Tanque de gasolina consome 7% da renda dos brasileiros

Tanque de gasolina consome 7% da renda dos brasileiros

 Em uma parceria inédita, a Veloe, hub de mobilidade e logística, e a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), uma das mais respeitadas instituições de pesquisa do país, lançam o Panorama Veloe de Indicadores de Mobilidade, que acompanhará uma série de itens de impacto para o setor de transporte e logística, em especial os preços médios dos combustíveis. O monitoramento acontece em todo o Brasil, tornando-se uma importante ferramenta de gestão de preços e do impacto do custo do combustível no bolso das famílias.

Serão monitorados os preços de gasolina comum e aditivada; diesel comum e S-10; etanol hidratado; e gás natural veicular. Combinada à análise mensal dos preços dos combustíveis, a extensa base de dados da Veloe, e outras fontes complementares, o Monitor de Preços de Combustíveis (um dos conjuntos de indicadores que integra o Panorama Veloe de Indicadores de Mobilidade) oferece um quadro de acessibilidade do combustível em diferentes regiões do Brasil. Esse indicador é calculado a partir do cruzamento de dados da renda média com o preço aplicado nos postos.

Nesse cenário, será possível ter clareza sobre o quanto, de fato, o combustível pesa no orçamento mensal das famílias, por meio do Indicador de Poder de Compra de Combustíveis (outro indicador que compõe o Panorama Veloe de Indicadores de Mobilidade). O dado relaciona o percentual da renda domiciliar mensal (apurado pela Fipe a partir de dados da PNAD/IBGE) necessário para abastecer um tanque com 55 litros de gasolina comum (capacidade média dos veículos de passeio).

Segundo o Panorama, o tanque de combustível com 55 litros de gasolina comum corresponde a 6,8% da renda média domiciliar nacional. O indicador apresentou uma queda de 2,5 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, quando o indicador chegou aos 9,3% – o maior percentual da série histórica. Quando esse indicador diminui, a gasolina fica mais barata em relação à renda. Os dados são referentes ao terceiro trimestre de 2022 (último dado disponível pelo IBGE sobre renda dos domicílios).

Essa cesta de dados inclui ainda o Indicador de Custo-Benefício Flex, que relaciona os preços médios do etanol hidratado e da gasolina comum em diversas localidades do país.

Referência para o mercado

Um dos principais vetores da economia, o setor de combustíveis é peça-chave para o panorama da mobilidade em geral. O diretor-geral da Veloe, André Turquetto, reitera que a parceria com a Fipe reforça o compromisso da marca em se consolidar como referência para o setor de mobilidade e para a sociedade. “Entender essas variações de preços e seus impactos para empresas e famílias é essencial para o nosso setor”, comenta Turquetto. Segundo o executivo, o Panorama Veloe de Indicadores de Mobilidade vai trazer mais inteligência para a gestão de frotas e transporte. “É uma fonte de informação altamente qualificada e confiável, com um nível de abrangência relevante para um país de dimensões continentais como o nosso”, destaca Turquetto.

Bruno Oliva, coordenador de Pesquisas da Fipe, destaca que a base de dados é composta por preços de mais de 20 mil postos de gasolina e será atualizada mensalmente, a partir da base de dados Veloe. “A quantidade e qualidade dos dados disponibilizados pela Veloe permitem a construção de indicadores precisos e abrangentes. O cálculo e divulgação dessas informações ao público geral, de forma organizada e de fácil acesso, permitirá às instituições públicas, privadas ou cidadãos interessados fazer análises para a melhor tomada de decisão. A Fipe acredita no poder da informação para melhorar o funcionamento dos mercados e é exatamente isso que será proporcionado com esse conteúdo”, afirma.

Destaques de janeiro

Monitor de Preços de Combustíveis registrou preços médios nacionais por litro abastecido de R$ 5,108 para gasolina comum; R$ 5,246 para gasolina aditivada; R$ 3,919 para etanol hidratado; R$ 5,143 para o GNV; R$ 6,424 para o diesel comum; e R$ 6,502 para o diesel S-10.

