maior dispersão das previsões do câmbio“, acrescenta Anna Carolina.








