Acordo União Europeia–Mercosul: o caminho entre o comércio e a cooperação estratégica

Acordo União Europeia–Mercosul: o caminho entre o comércio e a cooperação estratégica
Fabricio Pelloso.

A consolidação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul transcende a mera redução de alíquotas de importação; trata-se de um dos movimentos geoeconômicos mais significativos deste século.

Após mais de 25 anos de negociações, o pacto amadurece em um cenário global de incertezas, onde a reconfiguração das cadeias produtivas e a busca por parceiros que compartilhem valores democráticos e ambientais tornaram-se prioridades absolutas.

A força de um bloco de 718 milhões de consumidores

O acordo cria uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, conectando cerca de 718 milhões de consumidores e economias que, somadas, alcançam aproximadamente US$ 22 trilhões de dólares.

Para a União Europeia, o movimento é uma estratégia vital de diversificação de fornecedores e fortalecimento de sua presença na América Latina. Para o Mercosul, e especialmente para o Brasil, abre-se o acesso a um mercado altamente regulado e sofisticado.

No entanto, a defesa do acordo não deve ser feita de forma incondicional. O grande desafio reside em evitar a “reprimarização” (dependência excessiva de commodities) das nossas economias.

Enquanto o setor agroexportador vislumbra ganhos imediatos, os segmentos industriais e de tecnologia exigem políticas públicas agressivas de inovação e agregação de valor. O acordo deve, obrigatoriamente, ser acompanhado de salvaguardas ambientais e compromissos climáticos efetivos, garantindo que o desenvolvimento seja, de fato, sustentável.

A ciência como ponte de integração

Um aspecto frequentemente negligenciado no debate público é que a relação com a Europa já é uma realidade estruturada em algumas instituições de ensino e pesquisa do Brasil.

Projetos vinculados a programas como Erasmus+, Horizon Europe e Jean Monnet demonstram que a cooperação vai muito além da troca de mercadorias: ela envolve a circulação de cérebros, a harmonização de padrões regulatórios e o fortalecimento de ecossistemas de inovação.

O Centro Universitário Integrado, de Campo Mourão (PR), é um exemplo prático de como essa integração qualificada gera resultados territoriais. Por meio do ecossistema Integrow, a instituição de ensino superior mantém parcerias com mais de 20 universidades internacionais, de vários países e continentes, e tem alinhado sua produção acadêmica às exigências universais, transformando a realidade local por meio de redes globais de pesquisa.

Projetos que transformam a sociedade

A prova dessa sinergia está nos resultados dos últimos três anos, com dois projetos de peso financiados pela União Europeia sob execução do Integrado.

Transformação do Trabalho (Gig Economy): O projeto foca nas mudanças profundas trazidas pela economia de plataformas. Com a crescente precarização e a digitalização das relações laborais, a iniciativa discute modelos de proteção social e novas dinâmicas econômicas, essenciais para uma sociedade em transição tecnológica.

O Projeto DEFEND (2026): Com início previsto para 2026, o projeto Democracy, Europe, Far-right Extremism, Neutralizing Dangers (DEFEND) assume um papel crítico e urgente. O objetivo é analisar a atual conjuntura política global e os riscos que o extremismo de direita representa para as instituições democráticas. Ou seja, é a ciência paranaense contribuindo para a preservação das liberdades civis em nível internacional.

Uma visão de longo prazo

O sucesso da parceria União Europeia–Mercosul dependerá da nossa capacidade de tratar o acordo não como um fim, mas como um meio. Ele deve ser o vetor para uma integração que valorize a inovação, a sustentabilidade e, acima de tudo, a democracia.

A experiência acumulada pelo Centro Universitário Integrado mostra que a cooperação internacional é profícua quando orientada por estratégia e visão de futuro. Estamos prontos para exportar não apenas produtos, mas também conhecimento e soluções para os desafios globais.

O artigo foi escrito por Fabricio Pelloso, que é head de Inovação e coordenador do Integrow (Grupo Integrado).

Crédito da foto: Centro Universitário Integrado

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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