Aumento da Selic dificulta acesso ao crédito para empresas

Em reunião nesta quarta-feira (15), o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic para 13,25% ao ano, atingindo a décima primeira alta seguida. A Selic, que é considerada a taxa básica de juros, saiu da menor taxa da história (2%) para o maior valor desde 2017. Para o seu cálculo são avaliados diversos indicadores da situação econômica do país. Entre eles estão a inflação, o endividamento público, a atividade econômica e o cenário externo. A instabilidade do mercado mundial, inclusive com o alongamento da Guerra da Ucrânia, o aumento da inflação e a incerteza do cenário fiscal brasileiro foram fatores que impulsionaram essa decisão. Em nota à imprensa, o Copom prevê novas altas nos próximos meses.
Impactos da Selic no dia a dia
A Selic é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação e é a partir dela que são calculadas todas as outras taxas de juros do país. Esse
mecanismo funciona como a Lei da Oferta e da Procura: com todos os juros mais elevados, o consumidor pensa duas vezes antes de assumir um financiamento ou realizar uma compra de valor elevado, o que diminuiu o consumo.
A solução para as vendas continuarem é frear a produção e abaixar os preços. Mas a alta da Selic não afeta só a decisão de compra do consumidor final
– as empresas agora também pagam mais para terem acesso ao crédito, o chamado “custo do dinheiro”. Lyeverson Nogueira, vice-presidente do FIDC SB Crédito, explica: “A Selic representa o valor que as instituições financeiras têm ao emprestar do Governo, que é um empréstimo quase sem risco de inadimplência. Mas as empresas não apresentam a mesma segurança do Governo e, por isso, pagam taxas mais altas.”
A estimativa da SB Crédito é de que, de janeiro a junho desse ano, os aumentos da Selic tenham elevado em 45% as taxas praticadas no mercado,
acompanhando o CDI. Durante a pandemia, o Governo Federal lançou programas de apoio e de acesso ao crédito para as empresas, como o FGI PEAC. Com o vencimento de muitas operações nesse ano, é preciso ter fôlego próprio. No entanto, a situação econômica brasileira e mundial tem dificultado essa tarefa e novos empréstimos ficam cada vez mais caros.
Acessando o crédito com taxas menores
A antecipação de recebíveis é uma modalidade que permite acesso ao crédito com taxas menores e consiste em adiantar o valor que uma empresa
receberia no futuro – não sendo considerada um empréstimo. Ainda assim, o impacto da Selic é expressivo: para antecipar R$ 100.000,00 em recebíveis em janeiro uma empresa teria um custo de R$ 1.200,00 – hoje o custo é de R$1.740,00.
Essas operações podem ser feitas em bancos, fintechs, cooperativas de crédito, operadoras financeiras e FIDCs – fundos de investimento em direitos
creditórios que têm como principal solução a antecipação de recebíveis e, por isso, têm benefícios a oferecer aos seus clientes.
Uma das maiores vantagens é que, por não serem consideradas instituições financeiras, contam com o Imposto sobre Operações Financeiras
zero. Ao final de uma operação, a alíquota de 0,38% desse imposto pago quando a operação é feita com instituições financeiras pode diminuir expressivamente a margem de lucro de quem antecipou o recebível.
Outro diferencial é que os FIDCs são conhecidos por terem menos burocracias que os bancos. Isso impacta diretamente no tempo de liberação de
crédito – na SB Crédito o recurso está disponível em até uma hora. “No final das contas, os FIDCs oferecem um respiro ao empresariado brasileiro. Aqui na SB Crédito ainda não repassamos todo o aumento que a Selic teve desde janeiro de 2022 para as taxas de operações, absorvemos pouco mais
de 20% em nossos custos internos. A prioridade é oferecer a mão aos nossos clientes em momentos de incertezas”, comenta Nogueira.
Usada de forma estratégica e com responsabilidade com o fluxo de caixa, essa opção vem sendo adotada cada vez mais pelas empresas e procurada
pelos investidores. Segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), os FIDCs captaram R$ 85,3
bilhões em investimentos em 2021, representando um aumento de 125% frente a 2020.
“Recentemente captamos R$ 269 milhões em uma rodada de investimentos. Estamos prontos para operar e ajudar as empresas brasileiras a terem acesso ao crédito”, finaliza o executivo.








