58% dos consumidores da América Latina pesquisam mais antes de comprar

58% dos consumidores da América Latina pesquisam mais antes de comprar

No Brasil, o percentual de pessoas que fazem pesquisa antes das compras chega a 64%

Na América Latina, 58% dos consumidores estão pesquisando mais antes de comprar, principalmente no Brasil, onde 64% das pessoas declaram esse comportamento. Esses são alguns dos dados apresentados na 4ª edição da pesquisa “Consumidor do Amanhã”, realizada pela Mosaiclab em 14 países da América Latina, com 3.735 casos, conduzida em setembro de 2023. Esses resultados serão apresentados durante o Latam Retail Show, o evento de maior relevância no setor de varejo e consumo B2B da América Latina, que ocorrerá entre 19 e 21 de setembro em São Paulo.

Segundo o levantamento, o comportamento de realizar pesquisas antes de comprar está presente em todas as classes sociais no Brasil, com 64% na Classe A, 63% na Classe B e 64% na Classe C, esse comportamento está presente em 64% dos brasileiros, demonstrando que essa é uma preocupação generalizada, não apenas das pessoas com menor renda disponível. O estudo também revela que os consumidores latino-americanos e brasileiros estão mais preocupados com a relação custo-benefício nas compras, pesquisando mais e dando preferência a locais de compra mais econômicos.

“O futuro do varejo será marcado por uma experiência do cliente aprimorada, onde as lojas físicas buscarão criar interações únicas e personalizadas com o auxílio de tecnologias como realidade aumentada e virtual. A omnicanalidade continuará a se expandir, tornando a integração entre lojas físicas e comércio eletrônico mais fluida do que nunca. A automação e a inteligência artificial desempenharão papéis cruciais na eficiência operacional, com robôs auxiliando em tarefas de estoque e IA personalizando recomendações e atendimento ao cliente”, comenta o CEO da GouvêaEcosystem, Marcos Gouvêa.

A pesquisa também revela que o consumidor mais antenado, que utiliza o smartphone como ponto de partida para pesquisa e, muitas vezes, para concluir a compra, pode ser denominado “Smart Consumer”. Segundo o levantamento, esse comportamento está bastante disseminado em diversos países, faixas etárias e classes sociais, e sua expectativa futura é que o varejo seja uma extensão do seu braço, simbolizado pelo celular.

De acordo com o estudo, no Brasil, o formato de varejo com maior atratividade para o consumo futuro é o online, com 65% considerando que esse canal de compra estará mais presente em suas próximas compras, seguido de supermercados, com uma preferência de 43%. Entretanto, vale destacar que o canal que apresenta o maior crescimento é o Atacarejo, que passou de 37% de preferência futura em 2022 para 40% em 2023. O comércio de proximidade também é relevante, com 39% dos latino-americanos e 36% dos brasileiros declarando que estão comprando mais em locais próximos de casa, no bairro.

Quanto aos aplicativos de entrega, o estudo também mostra uma forte preferência de compra futura, com 44% dos brasileiros e 39% dos latino-americanos declarando que esse canal estará mais presente em suas compras no futuro. Há uma busca por canais onde a compra seja rápida e fácil.

LATAMBrasilArgentinaChileColômbiaMéxicoPeruOutros 
Estou valorizando locais de compra onde a compra é rápida e fácil.43%45%40%46%42%39%43%46%

Segundo o levantamento, os formatos mais modernos, como lojas autônomas, têm atratividade para 19% dos latino-americanos e 16% dos brasileiros. Entre os brasileiros early adopters, perfil de pessoas que tendem a experimentar novidades antecipadamente, esse percentual cresce de 16% para 23%, mostrando potencial de crescimento futuro.

“Os consumidores estão em busca de escolhas inteligentes, refletindo mais sobre o que comprar, a relevância dos produtos, os preços e as marcas. O impacto na economia e a aceleração das tecnologias são os principais vetores desse comportamento”, explica Gouvêa.

O receio em relação às crises econômicas no país e no mundo preocupa os latino-americanos, principalmente na Argentina e no Chile. De acordo com a pesquisa, entre os argentinos, 62% estão preocupados com a crise financeira do país, enquanto para os chilenos, essa preocupação atinge 56%. Já no restante da América Latina, essa preocupação fica em torno de 46%.

Temas que preocupam muito a populaçãoLATAMBrasilArgentinaChileColômbiaMéxicoPeruOutros Latam
Crises financeiras econômicas no meu país46%45%62%56%46%42%45%50%
Crises financeiras econômicas globais, recessão econômica40%41%40%44%37%40%38%43%
Aumento de gastos fixos/ custo de vida (moradia, energia elétrica, saneamento, mobilidade…)40%38%46%52%39%39%36%43%

O aumento nos gastos com o custo de vida impacta no potencial de consumo atual da região; essa é uma preocupação para 40% dos latino-americanos, segundo a pesquisa. Paralelamente a isso, há a preocupação com a renda disponível. Menos da metade das pessoas acredita que seus rendimentos aumentaram no último ano, mas muitos dos latino-americanos (77%) acreditam que o rendimento familiar irá melhorar nos próximos 5 a 10 anos. Os brasileiros são os mais otimistas, com 82% acreditando que seu rendimento irá aumentar. Os mais céticos são os argentinos e chilenos, ambos com 63% das pessoas compartilhando essa opinião.

BrasilArgentinaChileColômbiaMéxicoPeruOutros
Rendimento familiar aumentou no último ano45%49%40%27%44%45%44%38%
Rendimento familiar deve aumentar nos próximos 5 a 10 anos77%82%63%63%78%77%75%74%

“Com o aumento da renda disponível, há uma maior abertura para o aumento do consumo futuro. No momento, existe uma forte pressão sobre como otimizar a renda disponível em um cenário de incertezas relacionado a crises econômicas, o que leva o consumidor a refletir mais no momento de sua compra”, finaliza Gouvêa.
Consumidores inteligentes e suas reflexões
A pesquisa também apresenta a percepção dos consumidores inteligentes. De acordo com o estudo, várias tecnologias passaram a ser questionadas, não apenas por não atenderem algumas demandas, mas também por estarem distantes da maioria da população. Segundo o levantamento, o consumidor brasileiro tinha fortes expectativas que, ao longo do tempo, foram se transformando em frustrações. Entre as atratividades tecnológicas relatadas no ano passado e mencionadas agora, a que mais sofreu queda foi o uso de etiquetas escaneáveis e QR Codes, que passou de 48% em 2022 para 30% neste ano. Em segundo lugar, temos a Vitrine Virtual Interativa, que registrou uma queda de 41% no ano passado para 29% agora. Outra tecnologia mencionada é o atendimento personalizado via inteligência artificial, que diminuiu de 41% para 29%.
“Essas tecnologias em si têm um potencial enorme, mas a percepção geral é que a maioria das aplicações não é interessante, há um problema forte de execução e não entregam claramente o que prometem, o que resulta em decepção por parte dos consumidores, tendo assim uma percepção mais crítica sobre certas tecnologias como QR code, VR, vitrine virtual.”, explica Karen Cavalcanti, fundadora da Mosaiclab.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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