Considerando o comportamento observado no acumulado dos últimos 12 meses, três dos seis combustíveis monitorados registraram decréscimo nos preços de mercado. O principal deles foi a gasolina comum, com queda de 23,6%. A gasolina aditivada apresentou queda de 22,8%. Já o etanol hidratado teve decréscimo de 22,6%.

Em contrapartida, os demais combustíveis analisados apresentaram aumento nos preços ao longo dos últimos 12 meses: o GNV variou em 11,2%, enquanto o diesel comum contou com acréscimo de 15,7%; e o diesel S-10 foi o que apresentou maior índice de aumento durante o período, de 15,8%.

Variação de preços

A gasolina comum, cujo preço apresentou um aumento de 2,8% em relação a dezembro de 2022, fechou o ano mais cara nos postos de combustíveis da região Nordeste do país. A região teve média de R$ 5,290. O Ceará, com média de R$ 5,626, foi o dois estado que apresentou maior valor.

Em contrapartida, o combustível teve seu menor valor nos postos da região Sudeste. A média da gasolina comum ficou em R$ 5,028. São Paulo, com média de R$ 4,968, foi o estado da região que registrou a menor média.

Ainda na gasolina comum, a variação de preços foi outro fator que chamou a atenção. O recuo mais acentuado se deu no Centro-Oeste, onde o valor do litro diminuiu 26% em comparação a janeiro de 2022. Já a menor variação aconteceu nos postos da região Nordeste, onde o combustível teve baixa de 22% em relação ao mesmo período do ano passado.

O preço do etanol hidratado ficou mais baixo na região Centro-Oeste, onde o combustível foi vendido por R$ 3,731 o litro em média. O Nordeste do país teve a maior média de preços, com R$ 4,304 o litro, queda de 20,5% nos últimos 12 meses.

Em relação ao diesel comum, o menor preço foi praticado nos postos da região Sul, com R$ 6,243 em média. A região Norte contou com os maiores valores, com média de R$ 6,751. A região Norte foi a que apresentou maior variação de preços no acumulado do ano, com queda de 17,4% no período de 12 meses.

Peso do combustível na renda mensal

De acordo com o Indicador de Poder de Compra de Combustíveis, em janeiro de 2023, o tanque de combustível com 55 litros de gasolina comum era correspondente a 6,8% da renda média domiciliar nacional, o que representa uma queda de 2,5 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.

Quando registrada apenas a renda média das capitais, o mesmo volume de gasolina equivalia a uma porcentagem menor na renda mensal das famílias: 4,4%. Entretanto, vale a ressalva de que o consumo em grandes centros urbanos pode ser comparativamente maior devido às distâncias percorridas nos deslocamentos e congestionamentos mais frequentes.

O que vale mais a pena: álcool ou gasolina?

Com os preços médios do etanol hidratado e da gasolina comum, o informe ainda oferece um indicador com o custo-benefício para os motoristas: o Indicador de Custo-Benefício Flex, que fornece um parâmetro para avaliação entre preço e rendimento no abastecimento de veículos leves tipo flex.

Em janeiro de 2023, o preço médio do etanol hidratado equivalia a 81,6% do valor cobrado pela mesma quantidade de gasolina comum, uma oscilação discreta no comparativo com dezembro de 2022 (81,1%). É o maior nível desde dezembro de 2021, de acordo com a Fipe. Na média das capitais, a relação foi de 80,8% e atingiu também o maior patamar desde dezembro de 2021 (83,2%). Os números mostram que, considerando o rendimento médio de ambos os combustíveis, o abastecimento com gasolina oferece um melhor custo-benefício em relação ao etanol.

Nos parâmetros utilizados pela Fipe, considera-se que a gasolina é vantajosa quando o indicador for superior a 75%; indiferente entre 65% e 75%; o álcool é vantajoso quando o indicador for inferior a 65%. Os dados utilizados na construção dos indicadores do Panorama Veloe de Indicadores de Mobilidade têm como fontes a Veloe, Fipe, ANP e IBGE.

Crédito da foto: Geraldo Bobniak/AEN

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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