Empresas adaptam-se à incerteza comercial e constroem resiliência

Empresas adaptam-se à incerteza comercial e constroem resiliência

No Brasil, 38% das empresas com atividade internacional sentem-se significativamente mais seguras em relação à política comercial do que há seis meses

As empresas com atividades internacionais estão se adaptando a uma nova realidade no comércio global. Elas estão implementando diferentes estratégias para vencer os desafios comerciais e tarifários atuais e, ao mesmo tempo, administram o aumento dos custos e as pressões sobre o capital de giro. Essa é a conclusão da pesquisa Global Trade Pulse do HSBC, que reuniu insights de 6.750 decisores em 17 mercados sobre tarifas e comércio, incluindo o Brasil.

Clareza e confiança impulsionam a adaptabilidade

Após um primeiro semestre desafiador em 2025, as empresas estão encontrando o equilíbrio e têm mais clareza sobre o cenário comercial e tarifário. A pesquisa global revela que 67% delas sentem-se mais seguras sobre o impacto da política comercial nas operações do que seis meses atrás, enquanto 77% afirmam que conseguem entender facilmente as recentes mudanças na política comercial. Esse crescente sentimento de certeza é um primeiro passo crucial para permitir que as empresas tomem decisões baseadas em informação e planejem o futuro.

Ao mesmo tempo em que cada vez mais as empresas entendem o novo cenário comercial, as preocupações com a receita vêm diminuindo de forma acentuada: apenas 22% temem perdas severas de receita acima de 25%, uma queda em relação aos 37% de seis meses atrás. 53% das empresas esperam que as receitas aumentem nos próximos seis meses. Nos próximos dois anos, a expectativa é maior, 58% no mundo.

Tendências de mercado

A preparação para as regulamentações comerciais surgiu como um motor importante para a adaptação empresarial, permitindo que as empresas respondam melhor às mudanças políticas e façam ajustes estratégicos. As empresas nos EUA sentem-se mais preparadas para as mudanças na regulamentação comercial, com 52% delas sentindo-se bem-informadas e preparadas, em comparação com 35% na Europa e 32% no Leste e Norte da Ásia.

Além da diversificação, as empresas estão buscando novos corredores comerciais para aumentar resiliência contra a instabilidade. A Europa e o Sudeste Asiático são os principais destinos para expansão (40% e 36% respectivamente), seguidos pela América do Norte e Leste/Norte da Ásia (ambos 32%). As empresas do Sul da Ásia lideram em priorizar a Europa, sendo que 55% visam a expansão para região. Por outro lado, a América do Norte é onde as empresas planejam reduzir mais a dependência (22%), seguida pela América do Sul (16%). Essa reorientação sinaliza um reequilíbrio deliberado dos fluxos comerciais globais.

Vinicius Pergola, Global Trade Solutions Country Head, diz: “Apesar das negociações globais e das tarifas variáveis, as empresas parecem estar se estabelecendo num estado de adaptação constante. A maior clareza sobre o comércio e sobre as tarifas encorajou as empresas a planejar o futuro com antecedência, com muitas delas vendo o comércio internacional não como um risco, mas como uma oportunidade para se reinventarem”.

Estratégias de adaptação diversificada e corredores comerciais impulsionam a resiliência

As empresas implementam uma gama de estratégias para mitigar os riscos comerciais, salvaguardar a competitividade a longo prazo e adaptar-se a um ambiente comercial volátil. Mais de três quartos (76%) tomam múltiplas ações em resposta ao aumento dos custos, como repassá-los para os clientes, renegociar contratos e investir em automação e IA.

A expansão internacional e a reformulação dos modelos de receita continuam a ser prioridades-chave para as empresas globais. Metade de todas as empresas planeja entrar em novos mercados, 47% reequilibram produtos e serviços e 43% exploram fusões ou aquisições. 75% das empresas reavaliam ou já fizeram alterações nos locais onde as principais atividades de processamento e montagem ocorrem — um sinal claro de que o mapa da cadeia de fornecimento global continua a mudar em resposta à evolução dos riscos e oportunidades.

Globalmente, a confiança nas ambições comerciais a longo prazo permanece robusta. 88% dos inquiridos esperam aumentar o comércio internacional nos próximos dois anos. Ao mesmo tempo, 75% das empresas internacionais afirmam que a incerteza comercial as incentivou a evoluir e a explorar novas oportunidades — um sinal de que as mudanças no comércio estão atuando como um catalisador para a reinvenção, não para o recuo.

A diversificação é também um tema central na gestão da interrupção comercial. 84% das empresas diversificam as cadeias de suprimento — sendo que a estratégia de adaptação da cadeia de suprimentos a mais relatada pelas empresas. As grandes corporações lideram: 44% das empresas com receitas anuais acima de 2 bilhões de dólares já diversificaram as suas cadeias de suprimentos, em comparação com 37% daquelas com receitas abaixo de 500 milhões de dólares. Isto indica que a escala e a disponibilidade de recursos desempenham um papel fundamental na eficácia com que as empresas podem gerir a volatilidade comercial.

As pressões sobre custos e receitas persistem

Embora as empresas tomem medidas proativas para fortalecer a resiliência, as pressões financeiras relacionadas com o comércio persistem. A pesquisa mostra que a receita permanece vulnerável às políticas comerciais que estão em mudança. As empresas que dependem totalmente de bens estão mais expostas a impactos na receita como resultado da incerteza comercial: 42% deste segmento relatam um impacto negativo nas receitas em comparação com seis meses atrás, em oposição a 33% das empresas de serviços.

As pressões sobre os custos também aumentam. Dois terços (66%) das empresas esperam que os custos aumentem nos próximos seis meses, impulsionados principalmente por tarifas e direitos aduaneiros (54%) e por custos mais elevados de envio e frete (47%).

Pergola acrescenta: “Embora as pressões de custos e receitas persistam, as empresas estão cada vez mais focadas no futuro, realinhando as cadeias de suprimentos, buscando novos mercados e construindo a resiliência financeira necessária para prosperar no meio da imprevisibilidade”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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