Sorvete ou sobremesa? Dependendo da resposta produto custa 50% mais barato

Sorvete ou sobremesa? Dependendo da resposta produto custa 50% mais barato

Grandes redes, que antes vendiam casquinha de sorvete, especialmente em quiosques, passaram a chamar o produto de sobremesa

A casquinha de sorvete que muitos adoram comprar em quiosques, agora virou sobremesa à base de bebida láctea! A mudança não tem a ver com marketing ou com uma estratégia para atender o consumidor, mas sim com uma classificação de produto para efeitos tributários. De acordo com Adriana Benatti, coordenadora da Comissão Tributária da Abrasorvete, Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis, produtos que sempre foram chamados de sorvete expresso ou italiano, têm sido chamados de sobremesa ou massa gelada. No entanto, o desenvolvimento do produto não sofreu qualquer alteração para tal adequação.

“Estima-se que 30% dos sorvetes vendidos no Brasil são do tipo ‘sorvetes expresso’ ou ‘italiano’. Isso quer dizer que o mesmo produto vem sendo tributado de forma diferente na ponta”, alerta ela.

A diferença na denominação foi instituída para adequar à classificação fiscal (NCM) e tornar o produto financeiramente mais competitivo. Com isso, a classificação alternativa que tem sido utilizada por essas redes é a de bebidas lácteas e o produto que antes era casquinha de sorvete, passou a se chamar sobremesa. “Entendemos que o conceito de bebida láctea não se aplica nesse caso. Com base nas definições da Anvisa, o produto continua sendo sorvete, já que, dentre outras premissas, passa por congelamento rápido”. Para Adriana, o artifício tributário prejudica a indústria de sorvete como um todo, que se torna menos competitiva ao pagar uma carga tributária de 47%, enquanto as “sobremesas de bebida láctea” pagam 22%.

Bebida láctea X Sorvete

De acordo com Adriana, o produto sorvete é o mesmo em todo o setor: insumos, ingredientes, processos e resultado. “A discussão sobre este tipo de produto, vendido como sobremesa, ser ou não sorvete foi objeto de diferentes resoluções judiciais, que entenderam que sim: é sorvete. Independentemente de ser nomeado como bebida láctea, massa gelada, sobremesa gelada, casquinha, sundae ou milkshake. A forma como é produzido, apresentado ou oferecido ao consumidor, além do estado físico em si, determina que deve ser enquadrado corretamente na classificação fiscal (NCM) e tributado conforme as regras”, defende.

DiagramaDescrição gerada automaticamente com confiança média

Impacto no setor

O arranjo tributário compromete um setor inteiro, gerando impacto especialmente para as micro e pequenas empresas. “Para se ter uma ideia, o sorvete que é taxado como sobremesa é vendido ao consumidor por cerca de R$3, enquanto o produto que segue a classificação fiscal correta custa R$6”, comenta a representante da Abrasorvete. A consequência dessa estratégia é o privilégio para determinado segmento em detrimento do desenvolvimento de todo um setor industrial nacional, gerando um processo importante de desindustrialização

Igualdade tributária

Para equilibrar a situação é esperado que seja restabelecida a isonomia no mercado, por meio da equiparação tributária. “Está muito claro para a Abrasorvete que imposto não pode ser fator de competitividade e que a carga tributária deve ser igualitária a produtos similares”, finaliza.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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