5 dicas para vivenciar um período de layoff produtivo

5 dicas para vivenciar um período de layoff produtivo

Especialista fala sobre a importância de investir em si mesmo para se preparar para angariar as melhores oportunidade profissionais no futuro

Passar por um período de layoff na carreira nem sempre é um processo fácil. A começar pelo recebimento da notícia do desligamento – que chega sem aviso prévio – ao momento em que cai a ficha sobre o que vai acontecer no futuro. A forma como as empresas conduzem esse momento passou por grandes transformações na última década, porém, ainda tem alguns passos importantes a serem dados pela frente.
De acordo com a pesquisa “Desafios do negócio e de pessoas: demissões em massa, layoff”, feita pela consultoria BTA, o investimento em cuidar dos funcionários ao longo dessa fase ainda tem alguns pontos para serem explorados e, de fato, oferecer um layoff humanizado. O levantamento apontou que 74% das empresas não disponibilizam apoio psicológico aos demitidos, algo que, na opinião de Cadu Altona, sócio fundador da EXEC, uma das principais consultorias brasileiras no recrutamento e desenvolvimento de lideranças, é um dos pontos que ainda faltam para tornar essa jornada menos árdua.

Para Altona, as empresas precisam adotar práticas mais empáticas, como oferecer não somente benefícios como a extensão do plano de saúde por alguns meses e suporte financeiro, mas também um acolhimento emocional mais estruturado. “A questão da saúde mental se tornou algo relevante nos últimos anos e deve ser levada em conta em um momento de layoff, por meio da oferta de programas de recolocação mais personalizados,, ou disponibilizar um mentor que possa acompanhar o executivo desligado por alguns meses”.

Recolocação: e agora?

Cadu Altona destaca que a recolocação de um executivo C-Level geralmenteleva de 3 a 12 meses e que grande parte deles consegue uma nova posição em um tempo relativamente curto. No entanto, muita gente ainda tem dúvida sobre como se posicionar em uma entrevista de emprego ao ser indagado sobre os motivos do desligamento e layoff. E para profissionais de alto escalão, isso se torna mais delicado. “Quanto mais alto o cargo, mais quente é a cadeira. É uma posição frágil que, em caso de layoff, tem um custo elevado para a organização”.

“Ao longo do processo de transição, os recrutadores querem entender o que o candidato fez durante o período de pós-demissão. Não é preciso ter vergonha para falar sobre o assunto. O executivo pode contar sobre se viajou para estudar fora, se ingressou em um MBA ou cursos de atualização, se fez consultoria para outras empresas ou tirou um período sabático”, afirma o sócio fundador da EXEC.

Altona reforça que o período de layoff para um executivo C-Level pode ser um momento importante para fazer uma pausa na carreira, trabalhar aspectos ligados ao autodesenvolvimento e descobrir o seu real diferencial comoprofissional. “Muitas vezes, alguns executivos acabam aceitando a primeira oportunidade profissional que tenha um escopo parecido, e não se dão a oportunidade de avaliar outras propostas com mais calma, com receiode não conseguir se recolocar em um tempo razoável”.

Dicas para um layoff produtivo 

O sócio fundador da EXEC tem 5 recomendações para ajudar executivos a vivenciarem um período de layoff produtivo e colher bons frutos no futuro.

1 – Busque fazer um assessment. O layoff possibilita que o executivo revisite sua jornada profissional, identificando suas fortalezas e eventuais pontos de desenvolvimento que podem ter influenciado no desligamento. “Esse assessment pode ser feito via consultoria, por meio de reflexões, leituras, conversas com amigos do universo profissional”, diz Altona.

2 – Defina um plano estratégico de carreira. Para Cadu, o executivo pode investir na criação de um plano de carreira bem estruturado e detalhado. “Nele devem constar informações como os cargos que ele almeja ocupar, os tipos de desafios que ele quer enfrentar – ou não -, além de setores de atividades que ele quer atuar, quais contribuições ele pode conceder para as empresas, seu propósito, entre tantos outros pontos fundamentais”, afirma.

3 – Invista em networking. Nessa hora, é preciso pensar em acionar os contatos no mercado, incluindo headhunters, profissionais que já fizeram parte da vida profissional do executivo, formadores de opinião, entre tantos outros. “É importante conversar com os headhunters e se aproximar do ciclo de relacionamento direto, incluindo ex-chefes ou ex-subordinados que podem recomendá-lo para a empresa onde estão atualmente. Se ele tem interesse em falar com um determinado presidente de empresa e tem um amigo que tem acesso a esse CEO, pode aproveitar para pedir ajuda para chegar até ele”, exemplifica Altona.

4 – Aproxime-se das comunidades relevantes. O sócio fundador da EXEC reforça a importância de fazer contato e buscar estar mais próximo de entidades representativas do setor ou comunidades empresariais relevantes. “Comunidades empresariais como o YPO, o EO ou entidades relevantes como a Amcham, o IBEF – para executivos financeiros – ou o KES – para executivos de marketing e inovação, são só alguns bons exemplos”, ressalta.

5 – Mantenha seu currículo e LinkedIn atualizados. Em um momento no qual o executivo busca ser encontrado, ter o currículo e LinkedIn com as informações mais frescas é fundamental. O sócio da EXEC enfatiza que muita gente perdeu o hábito de investir tempo na atualização do currículo. “Mas esse documento ainda tem grande importância, pois o executivo tem mais liberdade de criar sua própria marca e mostrar seus diferenciais. O currículo ainda tem um poder de circulação bastante relevante”. Já em relação ao LinkedIn, além das informações básicas, Cadu afirma que agregar recomendações ajuda a trazer mais credibilidade e confiabilidade para quem está avaliando o candidato.

Com a perspectiva de continuidade do ritmo forte de demissões em 2023 – de acordo com a pesquisa da BTA, 53% das empresas entrevistadas que promoveram grandes cortes de pessoal neste ano devem fazer novas reduções em seus quadros até o fim do ano. Por isso, mais do que nunca, é importante estar preparado para vivenciar um layoff e tirar o melhor proveito desse momento.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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