Falhas na gestão de pessoas custam caro e passam despercebidas nas empresas

Para especialista, investir em líderes e cultura organizacional é chave para evitar perdas que não aparecem no balanço
O custo da má gestão de pessoas nas empresas esconde perdas silenciosas de produtividade e equipes engajadas, transformando problemas de gestão em prejuízos econômicos substanciais. Segundo o relatório anual State of the Global Workplace, o engajamento dos profissionais em todo o mundo caiu de 23% para 21% em 2024. Essa queda representa uma perda estimada de US$ 438 bilhões (R$ 2,4 trilhões) em produtividade para a economia mundial.
De acordo com Elcio Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos, empresa de recrutamento e seleção, essa perda acontece simplesmente porque equipes que poderiam render mais são deixadas de lado por gestores que não conseguem motivar e reter talentos.
Ainda conforme o relatório, apenas cerca de 21% dos trabalhadores globais se consideram engajados no trabalho, enquanto o restante está “não engajado” ou “ativamente desengajado”, uma condição que alimenta a rotatividade e a perda de conhecimento organizacional.
“Não se trata só de números frios. São profissionais que saem do trabalho desanimados, buscando novas oportunidades, impactando desde a inovação até a satisfação dos clientes. Quando falamos de gestão de pessoas, é preciso entender que, hoje, esse processo é tão importante quanto vender ou captar novos clientes. É um pilar fundamental para toda e qualquer empresa”, explica Elcio.
Para o CEO da Heach Recursos Humanos, esse “custo invisível” deixa claro que investir em gestão de pessoas de forma estratégica, com foco em desenvolvimento de líderes e cultura organizacional, traduz em melhor clima interno e, sobretudo, em ganhos concretos de produtividade e resultados financeiros.
“O primeiro passo para uma gestão de pessoas mais eficiente é preparar melhor as lideranças, especialmente aquelas que fazem a ponte direta com os times. Grande parte dos problemas de engajamento nasce na relação entre líder e equipe. Investir no desenvolvimento de gestores, com foco em comunicação, escuta ativa e clareza de expectativas, é decisivo para reduzir conflitos, retrabalho e pedidos de desligamento”, afirma Elcio.
Junto a isso, há a importância de alinhar discurso e prática dentro das organizações. Segundo ele, empresas que prometem flexibilidade, propósito e crescimento, mas mantêm modelos rígidos e pouco transparentes, acabam ampliando o desengajamento.
“Quando a liderança falha, perde-se muito mais do que dinheiro gasto em folha de pagamento. Perde-se confiança, talento e futuro competitivo — e isso é algo que toda organização, de grande a pequena, precisa enfrentar hoje”, conclui o especialista.







