Brasil explora apenas 30% do potencial de regimes especiais no comércio exterior

Brasil explora apenas 30% do potencial de regimes especiais no comércio exterior

O Brasil enfrenta o desafio de aumentar sua competitividade no comércio exterior, especialmente diante das mudanças globais, como as recentes tensões tarifárias e a necessidade de buscar novos mercados. Nesse contexto, o país precisa intensificar o uso de ferramentas que otimizem suas operações e garantam maior eficiência.

Segundo Roberto Feitosa, head de Tecnologia e Inovação da RGC Consultoria, os regimes aduaneiros especiais surgem como mecanismos importantes para o desenvolvimento do comércio exterior, permitindo a suspensão, isenção ou restituição de tributos. Entre os mais relevantes, destacam-se o Drawback e o Recof.

O Drawback é um regime especial que suspende ou isenta impostos sobre insumos importados utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação. Ele pode operar em três modalidades: isenção (quando a empresa já exportou e quer repor o estoque), suspensão (quando a exportação ainda será realizada) e restituição (quando os impostos já foram pagos e são ressarcidos após a exportação).

Já o Recof (Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado) permite à empresa importar ou comprar no mercado interno insumos, matérias-primas e componentes com suspensão de impostos, para que sejam submetidos a processo de industrialização e, posteriormente, exportados ou vendidos no mercado interno.

“Apesar de seu potencial, esses regimes são pouco utilizados no Brasil”, afirma Feitosa.

Dados do setor indicam que, das 55 mil empresas importadoras e 28 mil exportadoras, somente 2,5 mil operam com o Drawback e 155 com o Recof. Esse cenário demonstra que apenas 30% do potencial de uso de regimes especiais é explorado.

Nos últimos seis anos, o regime Recof gerou uma suspensão de mais de R$ 48 bilhões em Impostos de Importação (II). Essa renúncia fiscal representa um ganho econômico significativo, beneficiando diretamente as empresas que utilizam o regime.

“O baixo índice de adoção desses regimes se deve, em grande parte, à percepção de que sua implementação é complexa, custosa e demorada. Empresas frequentemente acreditam que os controles necessários são burocráticos e difíceis de gerenciar, criando um obstáculo à sua utilização”, explica.

Tecnologia e Inteligência Artificial reduzem barreiras

A tecnologia e a inteligência artificial podem transformar esse cenário, simplificando a implementação e o gerenciamento dos regimes especiais. Com a utilização de plataformas tecnológicas, é possível viabilizar a integração de dados de forma flexível, rápida e com custos mais acessíveis.

“A tecnologia permite a criação de uma matriz de benefícios que, com o uso de inteligência artificial, ajuda as empresas a identificar oportunidades de ganhos que não seriam facilmente percebidas devido à complexidade e ao volume de dados da cadeia produtiva. A análise de dados de fornecedores e transações de comércio exterior, por exemplo, pode sugerir a aplicabilidade ideal de regimes como Drawback e Recof para cada operação”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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