Falta de produtos básicos nas prateleiras dos supermercados atinge maior alta do ano

Falta de produtos básicos nas prateleiras dos supermercados atinge maior alta do ano

Indisponibilidade de alimentos nas gôndolas se deve aos custos elevados

As gôndolas dos supermercados estiveram mais vazias em abril, segundo o Índice de Ruptura, estudo que a Neogrid — empresa de tecnologia e inteligência que desenvolve soluções para a gestão da cadeia de consumo — realizado mensalmente em conjunto com a Horus — empresa de inteligência de mercado do ecossistema de negócios da companhia. Durante o mês, os consumidores enfrentaram dificuldades para encontrar marcas de produtos básicos, como arroz, feijão e leite.

O levantamento, que analisa dados da malha Neogrid, que reúne as maiores redes de varejos e indústrias do país, e mede a falta de itens nas prateleiras, fechou em 13,5% no último mês, o que representa uma alta de 0,6% em relação a março e o maior índice de 2023 até o momento. Se comparado com o mesmo período de 2022, o crescimento da ruptura foi de 2,2%.

Evolução do Índice de Ruptura – Destaques Abril 2023

CategoriaJan/2023Fev/2023Mar/2023Abr/2023
LEITE15,6%15,2%15,9%18,4%
FEIJÃO14,2%13,6%13,8%17,7%
OVO14,7%16,0%15,6%17,5%
BOMBOM13,7%10,9%10,4%15,9%
ARROZ16,3%14,5%14,5%15%
CAFÉ7,3%8,3%11,3%13,6%
LEITE EM PÓ8,8%8,2%10,6%13,2%
CREME DE LEITE12,3%11,1%10,7%14,9%

 

 

 

 

 

 

 

Fonte Neogrid

“Além das condições climáticas, que tornam o custo de produção mais alto e impactam no aumento do preço dos produtos, existe um fator econômico de comportamento do consumo que reflete nas estratégias de abastecimento do varejo. Com a alta inflação e a redução do poder de compra do consumidor, o varejo se torna mais cauteloso com a reposição, e acaba comprando menos da indústria. Isso gera um efeito de ruptura, mas não quer dizer que os produtos não estejam disponíveis nas gôndolas, e sim que o Varejo está dando preferência a produtos de alto giro com ticket médio menor”, afirma Robson Munhoz, diretor de Customer Success, da Neogrid.

Cesta básica mais cara

Segundo dados da cesta de consumo HORUS/FGV, o preço do leite integral aumentou em 7 das 8 capitais pesquisadas em abril. As maiores elevações foram observadas em Belo Horizonte (7,8%), São Paulo (2,9%) e Rio de Janeiro (2,1%). A média do litro de leite sofreu variação de 4,4% em abril em relação a março, passando de R$6,24 para R$6,52.

“A oferta limitada de leite no campo, devido ao clima adverso e pela saída de produtores da atividade no ano passado, tem impactado no preço do produto e de seus derivados. Isso fez com que os supermercadistas deixassem de comprá-lo, causando uma supressão de 18,4% do alimento”, comenta Luiza Zacharias, diretora de novos negócios da Horus.

Outros alimentos com ruptura elevada no mês de abril foram o arroz (15%) e o feijão (17,7%), que tiveram alta de preço de 9% e 14%, respectivamente, entre janeiro e abril. Enquanto a semente conhecida por ser fonte de ferro subiu em todas as oito capitais pesquisadas pela Cesta de Consumo HORUS/FGV em abril, tendo atingido alta de 6,3% em Belo Horizonte e de 6,2% em Fortaleza, o aumento do preço do arroz teve variação de 1,5% em Salvador. Um dos motivos apresentados pela Horus é a migração dos agricultores para o cultivo de milho e soja, que estão alcançando recordes de exportações.

Já o café, que também faltou nas gôndolas pelo quarto mês consecutivo, chegando ao patamar de 13,6%, registrou uma queda de 1,2% no preço em relação ao mês anterior, mas, mesmo assim, o valor médio do quilo foi de R$ 47,41.

Recuo da ruptura

Por outro lado, as bebidas lácteas e de soja, que, em março, ocupavam, respectivamente, a primeira e quinta posições no estudo da Neogrid, apresentando 19,1% e 11,9% de indisponibilidade, tiveram uma redução de cerca de 3% de ruptura. Mas a categoria com maior diferença de presença nas prateleiras foi a de eletrodomésticos, que, em março, apresentava 18,4% de falta e, em abril, 14,5%.

Maiores reduções da Ruptura Comparativo Março e Abril

CategoriaMar/2023Abr/2023Diferença
ELETROPORTÁTEIS18,4%14,5%-3,9%
BEBIDAS DE SOJA11,9%8,6%-3,3%
BEBIDAS LÁCTEAS19,1%16,2%-2,8%

Fonte: Neogrid

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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