Gastos de início de ano expõem a fragilidade das famílias brasileiras

Gastos de início de ano expõem a fragilidade das famílias brasileiras

Apenas 11% dos brasileiros conseguem arcar com os compromissos de início de ano

O calendário virou e as famílias brasileiras vivenciam uma situação que se repete nos primeiros meses do ano: a concentração quase coreografada de despesas: IPVA, IPTU, material escolar, matrículas, seguros. Com o 13º salário já diluído nas celebrações de dezembro, o orçamento doméstico, para grande parte dos lares, entra rapidamente em zona de turbulência.

Levantamentos da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil mostram que apenas cerca de 11% dos brasileiros conseguem arcar com esses compromissos, sem recorrer a parcelamentos, crédito ou reservas improvisadas. O dado revela mais do que um aperto momentâneo: expõe uma fragilidade estrutural na formação de poupança para gastos previsíveis.

Ano após ano, o mesmo padrão produz efeitos colaterais conhecidos. Milhões de consumidores atravessam o primeiro trimestre com boletos em aberto, planejamento limitado e pouca margem para imprevistos. O resultado é uma maior exposição ao endividamento e uma relação cada vez mais reativa e menos estratégica com o dinheiro.

 Previdência complementar como âncora financeira

É nesse contexto que a previdência complementar, especialmente os fundos de pensão fechados, ganha relevância como instrumento de estabilidade financeira. Modelos como o Fusan Viva Mais, da Fundação Sanepar, funcionam como uma engrenagem de disciplina: transformam contribuições regulares em patrimônio ao longo do tempo, reduzindo a dependência de crédito nos momentos de maior pressão sobre o orçamento. “O crédito resolve o mês, mas cobra juros do futuro. A previdência faz o caminho inverso: organiza o presente para proteger o amanhã”, afirma Rafael Stec, presidente da Fundação Sanepar.
“Ao contrário de soluções emergenciais, os fundos de pensão criam uma lógica de previsibilidade”, complementa Rafael.

Benefícios que vão além da aposentadoria

Segundo o presidente da Fusan, há também ganhos adicionais. Entre eles, a complementação de uma aposentadoria pública cada vez mais pressionada pelo envelhecimento da população, benefícios fiscais dentro dos limites legais, eventuais contribuições da patrocinadora e custos administrativos mais baixos, comuns em entidades sem fins lucrativos. Em um ambiente marcado por picos sazonais de gastos e elevado endividamento das famílias, aderir a um fundo de pensão deixa de ser apenas uma decisão previdenciária e passa a ser uma estratégia anticíclica de organização financeira. “É uma forma de suavizar o presente enquanto se constrói um futuro menos volátil”, conclui Rafael Stec.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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