Manutenção do ciclo de queda na Taxa Selic deve aquecer o mercado

Manutenção do ciclo de queda na Taxa Selic deve aquecer o mercado

Especialistas explicam os efeitos dos juros menores sobre financiamentos, investimentos e oportunidades em leilões

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (5) em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, que passará de 14,25% para 14% ao ano. Foi a quarta vez seguida que o Copom reduz os juros.

Após o corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, especialistas explicam o que muda para consumidores, investidores e para a economia. Para Daniel Borges, CEO da Route Investimentos e especialista em mercado financeiro, a decisão do Copom marca mais do que um ajuste pontual na política monetária e pode indicar o início de um ciclo mais consistente de redução dos juros, caso o cenário macroeconômico continue favorável.

“A redução da Selic sinaliza que o processo de desinflação ganhou consistência e abre espaço para um ciclo gradual de afrouxamento monetário. Com a inflação convergindo e o juro real ainda em patamar elevado, a tendência é que o Banco Central tenha margem para novos cortes nos próximos meses, desde que o cenário fiscal permaneça sob controle e as expectativas continuem ancoradas. Esse movimento reduz o custo de capital, favorece investimentos e melhora as condições de crédito para empresas e consumidores”, afirma Daniel Borges, especialista em mercado financeiro.

A taxa básica de juros, conhecida como Selic, é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central (BC) para controlar a inflação. Ela é aplicada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional por meio do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), servindo como referência para outras taxas de juros da economia. Definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a redução da Selic tem como objetivo incentivar o consumo e estimular a produção, ajustando o ritmo da atividade econômica.

A redução da Selic tende a contribuir para a queda gradual do custo do crédito, já que as instituições financeiras passam a ter um ambiente mais favorável para reduzir as taxas praticadas em algumas modalidades de empréstimos e financiamentos. Com isso, linhas como crédito imobiliário, financiamento de veículos e empréstimos corporativos podem ganhar atratividade, estimulando a demanda por recursos.

Mercado imobiliário aquecido

Para Paulo Dornelle, especialista em mercado imobiliário e CEO da Okre Imóveis, o contexto atual já indica uma tendência positiva, ainda que sem garantias de aceleração. “Estamos em um momento de queda da inflação, com o menor índice desde 2024”.

Segundo ele, quem espera uma redução imediata nas taxas de financiamento precisa considerar um fator importante, o tempo de resposta do mercado imobiliário.

“No mercado imobiliário, começamos a ver o resultado de uma queda de juros geralmente de três a seis meses depois. Com a pequena redução na última reunião e concretizando essa tendência na posterior, teremos um segundo semestre muito mais aquecido”, explica Dornelle.

Na prática, isso significa que decisões baseadas apenas na expectativa de juros mais baixos podem não trazer ganhos imediatos ao comprador. Por outro lado, o movimento de queda já começa a influenciar o comportamento do setor, especialmente entre investidores.

Dornelle destaca que a taxa básica de juros funciona como um dos principais motores do mercado imobiliário, sobretudo em operações financiadas. “A queda de juros significa, no nosso mercado, aumento de negócios oriundos de financiamento. Muitos dos nossos investidores trabalham alavancados com capital de terceiros, então esse movimento é fundamental para o volume de vendas”, afirma.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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