O Brasil tem mais cartões que pessoas

O Brasil tem mais cartões que pessoas

Saiba como organizar as contas e fugir da inadimplência

De acordo com o Banco Central, o Brasil contabilizou no primeiro semestre de 2025 aproximadamente 243 milhões de cartões de crédito — número que excede o total da população do país, cerca de 213,4 milhões de habitantes. O montante revela a estreita relação entre os brasileiros e o crédito, que é utilizado tanto para compras no dia a dia, mas também para facilitar o acesso a produtos e serviços de maior valor agregado. Por meio do parcelamento das compras, as aquisições ocorrem mesmo quando não há saldo em conta corrente.

No último ano, a DM, grupo de serviços financeiros especializado em concessão de crédito, divulgou uma pesquisa revelando que o cartão de crédito está consolidado como ferramenta essencial no dia a dia dos brasileiros — 68,6% dos consumidores utilizam essa forma de pagamento para suas compras, sendo que 41,7% recorrem ao crédito toda semana e 69,3% optam pelo parcelamento.

Há uma preocupação corrente no mercado quanto à inadimplência dos brasileiros. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o endividamento das famílias brasileiras — que incluem financiamentos, cartões de crédito e empréstimos — atingiu 80,9% em abril, o maior nível da série histórica. Já a inadimplência, que corresponde às dívidas em atraso, chegou a 29,6% das famílias no período.

Uso do cartão exige disciplina

Nesse cenário, o uso de mais de um cartão de crédito exige disciplina e planejamento. “O crédito pode ser um grande aliado da manutenção do poder de compra. Muito mais pode ser adquirido com o uso de cartões, e a depender das vantagens e benefícios que cada um oferece, ter vários cartões de fato pode ser uma estratégia segura. Contudo, é indiscutível a necessidade de maior controle dos gastos, para que o acúmulo de dívidas em diferentes cartões não exceda o orçamento da família”, diz Renata Watanabe, diretora de Risco da DM.

Segundo a executiva, o parcelamento exige atenção para que os valores somados não ultrapassem a capacidade de quitar as dívidas.

“Hoje em dia, os parcelamentos são comuns em praticamente todo o varejo, inclusive no setor supermercadista, que oferece itens de primeira necessidade que serão adquiridos praticamente todos os meses. Nesses casos, parcelar o pagamento pode ser uma opção se for pautado num planejamento financeiro bem definido. Às vezes, o pagamento à vista pode ser a estratégia mais eficaz”, pondera Renata.

A empreendedora Auriceli Amaral Nascimento, dona de um restaurante em São José dos Campos (SP), relata ter 3 cartões de crédito da DM, sendo um DM Visa e dois de loja associados a diferentes supermercados. Ela os utiliza para fazer compras pessoais e ainda abastecer o restaurante, o que exige uma atenção especial às datas de vencimento, que são diferentes. “Planejo tudo, mas nunca parcelo. Recomendo o uso dos cartões desde que haja educação financeira e um bom planejamento”, diz.

Compras impulsivas

A recorrência de aquisições por impulso, que fogem do planejamento financeiro do mês e geralmente estão associadas a itens de desejo, como vestuário, smartphones, e produtos de maior valor agregado, pode gerar um impacto ainda mais negativo no uso do crédito.

“Para ter mais de um cartão, é imprescindível a conscientização de que os recursos financeiros precisam ser primeiro destinados ao que é essencial para a família, além de garantir uma reserva para emergências. Se os valores forem despendidos de forma incalculada, a inadimplência pode surgir”, afirma Renata Watanabe.

Fugir da inadimplência é importante inclusive para a continuidade do uso do crédito. “Quando as contas estão atrasadas, as instituições financeiras tendem a reduzir e até zerar a concessão de crédito. Portanto, se o cliente quer fazer uso de seus cartões e garantir os benefícios que eles oferecem, é recomendável uma preparação e uma análise consciente de seus gastos, para que assim não haja riscos das dívidas se tornarem uma bola de neve”, conclui a diretora de risco.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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