Bancos digitais aceleram investimentos em Core Banking para sustentar expansão no Brasil

Infraestrutura tecnológica moderna garante escalabilidade, rapidez no lançamento de produtos e personalização de serviços
O Brasil vive uma explosão digital no sistema financeiro: o mercado de bancos digitais atingiu US$2,33 bilhões em 2024 e deve chegar a US$4,61 bilhões até 2033 (taxa média anual de crescimento de 7,9%), de acordo com o IMARC Group. Enquanto isso, o Pix – plataforma de pagamentos instantâneos do Banco Central – movimentou R$26,5 trilhões ao longo do último ano, um crescimento de 54% em relação a 2023. Nesse contexto, modernizar o Core Banking deixou de ser apenas estratégia e tornou-se condição para crescer de forma sustentável e competitiva.
Conceitualmente, a solução trata-se de um conjunto de sistemas que sustenta as operações centrais de um banco – a exemplo de controle de contas, crédito, pagamentos (como Pix e SPB) e captação. No Brasil, segundo o Banco Central, onde mais de 50% da população adulta já acessa serviços bancários principalmente pelo celular, a pressão por eficiência é cada vez maior. “Sem um Core Banking robusto, um banco digital simplesmente não consegue funcionar. E, quando bem estruturado, ele não é um limitador, mas sim um acelerador do crescimento”, afirma Bruno Samora, diretor de Produto da Matera – empresa de tecnologia especializada em soluções para o sistema financeiro.
Open Finance
Com a digitalização acelerada e o avanço de regulações como o Open Finance – que já conta com mais de 40 milhões de consentimentos ativos no país (dados do BC), os bancos precisam de arquiteturas modulares, baseadas em nuvem e com capacidade de integração em tempo real. Segundo estudos da McKinsey e Gartner (2024), instituições que adotam esse modelo têm custo operacional até 30% menor e reduzem o time-to-market de novos produtos em até 70%. “O que vai diferenciar os bancos digitais no futuro é a experiência personalizada. Mas isso só será possível se a infraestrutura tecnológica permitir flexibilidade e variedade de ofertas”, explica o executivo.
Plataformas legadas, ainda comuns no setor tradicional, chegam a ter mais de 40 anos de operação e não processam transações instantaneamente, o que limita a capacidade de competir com players mais ágeis. Esse cenário reforça a urgência por modernização tecnológica, especialmente em um país que já é o segundo maior polo de fintechs do mundo (ABFintechs/Distrito). No panorama global, o mercado de software de Core Banking movimentou US$16,8 bilhões em 2024 e deve alcançar US$64,96 bilhões até 2032, com crescimento anual de até 19%. Em terras brasileiras, a expectativa é de aceleração ainda maior, impulsionada pela adoção massiva de canais digitais, pelo avanço da inteligência artificial e por novas camadas regulatórias.
“O ritmo das mudanças no setor financeiro exige evolução constante das plataformas. O que funcionava há poucos anos já pode estar defasado diante das novas demandas de clientes, regulações e tecnologias. É preciso garantir que o Core Banking acompanhe esse movimento para manter a competitividade e responder rapidamente às novas demandas do mercado”, conclui Samora.








