Inflação em Curitiba fecha 2025 abaixo da média nacional

Redução é reflexo da queda dos alimentos básicos e comportamento mais moderado dos preços
A inflação em Curitiba e na Região Metropolitana encerrou 2025 abaixo da média nacional e dentro do limite definido para o período. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o ano com alta de 3,84% na capital paranaense e municípios do entorno, enquanto a inflação brasileira atingiu 4,26%. O resultado ficou abaixo do teto da meta para o ano, fixado em 4,50%, e indica um cenário de maior controle inflacionário ao longo de 2025 na região.
Na leitura regional, a maior pressão inflacionária mensal esteve concentrada no grupo Despesas Pessoais, que avançou 1,21%. O resultado foi influenciado principalmente por reajustes em serviços ligados ao lazer e ao turismo, como hospedagem, com alta de 4,29%, cinema, teatro e concertos, que subiram 3,38%, e pacotes turísticos, com elevação de 2,79%, refletindo a sazonalidade típica do período.


Segundo o assessor econômico da Fecomércio PR, Lucas Dezordi, o comportamento dos preços dos alimentos ao longo de 2025 foi marcado por movimentos distintos entre produtos básicos e industrializados. “Embora alguns itens tenham pressionado a inflação, as relevantes reduções em produtos de consumo diário tiveram papel importante para suavizar o impacto da inflação sobre o orçamento das famílias, especialmente em um contexto de juros elevados e maior cautela no consumo”, avalia.
As maiores quedas de preços no acumulado do ano ocorreram nos alimentos básicos. O feijão preto registrou recuo de 32,43%, o arroz caiu 29,89% e o grupo de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou deflação de 27,02%. Também contribuíram para a desaceleração da inflação regional as quedas no preço do azeite de oliva, com retração de 19,32%, e do leite longa vida, que ficou 19,22% mais barato.

Na análise mensal, dezembro apresentou dinâmica distinta entre o cenário nacional e o regional. Enquanto o IPCA registrou alta de 0,33% no Brasil, Curitiba e Região Metropolitana tiveram leve deflação de 0,02% no último mês do ano. Entre os itens que mais subiram na região em dezembro estão passagem aérea (+18,59%), cheiro-verde, (+10,32%), repolho (+9,51%), mamão (+7,58%) e transporte público (+6,92%), refletindo fatores sazonais e ajustes específicos de oferta e demanda. Por outro lado, as maiores quedas de preços no mês foram observadas em hortaliças e frutas, como pepino, que recuou 16,58%, manga, com queda de 11,09%, alface, que ficou 9,39% mais barata, melancia, com redução de 8,22%, e tomate, com queda de 8,16%.

Para 2026, a avaliação é de que o cenário inflacionário tende a seguir mais equilibrado, ainda que com desafios. Dezordi ressalta que as projeções apontam para uma inflação mais próxima do centro da meta ao longo deste ano, condicionada à manutenção de uma política monetária restritiva e à evolução dos preços de alimentos e serviços. “A expectativa é de desaceleração gradual da inflação, mas o ritmo dependerá do comportamento dos juros, do mercado de trabalho e de fatores climáticos que afetam a produção de alimentos”, pondera.







