IBGE prevê safra recorde de 308,9 milhões de toneladas em 2023

IBGE prevê safra recorde de 308,9 milhões de toneladas em 2023
Colheita de trigo. Foto: Orlando Kissner - 2010

A estimativa de julho para a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2023 é de 308,9 milhões de toneladas, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta quinta-feira (10) pelo IBGE. A safra recorde significa 45,7 milhões de toneladas a mais (17,4%) que a obtida em 2022, quando totalizou 263,2 milhões de toneladas. Houve um aumento de 1,6 milhão de toneladas (0,5%) em relação à estimativa realizada em junho.

Já com relação à área a ser colhida, a estimativa da LSPA de julho foi de 77,1 milhões de hectares, um aumento de 5,2% (3,8 milhões de hectares) frente à área colhida em 2022. Em relação à projeção de junho, aumento de 0,2% (118,9 mil hectares).

Carlos Barradas, gerente da pesquisa, afirma que alguns produtos se destacam no aumento de 0,5% na estimativa de julho em relação a do mês anterior. Mas que, de maneira geral, os poucos percalços climáticos no país ajudam a explicar a expectativa de safra recorde. “À exceção do Rio Grande do Sul, que sofreu com mais um ano de forte estiagem, as lavouras nas demais unidades da federação apresentaram boas condições de produção”, ressalta. Entretanto, o pesquisador lembra que, mesmo no estado gaúcho, os problemas no clima não foram tão graves quanto em 2022.

Entre os produtos, destaque para o algodão herbáceo (em caroço), cuja estimativa é de 7,4 milhões de toneladas, número recorde que representa um aumento de 7,2% em relação à estimativa anterior. Na comparação com 2022, a previsão é de crescimento de 10,2%, em função da expansão de 5,6% na área cultivada. “Essa expansão da área se dá por conta dos bons preços, concomitantemente ao clima favorável, principalmente na 2ª safra, época em que a maior parte da cultura é cultivada, impulsionando o crescimento da produção das lavouras”, explica Barradas. Outro produto é o trigo, cuja produção deve alcançar 10,8 milhões de toneladas, aumento de 1,2% em relação a junho e de 7,1% em relação à safra de 2022, sendo também recorde.

Previsões para milho e soja têm aumento

A 2ª safra do milho totalizou 97,1 milhões de toneladas, aumento de 0,8% (ou 767,5 mil toneladas). “O clima favorável para esta segunda safra explica este aumento”, afirma o pesquisador. Os maiores incrementos de produção foram informados pela Bahia (43,1% ou 224, 4 mil toneladas) e Mato Grosso (1,5% ou 707,4 mil toneladas).

Já no caso da soja, o LSPA prevê 148,8 milhões de toneladas, acréscimo de 0,3% (388,2 mil toneladas) na comparação com a estimativa anterior. “A recuperação da produtividade das lavouras na maior parte do País, na comparação com a média alcançada em 2022, foi o principal fator responsável por esse aumento”, explica Barradas, lembrando a exceção do Rio Grande do Sul, que sofreu com mais um ano de forte estiagem. O aumento da produção em relação ao mês anterior se deve, principalmente, ao Piauí, que teve crescimento de 4% ou 131,9 mil toneladas e na Bahia, onde houve elevação de 7,1% ou 502,4 mil toneladas. “São duas Unidades da Federação que plantam a soja mais tarde, então, acabam colhendo mais tarde, favorecendo a expansão da estimativa”, justifica o pesquisador.

O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos da pesquisa. Somados, representam 92% da estimativa da produção e respondem por 87,1% da área a ser colhida.

Mato Grosso lidera produção nacional de grãos

O Mato Grosso segue como o maior produtor nacional de grãos do país, ampliando a participação para 31%, seguido pelo Paraná (15%), Rio Grande do Sul (9,5%), Goiás (9,5%), Mato Grosso do Sul (8,9%) e Minas Gerais (5,9%), que, somados, representaram 79,8% do total. Na divisão entre as regiões, o Centro-Oeste tem praticamente metade da produção (49,7%), seguido pelo Sul, com mais de um quarto (26,9%). Completam a lista Sudeste (9,5%), Nordeste (8,8%) e Norte (5,1%).

Quanto à produção, os principais aumentos nas estimativas de julho, em relação a junho, ocorreram na Bahia (1,2 milhão de tonelada), no Mato Grosso (751,0 mil), em Minas Gerais (23,5 mil), em Alagoas (20,1 mil), no Acre (2,6 mil) e no Maranhão (2,1 mil). Já as quedas foram no Paraná (menos 106,9 mil), no Piauí (menos 93,9 mil), no Rio Grande do Sul (menos 90,0 mil) e no Ceará (menos 53,2 mil).

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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