Mesmo com nova queda da Selic, juros elevados ainda desafiam construção

Mesmo com nova queda da Selic, juros elevados ainda desafiam construção

Para CBIC, Selic ainda permanece em patamar elevado, impondo desafios ao setor produtivo

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) considera positiva a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), anunciada nesta quarta-feira (16), de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Esta é a quinta queda consecutiva da taxa básica de juros, movimento considerado importante para a economia. A CBIC alerta, no entanto, que a Selic ainda permanece em patamar elevado, impondo desafios ao setor produtivo e limitando uma retomada mais consistente do crédito e dos investimentos.

Apesar da sequência de reduções, o presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, alerta que a taxa básica de juros continua em um dos patamares mais elevados do mundo, evidenciando o tamanho do desafio enfrentado pelos empresários brasileiros. Segundo ele, para a construção, setor que depende de crédito e possui um ciclo produtivo longo, a manutenção dos juros elevados por um período prolongado afeta as decisões de investimento, encarece o financiamento e reduz a previsibilidade necessária para o desenvolvimento de novos projetos.

“Recebemos de forma positiva mais uma redução da Selic, mas é importante observar que a taxa permanece em um patamar muito elevado. Estamos com juros de dois dígitos desde o início de 2022, o que representa um grande desafio para o empresário, especialmente em um setor como a construção, que trabalha com projetos de longo prazo e depende de crédito e previsibilidade. Precisamos avançar na construção de um ambiente macroeconômico estável, que permita a continuidade desse movimento de redução dos juros de forma sustentável e estimule novos investimentos”, afirma o presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida.

Juros ainda pressionam atividade e investimentos

A economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, lembra que a nova redução da taxa básica de juros ocorre em um cenário de desaceleração da economia brasileira, mesmo com um mercado de trabalho ainda dinâmico. A construção também apresentou perda de ritmo nos últimos meses.

Depois de crescer 2,8% no primeiro trimestre de 2026, o setor recuou 0,4% no segundo trimestre, na comparação com os três meses imediatamente anteriores. Apesar da desaceleração, a construção acumulou crescimento de 1,1% no primeiro semestre do ano.

Os efeitos dos juros elevados também aparecem na percepção dos empresários. Dados da Sondagem da Indústria da Construção, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a CBIC, mostram que as taxas de juros elevadas são apontadas pelos empresários como o principal problema enfrentado pelo setor.

“Os dados mostram que a construção perdeu dinamismo no segundo trimestre, e os juros elevados ajudam a explicar esse cenário. A construção tem um ciclo produtivo longo e precisa de planejamento, crédito e previsibilidade. Quando as taxas permanecem elevadas por muito tempo, o impacto não fica restrito à atividade no presente: ele alcança também as decisões sobre novos projetos e pode comprometer os investimentos futuros. A continuidade do processo de redução dos juros, respeitadas as condições econômicas, é fundamental para estimular o crédito, ampliar os investimentos e contribuir para um crescimento mais sustentável do setor e da economia brasileira”, afirma Ieda.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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