Economia a longo prazo impulsiona aquisições de veículos elétricos

Economia a longo prazo impulsiona aquisições de veículos elétricos

Venda de veículos elétricos bate recorde em 2024

Mostrando tendência recorde no Brasil, com quase 94 mil unidades vendidas em 2023, a aquisição de carros elétricos segue em ascensão. De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o primeiro semestre deste ano já mostra o potencial de uma nova marca em 2024. De janeiro a junho, foram vendidos 79 mil veículos eletrificados, incluindo híbridos e elétricos. Os números, segundo a especialista em tecnologia automotiva da dataRain, Julia Meinberg, reforçam uma tendência de transição, impulsionada por economia a longo prazo, inovação e preservação ambiental.

Segundo a especialista, embora o preço inicial de compra de um carro elétrico seja geralmente mais alto do que o de um carro a combustão, os custos operacionais são significativamente menores. “Isso inclui tanto o custo de carregamento quanto a manutenção. Para se ter uma ideia, o custo médio para carregar completamente um carro elétrico é cerca de 50% a 70% menor do que os gastos médios com combustível para um carro a combustão. Além disso, a manutenção de um carro elétrico é cerca de 30% a 50% mais barata nos primeiros cinco anos devido à menor quantidade de peças móveis que exigem reparo”, compara Júlia.

A executiva aponta outros fatores favoráveis à escolha dos elétricos, como a tecnologia, que mantém o sistema atualizado, reduzindo a depreciação, comum em carros a combustão. “Equipados com sistemas avançados de conectividade e inteligência artificial, esses veículos não apenas oferecem uma experiência de condução mais suave e eficiente, mas também são capazes de se atualizar continuamente por meio de software. Isso significa que os proprietários de carros elétricos podem se beneficiar de melhorias constantes em desempenho e segurança, sem a necessidade de comprar um novo veículo. A integração de tecnologias de IoT em carros elétricos permite que eles permaneçam na vanguarda da inovação. Isso reduz a depreciação e aumenta o valor do veículo ao longo do tempo”.

A especialista acredita que, nos próximos anos, os consumidores estarão cada vez mais inteirados das vantagens econômicas e, por esta razão, haverá aumento de demanda e, consequentemente, na produção e na acessibilidade dos carros elétricos no Brasil. “A preferência entre carros elétricos e a combustão deixará de ser uma escolha puramente do consumidor e passará a ser guiada pelas necessidades do mercado e pelos avanços tecnológicos. Não estamos apenas mostrando uma tendência passageira, mas uma mudança inevitável e necessária, que inclui fatores como economia, segurança e sustentabilidade. Posso dizer que estamos à beira de uma revolução no transporte e os carros elétricos estão liderando o caminho para construirmos um futuro mais limpo, seguro e inovador”, enfatiza.

E com foco na aceleração da adesão destes veículos, Julia cita programas nacionais, como o projeto Mover, que tem promovido a produção de veículos híbridos e elétricos por meio de incentivos fiscais. “Para expandir a cultura dos carros elétricos no Brasil, é necessário aumentar os incentivos governamentais e criar uma infraestrutura de recarga robusta”, ressalta.

Outras vantagens

Quando o assunto é segurança, os carros elétricos também apresentam vantagens importantes. “Carros elétricos são projetados com um centro de gravidade mais baixo devido ao posicionamento da bateria, o que melhora a estabilidade e reduz o risco de capotamento. Além disso, muitos veículos elétricos vêm equipados com tecnologias avançadas de assistência ao motorista, que podem aumentar ainda mais a segurança nas estradas”.

No que diz respeito aos seguros, os carros elétricos podem oferecer vantagens adicionais. Embora os prêmios de seguro possam variar, muitos seguradores oferecem descontos para carros elétricos devido aos seus sistemas avançados de segurança e menores taxas de acidentes. “Os prêmios de seguro para carros elétricos tendem a ser competitivos, especialmente quando se leva em conta a redução do risco de acidentes e a menor probabilidade de incêndios,” observa Julia.

Por fim, o impacto ambiental é considerado um dos principais fatores para a tomada de decisão. “Os carros elétricos não emitem CO2 durante a operação, ao contrário dos carros a combustão, que contribuem significativamente para a poluição do ar. No entanto, é importante considerar o impacto ambiental da produção e descarte das baterias. Embora a produção de baterias envolva emissões de CO2, muitos fabricantes estão adotando práticas mais sustentáveis e desenvolvendo tecnologias para reciclar e reutilizar componentes das baterias”.

Desvantagens

Julia, porém, pondera e traz alguns pontos desfavoráveis que ainda colocam os carros a combustão em vantagem, como a infraestrutura de recarga para os carros elétricos. “Apesar dos avanços, muitas regiões ainda carecem de uma rede adequada de postos de recarga, o que pode ser um obstáculo significativo para a adoção generalizada dos carros elétricos, especialmente em áreas rurais. Além disso, o tempo necessário para carregar totalmente um veículo elétrico é significativamente maior do que o tempo para abastecer um carro a combustão, o que pode ser inconveniente para muitos motoristas”.

Outro ponto a ser considerado pela especialista é o custo de substituição das baterias. Embora a manutenção regular de um carro elétrico seja mais barata nos primeiros anos, a substituição da bateria pode representar um custo significativo, impactando o orçamento do proprietário. “Mas, isso espera-se que ocorra em 8 a 10 anos, com degradação mínima, considerando a vida útil da bateria desses carros”, finaliza

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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