Quebra de bancos: qual será o impacto em relação aos juros no Brasil e EUA?

Quebra de bancos: qual será o impacto em relação aos juros no Brasil e EUA?

Cenário mudou e taxas devem ser mantidas

Na próxima quarta-feira (22), acontece a Super Quarta com decisões importantes a serem definidas sobre juros pelo FED (Federal Reserve), nos EUA, e Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), no Brasil. Após as turbulências causadas pela quebra de bancos americanos, os ânimos voltaram a ficar ruins com notícias envolvendo o banco suíço Credit Suisse. Com resultados ruins no trimestre passado, o banco foi informado que o Saudi National Bank, seu principal acionista, não irá ajudar a empresa com um aumento de sua participação no capital. Com isso, as ações caíram com força e o mercado passou a temer uma crise bancária internacional generalizada.

Com esse cenário, mesmo com dados ruins em relação à inflação e abertura de vagas nos EUA, grande parte do mercado mudou a projeção de alta de juros pelo FED para a manutenção da taxa atual. Para Marcelo Oliveira, CFA e co-fundador da Quantzed, o cenário atual, de fato, mudou para a manutenção da taxa.

Na minha opinião, o FED não vai baixar os juros agora, mas todos esses acontecimentos funcionaram como pressão. Provavelmente, eles viriam com alta de 0,25%, mas agora acredito que podem vir a não aumentar nada. Eles podem dizer que precisam verificar melhor a situação dos bancos porque cada alta que o FED dá, os títulos passam a valer cada vez menos. Então, é possível que os membros esperem e não subam dessa vez, mas voltem a subir nas próximas reuniões. Com certeza, esse episódio já está impactando na decisão do FED“, explica.

Alex Kim, sócio da A7 Capital, acredita que a rápida intervenção do FED na tentativa de mitigar os efeitos da quebra do SVB e do Signature e proteger a economia americana deu um alívio no sentido de conter uma eventual contaminação do sistema, o que provavelmente virá junto com uma mudança na política de juros do FED. “A tendência é que, para suavizar a possibilidade de novos casos, o FED adote uma postura mais dovish (menos agressiva no aumento de juros) para as próximas reuniões“, diz Kim.

Preço e prazo para acabar

Segundo Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos, os EUA, o Brasil e o mundo, durante os últimos meses, suportaram juros altos e induziram à falta de crédito como forma de não oxigenar a economia e, assim, controlar a inflação: “Só que esse movimento tem um preço e prazo para acabar e ele começa a cobrar esse ajuste via bancos pequenos, médios e empresas altamente endividadas, que não devem aguentar por muito tempo esse patamar de juros. E como vítima, podemos ter o consumidor “fugindo” da alta de preços, mas quase que como um beco sem saída, vendo o mundo entrar em recessão”.

Rodrigo Cohen, analista de investimentos e co-fundador da Escola de Investimentos, ressalta que os ruídos chegam muito mal ao investidor, o que faz com que o mercado fique avesso a riscos maiores: “Quando o mercado está com medo, vende as posições. Então, as bolsas tendem a cair. Por isso, a importância de o investidor montar uma carteira diversificada e que esteja imune a esse tipo de adversidade. Uma carteira, em que independente do que aconteça, pode até perder para um lado ou desvalorizar em parte o patrimônio, mas, pode ganhar de outras formas. Então, o ideal é diversificar de acordo com o seu perfil de investidor, seu perfil de risco, de acordo com a sua sensibilidade ao risco, e conhecimentos, além do prazo com que precisa sacar o dinheiro para não ter que sacar antes da hora certa e acabar tendo prejuízo”, diz.

No Brasil, Carlos Hotz, sócio-fundador da A7 Capital, não acredita em uma queda de juros pelo Copom, mas diz que, em comunicado, o comitê poderá já indicar alguma diminuição mais à frente na taxa: “As decisões tomadas pelo FED impactam nos bancos centrais de todo o mundo. Então, se a gente tem o FED sinalizando um aumento de juros menor do que o mercado esperava, temos outros bancos centrais trabalhando com um spread, um diferencial de taxa de forma mais atrativa. Isso também pode significar uma proximidade de boa intenção entre economia e Campos Neto. Com isso, a gente pode ter Copom não reduzindo juros, mas já trazendo a pauta de eventual redução para próximas reuniões. Com isso, a taxa de juros negociada no mercado vai trabalhar sempre com um nível menor“.

Diante disso, os ativos prefixados são uma opção de investimento vantajosa nesse contexto, segundo Hotz. “Travar a taxa em um momento em que a Selic está muito elevada e vendo já um movimento de inversão de ciclo pode ajudar o investidor a ter a rentabilidade de taxas altas por um período maior, mesmo que aconteça uma redução de juros nos próximos meses“, comenta.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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