49% dos brasileiros estão com faturas de cartão de crédito em aberto

49% dos brasileiros estão com faturas de cartão de crédito em aberto

Inflação preocupa a população

O brasileiro está assustado com a inflação. O ano mal começou e a população já efetuou mais pedidos de empréstimos, gastos em cartões de crédito e uso do cheque especial do que no mesmo período que em 2021. O levantamento “O Bolso do Brasileiro – 2022” da Hibou – empresa especializada em pesquisa e monitoramento de mercado e consumo – realizado com 2000 pessoas de 24 a 26 de abril, aponta que na virada do ano, 56% dos brasileiros não estavam com contas em aberto.

É possível notar um leve crescimento do endividamento de forma geral. Agora, há diferentes níveis: 32% estão igualmente endividados, como no começo do ano; 32%, não estão endividados como no começo do ano; 21% estão mais endividados que no começo do ano; 15% estão menos endividados que no começo do ano.

Primeiro semestre ainda não finalizou e metade dos brasileiros têm contas atrasadas

Em relação a instabilidade econômica atual, nota-se que os brasileiros estão atrasando mais o pagamento de suas contas. Em 2020, 37% da população estava com pendências financeiras; em 2021 aumentou para 44%, e agora em 2022, um aumento de 4% totalizando 48%. Atualmente, 3 em cada 10 pessoas (33%) estão com contas básicas com pendências de pagamentos, como água, luz, telefone e gás, um aumento de 16% em comparação com 2021.

Dentre outras contas em atraso, 49% dos brasileiros estão com alguma fatura de cartões em aberto – aumento de 4% em relação ao ano anterior. Os boletos em geral estão em segundo lugar, e ainda não foram pagos por 34% das pessoas. Neste quesito houve diminuição em 6 pontos percentuais em relação a 2021.

Os brasileiros também alegam pendências com cheque especial (20%); parcela de empréstimo (17%); IPTU e IPVA (16%, cada); parcela de algum financiamento (14%); condomínio (7%); aluguel e escola (4%, cada).

“Infelizmente a estatística negativa ainda supera as positivas. Muitas pessoas perderam o emprego e as famílias precisaram se reinventar para conseguir fechar a conta no final do mês. Pelos números vemos que brasileiro pode estar ampliando a dívida com o cartão de crédito para manter os boletos em dia”, comenta Ligia Mello, coordenadora da pesquisa e sócia da Hibou.

Tem dinheiro para emprestar?

Nos últimos 12 meses, 41% dos brasileiros afirmam terem procurado empréstimo, em 2021 eram 32% neste mesmo período. Os bancos foram os mais acionados por quem viu no dinheiro emprestado uma saída para as finanças, 47% da população apontou essas instituições como sua primeira opção, mesmo que não tenham concluído o acordo.

Entre aqueles que converteram as transações e conseguiram os empréstimos, 38% foram atendidos por bancos; 34% por empréstimo consignado também em bancos; familiares, 23%; cartão de crédito, 11%; instituições financeiras que operam apenas por app (fintechs), e amigos, 8%, cada; agiotas ou empréstimos informais, 5%; adiantamento de salário na empresa (4%) e empresas de crédito (4%).

Renda familiar abalada

Em análise sobre o ano de 2022 até o momento, os dados mostram que 27% dos brasileiros tiveram ainda mais redução na renda doméstica, na contramão de 8% que conseguiram aumentar a renda familiar no mesmo período. Para 22% não foi notado impacto, mesmo com a pandemia. Os brasileiros ainda declaram que um integrante da família perdeu o emprego (13%); alguém em casa tem feito “bico” em outra área para ajudar na renda (10%); venderam alguns pertences para se manter nesse período (6%); alguém em casa fechou ou desativou seu negócio (5%); estão empreendendo com produção caseira para pagar as contas (4%); mudou de casa para diminuir custos em aluguel (4%).

Alta dos combustíveis e carnes são os vilões atuais

Entre os gastos da rotina doméstica que têm causado maior preocupação na hora de mexer no bolso, três itens ganharam maior destaque: combustíveis (63%), a carne (55%) e os itens da cesta básica (34%). Porém, é importante notar que o peso do preço com medicamentos figura na sequência, sendo o fator que pesa no bolso de 30% da população.

Outros itens da lista, são:

Legumes e verduras em geral 26%

Plano de saúde 23%

Manutenção do carro 13%

Aluguel 13%

Produtos de limpeza 7%

Escola 6%

Vestuário 4%

Nenhum dos anteriores 2%

“O brasileiro dá sempre o seu jeitinho, mas com a instabilidade econômica pós pandemia, o jeito é aprender a apertar o cinto e a segurar o bolso. De acordo com este comportamento, observamos que o consumidor está comprando menos itens e, das compras realizadas, está reduzindo também em número de volumes”, observa Ligia. “Também é possível notar a substituição de marcas, a redução de serviços diversos como assinaturas diversas, as idas a salões de beleza, o uso de automóvel próprio, entre outros”.

O carrinho de compras está bem diferente

54% reduziram a quantidade ou o volume de itens comprados por mês

51% não colocam mais alguns itens do carrinho no momento da compra

44% substituíram algumas marcas ou cortes de carne por alternativas mais baratas

39% reduziram os pedidos em delivery / comida pronta em casa

35% devido à falta de dinheiro, não vão a cabeleireiros, manicure, etc.

22% reduziram o uso de carro particular

20% cancelaram alguma assinatura (revista, streaming, etc)

14% reduziram a frequência da faxineira / diarista

12% venderam itens usados para conseguir algum dinheiro

10% cancelaram atividades como inglês / academia, por conta do dinheiro

10% reciclaram itens que tinham em casa (roupas, itens de decoração)

3% mudaram o(s) filho(s) de escola

8% não se identificaram com as mudanças citadasNa hora de pagar, há um reflexo no aumento de gastos de cartão de crédito observados por 36% dos brasileiros. Já 37% mantiveram os mesmos gastos do começo do ano e 28% conseguiram diminuir os custos gerados para os cartões.

A inflação gera discussão

Os brasileiros também estão desconfiados sobre a relação da inflação com a alta de preços sentidos em postos de combustíveis e mercados. A grande maioria, 84%, não confiam nos dados oficiais e acreditam que a inflação é maior do que a divulgada oficialmente; 16% acreditam que é a mesma divulgada oficialmente, e 1%, menor.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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