Previdência complementar é alternativa para nova economia

Previdência complementar é alternativa para nova economia

Estudos mostram avanço do trabalho por aplicativos e da pejotização, mas também revelam uma lacuna crescente na proteção previdenciária

O mercado de trabalho brasileiro está passando por uma transformação que já começa a produzir efeitos sobre a previdência. De um lado, cresce o número de profissionais que trabalham por conta própria ou por meio de plataformas digitais. De outro, diminui a participação de trabalhadores em modelos tradicionais de emprego, nos quais a formação da proteção previdenciária é compartilhada entre empregado e empregador.

Os números mais recentes ajudam a dimensionar o fenômeno. Segundo o IBGE, apenas 34% dos trabalhadores que atuam por meio de plataformas digitais contribuem para algum instituto de previdência, contra 63% entre os demais trabalhadores. Entre motoristas de automóveis por aplicativos, a cobertura cai para 25,5% e, entre motociclistas, para apenas 19,4%.

A situação ganha uma dimensão ainda maior quando se considera o universo dos microempreendedores individuais (MEIs). Estudo do Ministério do Trabalho aponta que cerca de 30% dos 16,75 milhões de MEIs existentes hoje eram trabalhadores com carteira assinada que migraram para o regime de pessoa jurídica. Entre janeiro de 2022 e março de 2026, cerca de 5 milhões de trabalhadores desligados da CLT passaram para o regime de PJ no mesmo mês ou no mês seguinte.

 A conta da mudança

A transformação também tem impacto sobre o financiamento da seguridade. Segundo estimativa do Ministério do Trabalho, a migração para o regime de PJ provocou perda de R$ 105 bilhões em arrecadação entre janeiro de 2022 e julho de 2025, considerando contribuições para Previdência, FGTS e Sistema S. O problema não está na existência do MEI, criado para formalizar trabalhadores autônomos e informais, mas no fato de que a contribuição previdenciária desse modelo é significativamente menor.

Por padrão, o MEI recolhe 5% do salário-mínimo para o INSS, podendo optar por contribuições maiores. O resultado é uma mudança de responsabilidade: a formação da renda futura passa a depender muito mais da iniciativa individual do trabalhador.

 Uma nova fronteira para a previdência

Rafael Stec.

É nesse cenário que a previdência complementar ganha relevância. No Paraná, cerca de 30% dos 6,3 milhões de trabalhadores ocupados estão na informalidade, o equivalente a aproximadamente 1,9 milhão de pessoas. Entre eles estão MEIs, motoristas de aplicativos, entregadores e outros profissionais que trabalham por conta própria. Para a Fusan, a questão é como aproximar a previdência complementar de uma parcela da população que não conta com uma empresa patrocinadora para ajudá-la a formar uma reserva. “Para quem não tem empresa patrocinando um plano, construir uma reserva complementar depende de uma decisão individual”, afirma Rafael Stec, presidente da Fusan.

Administrado pela Fusan – Fundação Sanepar, o Viva Mais Previdência permite adesão por pessoas físicas e contribuições a partir de R$ 50 mensais, criando uma alternativa para trabalhadores que precisam conciliar uma renda variável no presente com a necessidade de construir uma reserva para o futuro. A discussão, portanto, já não é apenas sobre aposentadoria. É sobre como financiar a renda futura de uma geração que trabalha de maneira diferente das anteriores. “A economia mudou e a previdência precisa acompanhar essa transformação. Quem trabalha por conta própria também precisa ter a possibilidade de construir uma renda para o futuro”, afirma Stec.

Crédito da foto: Pexels

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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