Perdas do comércio com bloqueios nas rodovias podem superar as de 2018

Prejuízo diário do varejo pode ser maior do que R$ 1,8 bi, registrado em movimento anterior, pois setor passou a depender mais de serviços de entrega na pandemia

As interrupções do fluxo rodoviário, realizadas desde segunda-feira (31), têm o potencial de afetar significativamente a atividade comercial no País. Para a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o movimento pode ocasionar prejuízos superiores às registradas por ação similar em 2018, que causou retração de 5,8% no volume de vendas, com perda diária de R$ 1,8 bilhão. O custo total para o varejo, em valores atuais, foi de R$ 18 bilhões, contabilizados ao longo dos 10 dias de bloqueios em 2018.

Para a CNC, agrava o cenário do setor a maior dependência que as empresas passaram a ter de serviços de entregas, uma vez que passaram a operar com estoques reduzidos. A Confederação acrescenta que o registro dessas perdas tende a ser gradual, na medida em que o varejo conta com estoques que, dependendo da duração dos bloqueios, serão consumidos até a normalização do fluxo de mercadorias. Mas observa que as perdas não se restringem

Segundo análise da CNC, em termos de vendas, em 2022, dois fatores contribuem para as perdas decorrentes da paralisação parcial das rodovias: a extensão dessas ações e a duração desses eventos. Em 2018, as paralisações tiveram início em 21 de maio e duraram oficialmente até o dia 30
daquele mês. Naquela ocasião, portanto, a perda diária média de faturamento foi de R$ 1,8 bilhão.

Contudo, há que se considerar que o registro dessas perdas tende a ser gradual, na medida em que o varejo conta com estoques que dependendo da duração dos bloqueios será consumido até a normalização do fluxo de mercadorias.

Há que se considerar ainda, que os setores especializados na comercialização de produtos perecíveis tendem, inicialmente, a ser os mais impactados em razão da velocidade mais alta com a qual “giram” esses estoques, alerta a CNC.

Outro fator que pode elevar a média diária de perdas é a maior frequência dos serviços de entrega após o início da crise sanitária, período no qual as empresas comerciais passaram a operar com estoques mais reduzidos.

As perdas, no entanto, não se registrem à principal fonte de receitas do varejo, mas à elevação dos custos, especialmente, daqueles relacionados ao transporte. Segundo o IPCA, em maio de 2018 o a redução dos estoques levou o preço da gasolina a subir 3,34% e do óleo diesel 6,16%. Assim, até que a normalização na distribuição dos combustíveis e outros produtos, a inflação corroeu a margem de comercialização das empresas.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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