Credit Suisse: aquisição pelo UBS pode levar investidores a reavaliarem seus portfólios

Credit Suisse: aquisição pelo UBS pode levar investidores a reavaliarem seus portfólios
Fernando Senna, diretor de Gestão de Recursos da Acura Capital.

A recente aquisição do problemático banco de investimentos suíço, Credit Suisse, por seu concorrente maior, o UBS, tem gerado repercussões no setor financeiro global. A aquisição, que foi acelerada devido à classificação do Credit Suisse como “too big to fail”, levantou preocupações sobre o impacto no crédito e nos investimentos globais. No processo, bilhões de dólares de detentores de títulos AT1 foram eliminados, e os acionistas do Credit Suisse ficaram com apenas uma fração do valor real das ações.

A natureza acelerada da aquisição levantou questões sobre a estabilidade do sistema financeiro global e as consequências para os mercados de crédito. A situação do Credit Suisse como uma instituição sistemicamente relevante forçou reguladores e formuladores de políticas a acelerar o processo de aquisição para evitar um possível colapso, que poderia ter consequências de longo alcance para a economia global. A decisão de priorizar a estabilidade do banco em detrimento dos interesses dos detentores de títulos AT1 e acionistas levantou preocupações sobre as implicações de longo prazo para a confiança dos investidores. A perda de bilhões de dólares para os detentores de títulos AT1 e a desvalorização das ações do Credit Suisse por conta da aquisição podem desestimular futuros investimentos em instituições financeiras relevantes, agravando ainda mais as preocupações sobre a estabilidade financeira global.

Impacto nos Mercados de Crédito

O setor financeiro mundial vem tendo um grande movimento de saques ao longo das últimas semanas. Esta “corrida os bancos” vem Levando o FED a sinalizar que estuda garantir todos os depósitos bancários nos bancos americanos. Que hoje se estima em cerca de 20 trilhões de dólares. Valor que está próximo ao PIB dos U.S. Este seria um movimento sem precedentes mesmo que ainda sem um plano mais detalhado. “O que se tenta evitar agora é uma crise de confiança. Este foi o principal motivador para o plano de compra UBS x CS. Esta crise sim, se instaurada, afetaria o mercado de crédito como um todo de maneira muito significativa.” afirma Fernando Senna, diretor de Gestão de Recursos da Acura Capital.

“A aquisição do Credit Suisse pelo UBS destacou a necessidade de uma regulamentação e supervisão rigorosas no setor bancário, principalmente para instituições consideradas ‘too big to fail’. O aumento da fiscalização desses bancos pode levar a padrões de empréstimos mais rigorosos e uma possível restrição de crédito à medida que os bancos buscam mitigar riscos.” alega Armin Altweger, CEO da SCF Brazil.

Além disso, a junção de dois grandes bancos suíços pode criar um ambiente de empréstimos mais avesso ao risco. Como resultado, empresas e indivíduos podem enfrentar mais dificuldades para acessar o crédito, impactando negativamente o crescimento econômico e os investimentos.

Cenário de Investimento Global

A fusão entre o UBS e o Credit Suisse também tem implicações para o cenário de investimentos globais. Com a combinação de ativos e influência de dois dos maiores bancos da Suíça, é provável que o UBS se torne um player ainda mais significativo. O gigante bancário recém-formado poderia remodelar o cenário competitivo, alterar estratégias de investimento e afetar a dinâmica do mercado.

“Adicionalmente, as consequências da aquisição podem levar os investidores a reavaliar seus portfólios, principalmente no contexto do risco sistêmico. A experiência dos detentores de títulos AT1 e acionistas do Credit Suisse pode levar a uma mudança nas preferências de investimento, com investidores possivelmente aquirindo investimentos em instituições financeiras sistemicamente relevantes ou buscando oportunidades alternativas de investimento”, completa Armin Altweger.

Impactos

“A aquisição do Credit Suisse pelo UBS destaca as complexidades do gerenciamento de instituições financeiras sistemicamente importantes e as possíveis consequências para os mercados de crédito e investimentos globais. Embora a fusão possa ter evitado uma crise financeira maior, também gerou preocupações sobre a confiança dos investidores, a estabilidade dos mercados de crédito e o futuro dos investimentos globais. À medida que a poeira baixa, reguladores, formuladores de políticas e investidores estarão monitorando de perto a situação para aprender lições valiosas e orientar a tomada de decisões futuras”, finaliza Altweger.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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