Estabilidade de preços e crescimento dos setores podem garantir segundo semestre favorável para o Brasil

Especialistas destacam desempenho econômico acima do esperado graças aos setores agrícola e de serviços
Quase imediatamente após a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2 de janeiro deste ano, o real brasileiro (BRL) começou a valorizar com o declínio da taxa de câmbio USD/BRL . A taxa média de câmbio do dólar está agora cerca de 6% abaixo desde o início de janeiro. Em uma análise mais aprofundada, vários fatores contribuíram para a valorização do real em relação ao dólar dos EUA.
“Graças ao setor agrícola em crescimento, a economia brasileira cresceu mais do que o esperado no primeiro trimestre”, conta Frida Mar, embaixadora da OctaFX no México. O Produto Interno Bruto (PIB) expandiu 1,9% nos três meses até março, após uma queda revisada de 0,1% no trimestre anterior. Em termos anuais, a economia cresceu a uma taxa impressionante de 4%, um ponto percentual acima do consenso do mercado. Ao mesmo tempo, a inflação continuou a cair (ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde outubro de 2020), enquanto a taxa de desemprego começou a subir novamente.
Um impulso vindo de uma safra forte de soja, milho e açúcar também se traduziu em um forte crescimento das exportações. O Brasil registrou um superávit comercial de US$ 11,4 bilhões em maio, marcando um recorde para qualquer mês desde o início da série de dados em 1989.
Como as ações do governo impactaram a economia brasileira?
Os analistas da OctaFX destacam que a economia brasileira se recuperou mais do que o esperado no primeiro trimestre, principalmente devido ao forte crescimento do setor agrícola e à atividade robusta no setor de serviços. A produção agrícola aumentou 21,6% no trimestre, enquanto a atividade de serviços cresceu 0,6%. No entanto, o setor manufatureiro continua enfrentando dificuldades, com uma queda de 0,1% na indústria.
“Embora o crescimento sólido no setor agrícola tenha sido principalmente devido a fatores externos, outros setores da economia receberam um impulso de várias políticas governamentais que aumentaram a renda disponível, como o aumento salário mínimo, por exemplo”, disse Frida Mar da OctaFX.
Ao mesmo tempo, as altas taxas de juros continuam sendo um obstáculo para a economia. O Banco Central do Brasil manteve sua taxa de juros de referência, Selic, inalterada em 13,75% por sete meses consecutivos. Embora o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tenha relatado que a taxa de desemprego caiu para 8,5% em abril, a criação formal de empregos ficou abaixo do esperado. Segundo o Ministério do Trabalho e do Emprego, a economia adicionou apenas 180.000 posições em abril, cerca de 24.000 abaixo das expectativas.
Segundo os analistas da corretora, a pressão sobre o banco central para redução das taxas de juros é algo que pode aumentar, já que as metas de inflação são um ponto importante para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Todas as melhorias e estagnações geram um sentimento misto no mercado com relação ao Brasil, mas ainda sim otimista. A pesquisa semanal Focus do Banco Central com economistas privados, publicada em 5 de junho deste ano, mostrou que eles esperam que o PIB do Brasil cresça 1,68% em 2023. O mercado geralmente precifica uma lenta redução da taxa selic para 12,50% até o final de 2023 e uma taxa de câmbio média USDBRL de 5,10.
“O Brasil é uma das maiores economias da América Latina e atrai muita atenção dos investidores mais poderosos. No momento, os setores mais vibrantes são extração de petróleo e gás, energia renovável e agricultura, mas mesmo assim, os investidores devem e vem analisando mais profundamente colocar o seu dinheiro no país”, conta Frida Mar.
Os primeiros seis meses do novo governo foram marcados por uma valorização do Real brasileiro e pelo controle da inflação no país. No entanto, as altas taxas de juros e a necessidade de reduzi-las para estimular ainda mais a economia continuam sendo um desafio. “O país vem buscando equilibrar o crescimento econômico com a estabilidade dos preços, que pode garantir um ambiente favorável aos investimentos e ao desenvolvimento sustentável do Brasil”, complementa a Embaixadona da OctaFX no México.








